O Século XX foi marcado pela força do sincretismo religioso negro no Brasil. Umbanda e Candomblé ganharam força e respeito. O crescimento rápido e avassalador das seitas cristãs pentecoastais mudou radicalmente a importância das religiões negras no Brasil. Destruindo núcleos culturais e religiosos de origem africana no Brasil. Este é um pequeno exemplo disto.
Carlinhos foi o pivô de uma transição. Uma transição espiritual! Dentro do morro, a Igreja Católica, Paróquia de Nossa Senhora das Graças, sempre reinou absoluta sobre as almas dos moradores. Todos rendiam suas homenagens e respeitos a Mãe Igreja, mas respeitavam, também, um outro guardião espiritual: a umbanda. O terreiro de Dona Castorina sempre foi um dos mais importantes de toda a Ilha do Governador. Sua dona e líder era uma das mulheres mais conceituadas e consultadas do bairro. Tinha uma história rica e próspera. Infelizmente, sua dinastia não seguiria seus passos.
Dona Castorina teve um casa, uma menina e um menino. A filha se afastou o máximo possível de tudo que estivesse ligado a umbanda ou qualquer coisa ligada ao mundo espiritual, poderíamos dizer até que ela era uma pessoa sem fé. O filho, apesar de manter sua ligação próxima com Dona Castorina, nunca demonstrou o menor interesse em seguir os passos da mãe. Não tinha talento e nem capacidade para agir como um líder, de que tipo fosse. A esperança de Dona Castorina, sempre, esteve nas mãos do neto, Carlinhos. Além do imenso interesse pela umbanda, demonstrava uma enorme aptidão religiosa e uma força de liderança para o culto, que todos respeitavam. Isto desde muito pequeno. O único porém, era que sua mãe era evangélica e buscava resgatar o filho da fé pagã da avó. A queda de braço pela alma do menino faria grandes estragos em um futuro próximo.
A mãe de Carlinhos adoeceu e o problema era muito sério. Foi a vários médicos, mas não conseguia uma palavra de esperança. Dentro da própria fé, não conseguia a ajuda que imaginava. Estava fadada a morrer jovem. Foi quando o filho convenceu a mãe a procurar a avó e ir até o terreiro de umbanda. Carlinhos estava acostumado a ver inúmeras curas "milagrosas" sendo realizadas no terreiro, durante as sessões. tinha certeza absoluta que sua avó poderia curar a sua mãe. Insistiu com ambas até convencê-las. A reunião foi dura e cheia de mágoas, pois Dona Castorina nunca apoiou o casamento do filho e nem a nora aceitava os afazeres da sogra. "Ela é filha de Satã!" sempre afirmava. O pai de Carlinhos nunca se importou, até porque dependia da mãe para quase tudo. Passava muito tempo desempregado e vivia em um terreno cedido pelo terreiro de sua mãe. A proximidade sempre fora uma tortura para a esposa, que fazia tudo para irem morar bem longe dali. Agora, as duas mulheres, de mundos distintos, teriam de ficar unidas pelo bem do ente mais querido de ambas.
A mãe de Carlinhos começou a ir no terreiro de Dona Castorina. Parou de frequentar sua igreja, foi repreendida pelo pastor, que a amaldiçoou pelo que estava fazendo. A tristeza de trair sua própria fé pelo filho que amava, a fez adoecer ainda mais. A cada ida ao terreiro de umbanda, ela parecia piorar ainda mais. Carlinhos começou a cobrar da avó, a piora da mãe. Não entendendo o porque de tantos que se curavam no terreiro, sua mãe, pelo contrário, só fazia piorar. Quando ela caiu de cama, Carlinhos foi até o terreiro e brigou feio com a avó, forçando-a ir até a casa deles para fazer algo. Dona Castorina concordou, mas o problema só fez aumentar ainda mais. Ao chegar na casa, a mãe de Carlinhos começou a delirar e a gritar: "Vade retro, Satanás!" Não aceitou de forma nenhuma que Dona Castorina entrasse no quarto e gritou desesperadamente que tudo era culpa do maldito terreiro, antro do demônio que conspurcara a sua alma e a sua família. O pastor incentivou ainda mais a contenda entre as duas mulheres e o garoto ficou dividido entre o respeito pela avó e o amor por sua mãe.
A morte de sua mãe, deteriorou de vez suas relações com a avó. Obrigou o pai a vender a casa e saírem do terreno que pertencia ao "demônio", sua avó. Entrou de cabeça na religião de sua mãe e com a força que era característica de sua pessoa. Começou a,liderar um movimento contra o terreiro. Faziam passeatas na frente do terreiro, rezavam aos altos brados e jogavam pedras no terreiro. Ficou impossível realizar as sessões de umbanda lá.
Um dia, Dona Castorina resolveu sair para conversar com o neto e tentar convencê-lo que não tinha culpa no que acontecera com a sua mãe, pois ela não tinha fé suficiente para se curar. Aquilo irritou ainda mais o garoto, que agrediu a sua avó e liderou o grupo a invadir e depredar o terreiro vazio. Após a destruição do interior, o neto não satisfeito pôs fogo no terreiro, sob os olhos desesperados de uma avó desconsolada e infeliz. A vida estava indo embora de seu corpo. Ela desfaleceu e foi levada urgentemente para o pronto-socorro. Ela nunca mais seria a mesma.
A filha de Dona Castorina foi para casa da mãe para cuidar dela, após a alta no hospital, mas pouco conseguia fazer quanto ao desgosto que aquela senhora tão pequena e tão forte carregava em seu peito. Toda a sua vida fora levada dela nas chamas daquela noite. Uma noite, em que seu neto fora tomado por qualquer força espiritual, menos o amor de Cristo. Apesar de tudo que acontecera, Carlinhos não parou de fustigar a sua avó. Continuava o movimento contra a líder da umbanda do morro. O objetivo agora era a sua expulsão. Brigou com a tia, brigou com o pai e com toda a família, apesar de ninguém ter dado queixa do vandalismo e da agressão que ele cometeu com a avó.
Carlinhos somente ficou satisfeito com a morte de sua avó. Não foi ao enterro e nem deu condolência a nenhum membro da família. Se afastou de todos e criou sua própria igreja, na mesma rua onde existira o terreiro de sua avó. No centro da igreja colocou uma imagem de sua mãe entronizada e iniciou a sua pregação do amor divino.
Carlinhos foi o pivô de uma transição. Uma transição espiritual! Dentro do morro, a Igreja Católica, Paróquia de Nossa Senhora das Graças, sempre reinou absoluta sobre as almas dos moradores. Todos rendiam suas homenagens e respeitos a Mãe Igreja, mas respeitavam, também, um outro guardião espiritual: a umbanda. O terreiro de Dona Castorina sempre foi um dos mais importantes de toda a Ilha do Governador. Sua dona e líder era uma das mulheres mais conceituadas e consultadas do bairro. Tinha uma história rica e próspera. Infelizmente, sua dinastia não seguiria seus passos.
Dona Castorina teve um casa, uma menina e um menino. A filha se afastou o máximo possível de tudo que estivesse ligado a umbanda ou qualquer coisa ligada ao mundo espiritual, poderíamos dizer até que ela era uma pessoa sem fé. O filho, apesar de manter sua ligação próxima com Dona Castorina, nunca demonstrou o menor interesse em seguir os passos da mãe. Não tinha talento e nem capacidade para agir como um líder, de que tipo fosse. A esperança de Dona Castorina, sempre, esteve nas mãos do neto, Carlinhos. Além do imenso interesse pela umbanda, demonstrava uma enorme aptidão religiosa e uma força de liderança para o culto, que todos respeitavam. Isto desde muito pequeno. O único porém, era que sua mãe era evangélica e buscava resgatar o filho da fé pagã da avó. A queda de braço pela alma do menino faria grandes estragos em um futuro próximo.
A mãe de Carlinhos adoeceu e o problema era muito sério. Foi a vários médicos, mas não conseguia uma palavra de esperança. Dentro da própria fé, não conseguia a ajuda que imaginava. Estava fadada a morrer jovem. Foi quando o filho convenceu a mãe a procurar a avó e ir até o terreiro de umbanda. Carlinhos estava acostumado a ver inúmeras curas "milagrosas" sendo realizadas no terreiro, durante as sessões. tinha certeza absoluta que sua avó poderia curar a sua mãe. Insistiu com ambas até convencê-las. A reunião foi dura e cheia de mágoas, pois Dona Castorina nunca apoiou o casamento do filho e nem a nora aceitava os afazeres da sogra. "Ela é filha de Satã!" sempre afirmava. O pai de Carlinhos nunca se importou, até porque dependia da mãe para quase tudo. Passava muito tempo desempregado e vivia em um terreno cedido pelo terreiro de sua mãe. A proximidade sempre fora uma tortura para a esposa, que fazia tudo para irem morar bem longe dali. Agora, as duas mulheres, de mundos distintos, teriam de ficar unidas pelo bem do ente mais querido de ambas.
A mãe de Carlinhos começou a ir no terreiro de Dona Castorina. Parou de frequentar sua igreja, foi repreendida pelo pastor, que a amaldiçoou pelo que estava fazendo. A tristeza de trair sua própria fé pelo filho que amava, a fez adoecer ainda mais. A cada ida ao terreiro de umbanda, ela parecia piorar ainda mais. Carlinhos começou a cobrar da avó, a piora da mãe. Não entendendo o porque de tantos que se curavam no terreiro, sua mãe, pelo contrário, só fazia piorar. Quando ela caiu de cama, Carlinhos foi até o terreiro e brigou feio com a avó, forçando-a ir até a casa deles para fazer algo. Dona Castorina concordou, mas o problema só fez aumentar ainda mais. Ao chegar na casa, a mãe de Carlinhos começou a delirar e a gritar: "Vade retro, Satanás!" Não aceitou de forma nenhuma que Dona Castorina entrasse no quarto e gritou desesperadamente que tudo era culpa do maldito terreiro, antro do demônio que conspurcara a sua alma e a sua família. O pastor incentivou ainda mais a contenda entre as duas mulheres e o garoto ficou dividido entre o respeito pela avó e o amor por sua mãe.
A morte de sua mãe, deteriorou de vez suas relações com a avó. Obrigou o pai a vender a casa e saírem do terreno que pertencia ao "demônio", sua avó. Entrou de cabeça na religião de sua mãe e com a força que era característica de sua pessoa. Começou a,liderar um movimento contra o terreiro. Faziam passeatas na frente do terreiro, rezavam aos altos brados e jogavam pedras no terreiro. Ficou impossível realizar as sessões de umbanda lá.
Um dia, Dona Castorina resolveu sair para conversar com o neto e tentar convencê-lo que não tinha culpa no que acontecera com a sua mãe, pois ela não tinha fé suficiente para se curar. Aquilo irritou ainda mais o garoto, que agrediu a sua avó e liderou o grupo a invadir e depredar o terreiro vazio. Após a destruição do interior, o neto não satisfeito pôs fogo no terreiro, sob os olhos desesperados de uma avó desconsolada e infeliz. A vida estava indo embora de seu corpo. Ela desfaleceu e foi levada urgentemente para o pronto-socorro. Ela nunca mais seria a mesma.
A filha de Dona Castorina foi para casa da mãe para cuidar dela, após a alta no hospital, mas pouco conseguia fazer quanto ao desgosto que aquela senhora tão pequena e tão forte carregava em seu peito. Toda a sua vida fora levada dela nas chamas daquela noite. Uma noite, em que seu neto fora tomado por qualquer força espiritual, menos o amor de Cristo. Apesar de tudo que acontecera, Carlinhos não parou de fustigar a sua avó. Continuava o movimento contra a líder da umbanda do morro. O objetivo agora era a sua expulsão. Brigou com a tia, brigou com o pai e com toda a família, apesar de ninguém ter dado queixa do vandalismo e da agressão que ele cometeu com a avó.
Carlinhos somente ficou satisfeito com a morte de sua avó. Não foi ao enterro e nem deu condolência a nenhum membro da família. Se afastou de todos e criou sua própria igreja, na mesma rua onde existira o terreiro de sua avó. No centro da igreja colocou uma imagem de sua mãe entronizada e iniciou a sua pregação do amor divino.
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