O videocassete foi popularizado no início da década de 80, mas começou a chegar no morro na segunda metade daquela década. Era uma maravilha para os olhos e para os hábitos. Ele acabou gerando inúmeras mudanças de comportamento nas pessoas. Tanto para o bem, quanto para o mal.
Um exemplo de mudança para o mal acabou ocorrendo com duas meninas em que sua família vinha conseguindo ascender financeiramente, seus nomes eram: Cirlene e Creuza. Eram primas e moravam em casas vizinhas, construídas no mesmo terreno. Cirlene vivia com a mãe e o padrasto, pois seu pai desaparecera há muito tempo atrás, um pouco depois de seu nascimento. Creuza vivia com seus pais, mas sua mãe já começava a mostrar sinais de distúrbio mental, que acabavam por inquietar a menina que chegava aos 11 anos de idade e não podia entender o comportamento errático de sua mãe. Cirlene sofria com os problemas com as acusações que faziam a sua mãe, devido ao seu comportamento liberal em relação a seus parceiros, que não foram poucos até parar a fila no atual padrasto.
Este padrasto, que era o responsável pelas melhorias na renda familiar, foi quem comprou o videocassete. Com ele, vieram fitas de filmes de sucesso, desenhos animados e até alguns documentários, logo devolvidos para a locadora, devido a algum engano do atendente. Até aí, nada demais! O problema foi quando começaram a sair as fitas a respeito de sexo. No início eram apenas de filmes sensuais, bem parecidas com as nossas pornochanchadas. Logo depois, começaram a sair no mercado as fitas vindas de países escandinavos e europeus, que radicalizavam bastante o conceito. Elas chamaram a atenção aos pais de Cirlene, os tornando consumidores assíduos das mesmas. Toda semana, o padrasto dela alugava pelo menos duas fitas par assistir no quarto com sua esposa... e treinar para serem novos astros das telas do cinema... é claro, na privacidade de sua cama.
Em um primeiro momento, ambos tinham um cuidado até psicótico para as meninas não as verem e nem saberem de sua existência. O passar do tempo os deixou descuidados. Convidaram alguns casais amigos para assistir e realizavam reuniões para ‘curtirem’ em grupo a novidade. O movimento aumentou dentro da asa nos finais de semana e chamou a atenção de todos: da filha e dos vizinhos ‘abelhudos’. Os comentários rodavam solto por toda a Rua Central e a pergunta principal era: o que aquela gente toda fazia lá dentro nos finais de semana à noite? Ninguém tinha uma resposta positiva, mas as especulações eram as mais alucinadas possíveis. De seita satânica a orgias, o que chegava próximo do intento deles.
Se os adultos já especulavam, pense o que a imaginação infantil poderia fazer. As histórias entre as crianças eram muito mais criativas e interessantes. Até de Ets chegaram a acusar os visitantes. É claro, que Cirlene e Creuza passaram a ser o centro das atenções, pois moravam dentro da casa e poderiam descobrir o que acontecia de verdade lá. As duas forma seguidamente interrogadas por todas as crianças da vizinhança a respeito das reuniões de seus pais, mas nada sabiam, pois sempre eram mandadas para cama quando os visitantes chegavam.
Criaram estratagemas para burlar a segurança restritiva dos pais de Cirlene para descobrirem os atos praticados naquelas estranhas reuniões de fim de semana. Mas tudo que foi tentado não deu em nada. Foram semanas de tentativa e especulação, onde a fantasia viajou por todos os caminhos sonhados por uma criança. Era a brincadeira predileta de todas elas: descobrir a verdade por trás dos encontros na casa de Cirlene.
Então, por puro acaso, Creuza voltou do colégio mais cedo em uma segunda feira e encontrou uma fita de vídeo escondida ao lado da televisão. Pegou a fita e abriu sua caixa. Na etiqueta o título era: penetrações Profundas. Ela nunca ouvira falar daquele filme. Esperou Cirlene chegar e ambas, curiosas, assistiram a fita, pouco entendendo do que se tratava. Quem matou a charada foi Cirlene: era um filme sobre sexo. As duas assistiram ao filme diversas vezes e esconderam a fita para assistir depois.
Quando foram para a rua, contaram aos outros o que tinham assistido. Acabaram todos indo à casa de Cirlene e assistiram à fita, sem entender bem o que ocorria na tela da televisão. Os meninos arrotavam sua sabedoria, dizendo já terem feito e até de forma melhor do que aqueles atores. Alguns ficaram excitados e a sessão foi repetida várias vezes na semana, até a mãe de Cirlene encontrar a fita e devolve-la para a locadora.
Era o primeiro passo, a madeira havia sido jogada nas chamas e começara a arder. Eles agora sabiam o que os casais vinham fazer na casa: sexo. Algum espertinho sugeriu, já que nossos pais o fazem, por quê não podemos fazer? Os garotos todos gritaram que deviam, mas Cirlene e Creuza eram as únicas meninas do grupo e não gostaram muito da idéia, até porquê muito daquelas mulheres gritavam na tela e só podia ser porquê aquilo doía. Os garotos argumentaram até que as duas concordaram. O grupo foi formado, um local escolhido e o dia combinado.
As reuniões infantis começaram! Copiavam as ações dos filmes, suas poses e suas palavras como cópias xerox, na maioria das vezes... não funcionava. Os garotos não sabiam o que fazer e nem como realizar o ato, as meninas acabaram dominando as ações e davam as ordens, pois foram elas que assistiram mais vezes as fitas. Elas se punham em posição e mandavam o garoto fazer da maneira que tinham visto na televisão. Aquilo perdurou por semanas, até que o local foi descoberto e todos foram apanhados em pleno ato. Os pais ficaram horrorizados com tudo aquilo, mas ficou pior quando as meninas contaram como tudo começara. Havia uma mistura de vergonha e culpa. As reuniões dos amigos de fim de semana... terminaram. Infelizmente, os pais de Cirlene e Creuza, ao invés de tentar ajudar as meninas a compreender o que acontecera, simplesmente, fizeram tudo para jogar a história para debaixo do tapete. Nada mais fora dito sobre aquele infeliz acontecimento. As meninas acabaram carregando um estigma para sua vida adulta, que atrapalhou todo seu desenvolvimento pessoal. Superaram o tabu da pior forma possível, como nada sabiam, tentaram em vão buscar a informação nas fontes disponíveis. Amigas que sabiam menos que elas, garotos que desejavam uma boa penetração e pessoas que ao ouvir falar na palavra sexo ficavam horrorizadas e fugiam do assunto. Tiveram inúmeros parceiros e nunca conseguiram se sentir felizes com sua sexualidade.
06 abril 2007
Boogie Woogie - Tabus & Segredos
Favelas tem um problema comum a todos os estratos da sociedade: como criar seus filhos em uma época de alta competitividade e pouco tempo para família. O conto abaixo toca levemente neste assunto, fiquem com: Tabus & Segredos.
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