13 outubro 2007

Mulheres que Amo - Jornada Amorosa

Enquanto os homens tem suas aventuras concretizadas em desafios, as mulheres tem suas aventuras concretizadas em grandes amores. A incompreensão masculina a este fato é exemplificado no texto abaixo:

A busca do amor é uma jornada espiritual essencialmente feminina. É um ato impulsivo e compulsivo, incompreensível para o gênero masculino. Um ato transformador da superfície física de seu hospedeiro, que não permite uma introspecção maior de seu empreendedor. Para tentar deixar tudo mais claro, vamos examinar a jornada pessoal de Cecília, uma menina que estudou comigo no ginásio.
Ela era uma menina comum, sem muito brilho e que não chamava muito a atenção de ninguém. Não era a Senhora Popular, mas também não era nenhuma songa-monga. Mas com treze, já começaram a falar do sonho de consumo feminino: o casamento. Pintaram um quadro de um homem perfeito, em que a única qualidade necessária: é estar disposto a se casar. Este era o Mário! Um “carinha” perfeito para os planos de quem não queria arriscar muito: tranqüilo e sem ambições. Já estava muito agradecido por ter uma namorada e seguia para todos os lados com a cabeça inflada de orgulho por ter alguém segurando o seu braço.
Infelizmente para o Mário, existe uma coisinha chamada tempo. Junto com ela... a maturidade. A feminina chega mais rápido do que a masculina, por isso, Cecília evoluiu bem mais rápido que o pobre do Mário. Descobriu que poderia ser um bela mulher. Mudou o visual, atualizou seu ‘look’ e passou a ter uma atitude mais sexy. Rapidamente, descobriu novas amizades e novos objetivos, em que o Mário não se encaixa. A ‘pedra de cal’ derradeira, veio dos comentários das novas amigas ao conhece-lo: “Ele não serve para você! Você é muito melhor que ele!” O ‘pé na bunda’ foi só a conseqüência natural do ato de evoluir. A seqüência do ‘pé na bunda’ foi à substituição da imagem do ‘homem ideal’. Agora, era o homem másculo, latino e bronzeado... o “Ricky Martin”. Uma figura inatingível e extraterrestre, que algumas mulheres deliram de tê-lo avistado pelos lados de Varginha.
Esta mítica figura, materializou-se em carne e osso para Cecília, que o conheceu em um café no Centro. Apaixonaram-se loucamente, e tiveram um tórrido romance de duas semanas ‘calientes’. A brasa do fogo queimou tão rápido quanto acendeu e as coisas foram esfriando... esfriando... esfriando... até que o toque chegou a congelar. Mas, imagem é tudo! Cecília não poderia abrir mão de seu Adonis, por um pequeno detalhe como felicidade. Então seguiu com o romance, mesmo que muitas vezes gostaria de estar em qualquer outro lugar do que do lado daquela estátua grega bronzeada.
Por sorte ou por azar, não sei bem, o “Adonis” deixou a natureza comandar seus instintos e cometer o ato mais comum possível: trair. Arrumou uma bela loira de seios fartos e pouco cérebro, assim como ele, e deixou a ‘pobre’ Cecília ‘na pista’. Para sua (in)felicidade e cobrança de amigos e familiares. Todos a culpando por não saber: “Segurar o seu homem”.Ela não se importou e decidiu seguir em frente com sua vida e sua busca espiritual por um grande amor na forma quase humana de um homem.
Deixou a segurança e a paixão de lado e investiu na praticidade. Escolheu um homem mais velho, com sabedoria em forma de uma carteira recheada e vida estável. Desta feita, não deixou o tempo escorrer por seus dedos e colocou logo um anel em sua mão. Marcou a cerimônia, cheia de pompa & circunstância, como convêm a qualquer noiva, não importando a opinião do noivo. Cerimônia religiosa em uma Igreja centenária, mesmo que os dois só colocaram os pés em uma Igreja, anteriormente, quando ainda eram crianças com fraldas. E no mínimo 200 testemunhas de sua grande vitória, que deveriam venerar a sua passagem sobre pétalas de rosas brancas. Foi tudo perfeito!
Infelizmente, eu deveria acabar meu conto de fadas com... e eles foram felizes para sempre, mas, a vida sempre tem um mas, não é? Veio a Crise dos Três anos, depois a dos cinco anos, depois dos sete anos e depois... as crises eram tão constantes que nem dava para nomeá-las. Os problemas só amainaram, quando ficou grávida e teve seu quarto modelo de perfeição masculina, seu último objeto de amor em sua busca espiritual: seu filho. O nascimento de seu filho marcou o fim de seu casamento e o início de sua dedicação exclusiva para o rebento. Era uma dedicação total... uma entrega absoluta... finalmente, Cecília acreditou ter encontrado o verdadeiro amor. Ledo engano, ao seguir os passos de seu filho pelas fases de crescimento – dos primeiros passos pelo carpete da sala até a ‘pagação de mico’ da adolescência – Cecília, também, o perdeu. Agora, para uma ruiva sardenta de uns 16 anos de idade. Foi sua última decepção amorosa! Foi seu último ato de Dom Quixote! Foi seu último Moinho de Vento! Uma vida inteira de busca... uma vida inteira infrutífera. Será?

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