12 maio 2007

Mulheres que Amo - Filha Pródiga

As relações pessoais é um assunto difícil de tratar. Todos temos opiniões e nenhuma delas pode alcançar a verdade. Entre mulheres, este assunto é bem mais difícil de tratar, pois temos uma inversão no comportamento entre elas de 360º graus. É do que trata o conto de hoje.

Nelma e sua mão, Otília, eram extremamente unidas. Estavam juntas em todas as ocasiões: compras, decoração, viagens, exposições e em tudo que ocorria na vida de uma ou da outra. Eram o apoio e o suporte, a confidente e a melhor amiga... sempre. Tudo era feito em comum acordo entre elas, o pai ficava com ciúmes, pois tomavam as decisões da casa sem sua aquiescência. A casa em que viviam, eram um trabalho a quatro mãos.
Seu Antenor, o pai, sentia um enorme da filha mais velha e de sua ligação completa com a mãe, o entendimento entre ambas e a harmonia que propiciavam a todos que moravam ali. Era amostra mais contundente do amor regendo a vida de uma família.
Nelma conheceu o Tenente Jarbas em um baile de cadetes do Exército. Ficaram apaixonadas na primeira noite. Jarbas não demorou a ir na casa dos pais dela para pedir permissão para o namoro já iniciado. Os pais ficaram orgulhosos, sua filha estava crescendo e se tornando uma mulher. Rapaz correto, boa família, emprego garantido, boa renda, as família eram bem relacionadas e o amor impregnava aquela relação. Ficaram, rapidamente, noivos.
Nada pode ser perfeito, somos humanos, portanto o noivado acabou ficando cada vez mais extenso. Quase quatro anos antes que os noivos pudessem comprar um pequeno apartamento e mais alguns anos para terminarem com o enxoval da nova casa. Houveram atritos, mas nada que não pudessem superar juntos e o amor triunfar.
Chegou o grande dia... o dia do casamento! Antenor fez dívidas para proporcionar a filha uma festa inesquecível. Fotos, filmes, bufê, vestido branco e arroz de festa. Tudo que ela merecia e muito mais. Foi uma festa ‘regada’ e ‘varou’ a noite inteira. Música, muita comida, muita bebida e toda a vizinhança comparecendo. A família feliz e a vida... maravilhosa. É claro, que nada é perfeito, houveram vários convidados a fazerem alguns comentários maldosos e bem ácidos, mas nada que comprometesse o brilho da belíssima festa de casamento de Nelma. À meia-noite, os noivos se despediram e seguiram para a merecida lua-de-mel.
Semanas depois, ainda a festa sendo o alvo de todo tipo de comentário, Nelma surgiu na porta de casa de ‘mala e cuia’. A única coisa que disse foi: “Meu casamento acabou!” A família inteira ficou atônita! A menos de duas semanas atrás ela ligava par fazer elogios ao noivo e a lua-de-mel, agora entrava intempestivamente porta adentro e depositava tudo no seu antigo quarto, que o pai nem teve tempo de preparar para ser um novo escritório para ele. Nelma não deu nenhuma explicação nos seus primeiros dias de retorno ao antigo lar. Foi abrindo-se aos poucos. O pai foi compreensivo e a apoiou, mas a mãe não teve o mesmo comportamento. Mal se falavam e a mãe parecia suspeitar que era culpa da filha o fim de um casamento tão lindo. Pior, como algo poderia acabar se havia apenas começado!
Harmonia de antes foi substituída por brigas e discussões por qualquer bobagem. Um pano de prato molhado em cima da pia era motivo suficiente para torturarem Antenor com as brigas, já que não dirigiam a palavra uma à outra. Ele era o mensageiro das ‘boas novas’. Sobrava ‘bala perdida’ para todos, inclusive vizinhos e visitas. Era uma guerra declarada.
Cobrança era a palavra que Antenor passou a ouvir com freqüência cada vez maior em seu lar. Hora era a filha que o cobrava de uma atitude em relação ao comportamento da mãe para com ela. Em outro momento, era a mãe que o cobrava de uma atitude firme para com a filha... procurar um emprego... dar um rumo em sua vida... principalmente, se mudar dali. A mãe sugeriu que ele fosse ter uma ‘conversinha’ com o relutante genro e descobrir os verdadeiros motivos daquele falso casamento.
Antenor e todo mundo não conseguiam compreender o motivo daquele repentino ódio entre elas. Qual a atitude a ser tomada? Não falavam uma com a outra e não aceitavam nenhum tipo de argumentação lógica para as brigas. Eram apenas gritos e imprecações diversas. Encontra-las juntas... era uma raridade! Até o dia do casamento, ambas viviam uma mor alucinante e excludente em relação a todos. Agora, tinham um ódio ‘mortal’ e eram ‘includentes’ em relação as suas batalhas.
A solução surgiu com Nelma, ficou mais independente... arrumou um emprego... e começou a ficar o mínimo de tempo necessário dentro de casa. No final de semana sempre tinha algo para fazer e algum lugar para ir. Não voltou para o ex-marido. Deu entrada no pedido de separação legal e realizou tudo sozinha sem pedir ajuda de ninguém. Assim, o relacionamento de mãe e filha foi melhorando, apesar de Nelma agora não ter mais ‘voz ativa’ dentro de seu antigo lar. Ela morava lá, mas não vivia!Para felicidade geral da nação, Nelma arrumou um novo namorado. Desta vez, o casamento não demorou nem seis meses. Sem festa e sem badalação! Poucos convidados e uma cerimônia civil bem simples e rápida. No dia do casamento, mãe e filha estavam novamente iguais aos dias de ouro da família. Organizaram tudo juntas e decidiram tudo em conjunto. Conversaram intensamente, como a compensar o período de brigas e discussões. O pai entendia cada vez menos, mas voltou a ser feliz. Olhou a filha a sair pela porta da frente novamente, e sinceramente, desejou que desta vez fosse para sempre.

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