22 junho 2007

Mulheres que Amo - Ser Especial

Voltamos. Graças a Deus! Depois do apagão de meu computador, mudança de residência e mudança de emprego, tudo em um único pacote, estamos voltando a nossa regular coluna das madrugadas de sábado. Peço desculpas a todos que lêem este blog, mas os motivos foram de força bem maior que pude suportar. Espero que tão cedo não acontece este tsunami novamente. Seguimos com o primeiro conto desta nova leva. Espero que gostem.

A Universidade é o momento da vida único para todos. A recém liberdade conquistada pelos adolescentes que iniciam sua primeira aventura fora da casa dos pais. As primeiras decisões que afetam seu destino. As primeiras experiências que marcaram sua caminhada por toda a vida, experiências solitárias. A Universidade deixa profundas impressões em todos que a vivem e sentem. Laura foi uma delas.
Era o primeiro período universitário de nossas vidas. Estranhos encontrando e descobrindo a si mesmos e outros fora de seu círculo de amizade até então. Vindos de localidades as mais diferentes possíveis, classes sociais diversas e idades ainda mais díspares. Assim conheci a Laura!
Era uma menina, apesar de não assumir sua vida como tal. Achava ser uma mulher. Uma mulher especial... diferente de todas as outras. Sua afirmação pessoal dependia daquele fato insólito e ilusório: ser diferente... ser especial. Seu modo de vestir, andar e falar, tudo denotava esta insegurança pessoal. Esta necessidade! Uma adolescente acostumada a ser o centro das atenções do colégio, a menina linda e doce desejada por todos. Mas na Universidade não era suficiente para ser diferente.
Então, Laura se envolveu com um professor. Era o mais carismático e interessante de todos, bem mais do que a matéria que lecionava. Começou com uma carona para casa, depois um jantar e finalmente estavam namorando. Todas as meninas da Universidade a invejaram por isto. Voltou a ser a menina popular dos tempos do colégio. Não andavam juntos na faculdade, mas todos conheciam bem o envolvimento de ambos. Davam muita ‘bandeira’ na aula, nos corredores e, até mesmo, na secretaria da faculdade. Laura não se importava, pelo contrário, fazia questão de todos saberem de seu romance. O burburinho era grande e isto a fazia ainda mais feliz de seu relacionamento.
Um fato, porém começou a fazer o ‘castelo’ desmoronar. Em uma festa da faculdade, o professor surgiu com uma mulher da idade dele. Era a sua esposa! Ela não sabia de nada. Ficou toda a festa a encarar o casal, que por muito pouco a esposa dele não percebeu. Ele interviu e colocou-a em seu lugar. Tinha dois filhos e não poderia ter o ‘luxo’ de sua esposa descobrir seu envolvimento com uma menina como Laura. Laura saiu chorando e sofrendo. Não era tão especial assim, como pensara.
Os dias passaram, mas o envolvimento entre ambos continuou. Todos a indagavam do porquê, mas ela dizia que ele a amava. Deixaria a esposa por ela. Uma menina ‘veterana’ lhe disse que fora a ‘Laura’ do ano passado e que os romances dele duravam exatamente o período de um ano. Nova turma, nova ‘garota favorita’... um novo amor. Laura lhe disse: “Não!” Com ela seria diferente. Ela era especial! Ela não era como todas as outras e provaria isto.
Parecia estar certa! O romance continuou com demonstrações explícitas de amor entre ambos. Agora não mais escondiam. Beijavam-se em sala de aula. Andavam agarrados no corredor. Ele dava presentes na frente de todos. Laura estava orgulhosa e feliz, pois provara a todos que era realmente especial... diferente de todas as anteriores... era melhor! Todos passaram a acreditar que ela estava certa.
Nas férias, viajaram juntos para o interior. Ele deu uma desculpa para a esposa e ficaram juntos toda uma semana. Na volta, Laura contou em detalhes sua aventura e como constituiriam vida juntos. Era uma questão de tempo! Tempo suficiente para ele poder se separar da esposa e ficar com a guarda dos filhos, pois ele amava muito os filhos e não conseguiria ficar longe deles. É claro, que esta afirmação tinha algo de muito errado, mas ninguém questionou. Muito menos ela!
No retorno às aulas, já não mais na mesma sala de aula. O romance começou a esfriar. Ela o procurava, mas este não mais mantinha o desejo ‘caliente’ de antes. Ficara avesso as demonstrações explícitas de afeto e pouco se viam. Como somos cruéis, começamos a cobrá-la: E a vida juntos que constituiriam? Atônita, passou a seguí-lo e descobriu a verdade ‘nua e crua’. Estava saindo com uma nova menina! Era da turma de calouros. Era a nova ‘Laura’. Confrontou-o, novamente, e disse que tinham algo especial... diferente. A resposta foi simples e direta: “Você não é especial e nem diferente de todas as outras que já tive!”.


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