No caminho da compreensão do outro, sigo com um novo conto da série Mulheres que Amo, tentando entender a obsessão por padrões de beleza impossíveis de atingir, que na maioria das vezes não agrada aos seus supostos alvos: nós os homens.
No colégio, conheci uma menina lindíssima, seu nome era Margareth. Ela era deslumbrante, cabelos perfeitos, rosto perfeito, boca perfeita, cintura perfeita, quadril perfeito... em suma, tudo perfeito. Os garotos do colégio mal conseguiam tirar os olhos dela na aula, quantos de nós fomos repreendidos por não estarem concentrados na aula por sua culpa. Eu sonhava com ela quase todos os dias, não era paixão, mas adoração. Veja bem, eu não estava só neste novo culto.
Um dia, ela conheceu um cara novo no colégio, o João. Era o cara perfeito para a garota perfeita. Ele era invejado por todos nós, era bonito, rico e bom nos esportes. Não demorou para Margareth coloca-lo em sua mira e decidir que os dois seriam o casal 20 do colégio, para a inveja de todos. Passou um ano inteiro dando em cima dele, mas não parecia funcionar. O motivo era simples, João era gay. Não o sabia na época, iria se descobrir na universidade, mas na época os primeiros sinais já surgiam. Seu cuidado doentio com o cabelo e a seu egocentrismo exacerbado quase chegando a uma paranóia eram os primeiros indicativos. Mas ser gay naquela época necessitava de muita coragem, algo nada fácil de encontrar em João. Pensei na época, apenas para mim, que ele era gay, não pelos sinais, mas como aquele idiota não percebia a Deusa dando bola para ele.
Mas não resistiu, seja pela insistência dela ou pela fofoca que estava rolando sobre sua sexualidade, acabaram iniciando um romance no final do ano. Era um relacionamento estranho. Ela o mostrava para todos, principalmente, todas as amigas. Enquanto ele ficava amuado, quieto e pensativo ao lado dela. Ela estava sempre radiante e ele parecia estar com dor de barriga. Na festa de final de ano do colégio, o único momento em que sorriu foi quando estava conversando conosco longe dela. Não durou, é claro, pois ela veio busca-lo para cumprirem todas as formalidades do baile. Seu desejo máximo era exibi-lo para as amigas. Era seu troféu.
As férias começaram e não os vi mais. Até às vésperas do carnaval, quando encontrei João. Contei-lhe estar organizando uma viagem para o carnaval e muito dos garotos do colégio iriam. Entusiasmado, afirmou categoricamente que iria conosco. Quase perguntei o que faria com Margareth, mas achei que era fogo de palha e logo ele esqueceria.
Dia da partida, João aparece de mala e cuia na rodoviária no nosso ponto de encontro. Não acreditei, pior de tudo... estava sozinho. Sem Margareth. Ninguém conseguiu dizer bom dia para ele, Eduardo fuzilou com a pergunta que todos queriam fazer: “Onde estava a Margareth?” Friamente, afirmou que não estavam mais juntos e foi só. Fomos para a praia e passamos duas semanas lá. Voltamos na véspera do reinício das aulas.
Coincidência ou não, o primeiro rosto, e que rosto, que vi foi de Margareth. Estava inconsolável e parecia ter chorado muito. As amigas passaram por mim como se eu não existisse e apoiaram. Soube depois que ela havia entrado em depressão pelo fim do namoro e levou quase quatro meses para se recuperar do trauma.
No segundo semestre, fui para no grupo de estudos dela. Era um trabalho de história e, até hoje, não sei o motivo que fui parar junto com elas. Eram somente mulheres no grupo, é claro, eu sendo a exceção, deixemos isto bem claro. Para mim parecia ter ido para o paraíso, descobri rapidamente que estava mais para o inferno. Não importa quão bonitas são... elas serão sempre mulheres. Era como se eu não estivesse ali, caso eu decidisse faltar a uma reunião, acredito que nem lembrariam que eu devia estar ali. Mas fui levando, metendo a cara no trabalho. Em um certo dia, Margareth me chamou no canto e perguntou na lata se ela era feia. Eu não podia acreditar naquilo, fiz mil elogios e a chamei de Deusa, mas acho que minha opinião não tinha um grande valor, pois ao invés de ficar feliz, ficou ainda mais amuada e soturna.
Na reunião seguinte, novamente, me chamou em um canto. Fui alegre e feliz, crente que iria me dar bem com ela. Ledo engano! Ela insistia em saber o que havia de errado com ela. Perguntava se João havia comentado algo comigo, apesar dele ser um grande amigo nada disse e nem me interessei em perguntar. Mas ela insistiu tanto em saber, que lhe falei que seu nariz era um pouco achatado. Qual nada! Disse aquilo apenas para ela parar de encher minha paciência.
Sei que, meses depois, ela não apareceu por duas semanas no colégio. Pensei que estaria doente, pensei até mesmo em lhe ligar para saber seu estado. Acabei descobrindo que não tinha nada físico, apenas mental. Havia feito uma operação plástica no nariz! Entrou triunfante no colégio exibindo seu novo e arrebitado nariz no colégio. Sua primeira providência, foi procurar João. O efeito... nulo, totalmente. Acho que ele estava ficando cada vez mais gay.
Houve uma festa na casa dela, dada na esperança de encontra-lo por lá, mas... Na festa, o assunto era um só: João e sua indiferença para com Margareth. Resolvi aventar a possibilidade dele ser gay, mas quase apanhei. Fui chamado de invejoso e acusado de acreditar que qualquer homem bonito era gay. Não era bem verdade, não acreditava que todos fossem, mas uma grande maioria... tinha certeza absoluta que sim. Já estava sendo expulso da festa pelas meninas, quando encontrei com Margareth chorando. Novamente, me perguntou o que havia de errado com ela. Nada era a minha única e possível resposta. Mas já havia aprendido, para algumas mulheres, principalmente as bonitas, a minha opinião e nada eram a mesma coisa.
Fui para faculdade e a encontrei nos corredores da faculdade de direito. Me contou: estava fazendo ginástica, dieta, indo ao cabelereiro, manicure, pedicure e toda cure que existisse e a ajudasse a ficar mais bonita. Pensei em lhe dizer que nada disso era necessário, mas já havia aprendido a ficar de boca fechada.
Um dia a encontrei em uma festa do pessoal da engenharia, estava com a minha namorada da época. Quando ela me cumprimentou, quase tive o braço arrancado pela minha namorada. Ficamos conversando longamente e o assunto... eu dou um doce para quem adivinhar, a beleza ou não dela. Dizia não ter namorado. Ninguém que se interessasse por ela e era feia. Indagou o porquê de nunca ter tentado nada com ela, já que era tão bonita. O motivo era esse mesmo... era muita areia para meu pobre caminhão carregar. Não acreditou, é claro. Apontou minha namorada e comparou as duas, no final indagou com qual das duas eu ficaria se tivesse escolha. Já estava pronto para ganhar uns pontinhos com ela, mas minha namorada voltou e tive que mentir. Fiz um elogio a esbelta forma de minha namorada e a comparei com uma modelo de passarela, pois não sou louco. Ela foi embora mais chateada ainda.
Meses depois soube por uma amiga comum, que ela havia feito lipoaspiração e feito uma operação para diminuir os quadris. Estava em uma dieta rigorosa para perder o peso. Chegou a ter apenas 45 Kg, o que era um absurdo. Mesmo assim, não ficava satisfeita. Cismou que havia rugas em seu rosto e passou a fazer plástica na face. Mudava o cabelo todos os meses e experimentava cada novo cosmético que surgia. A busca pela beleza perfeita virou seu mantra. Estava obcecada.
Ouvi muita coisa a respeito das loucuras que fez por isto. Teve um namorado médico que enlouqueceu com suas manias e psicoses sobre sua beleza. Nem suas amigas mais próximas a suportava mais. Mas nada disto a demovia da vontade de ficar linda. As tentativas não cessavam.
Abandonou carreira e a própria vida em função desta paranóia. Ninguém a convencia do contrário. No dia do casamento de um amigo comum, ela apareceu. Confesso a todos, nunca pensei que monstros existissem, mas encontrei pela primeira vez um Frankenstein em minha vida. Era até difícil definir se ela era feia ou estranha, sei que aquela belíssima menina da infância havia sumido, não pela ação do tempo, mas por suas próprias mãos. Assim mesmo, a única coisa que a preocupava e se era ou não bonita. Ninguém mais dizia a verdade para ela. Foi nesta mesma festa que vi João com seu marido, um cara tão bonito quanto ele, pensei em leva-la até ele, mas o que adiantaria. Ela poderia cometer suicido ao descobrir que destruiu sua vida por alguém que não valia a pena.
No colégio, conheci uma menina lindíssima, seu nome era Margareth. Ela era deslumbrante, cabelos perfeitos, rosto perfeito, boca perfeita, cintura perfeita, quadril perfeito... em suma, tudo perfeito. Os garotos do colégio mal conseguiam tirar os olhos dela na aula, quantos de nós fomos repreendidos por não estarem concentrados na aula por sua culpa. Eu sonhava com ela quase todos os dias, não era paixão, mas adoração. Veja bem, eu não estava só neste novo culto.
Um dia, ela conheceu um cara novo no colégio, o João. Era o cara perfeito para a garota perfeita. Ele era invejado por todos nós, era bonito, rico e bom nos esportes. Não demorou para Margareth coloca-lo em sua mira e decidir que os dois seriam o casal 20 do colégio, para a inveja de todos. Passou um ano inteiro dando em cima dele, mas não parecia funcionar. O motivo era simples, João era gay. Não o sabia na época, iria se descobrir na universidade, mas na época os primeiros sinais já surgiam. Seu cuidado doentio com o cabelo e a seu egocentrismo exacerbado quase chegando a uma paranóia eram os primeiros indicativos. Mas ser gay naquela época necessitava de muita coragem, algo nada fácil de encontrar em João. Pensei na época, apenas para mim, que ele era gay, não pelos sinais, mas como aquele idiota não percebia a Deusa dando bola para ele.
Mas não resistiu, seja pela insistência dela ou pela fofoca que estava rolando sobre sua sexualidade, acabaram iniciando um romance no final do ano. Era um relacionamento estranho. Ela o mostrava para todos, principalmente, todas as amigas. Enquanto ele ficava amuado, quieto e pensativo ao lado dela. Ela estava sempre radiante e ele parecia estar com dor de barriga. Na festa de final de ano do colégio, o único momento em que sorriu foi quando estava conversando conosco longe dela. Não durou, é claro, pois ela veio busca-lo para cumprirem todas as formalidades do baile. Seu desejo máximo era exibi-lo para as amigas. Era seu troféu.
As férias começaram e não os vi mais. Até às vésperas do carnaval, quando encontrei João. Contei-lhe estar organizando uma viagem para o carnaval e muito dos garotos do colégio iriam. Entusiasmado, afirmou categoricamente que iria conosco. Quase perguntei o que faria com Margareth, mas achei que era fogo de palha e logo ele esqueceria.
Dia da partida, João aparece de mala e cuia na rodoviária no nosso ponto de encontro. Não acreditei, pior de tudo... estava sozinho. Sem Margareth. Ninguém conseguiu dizer bom dia para ele, Eduardo fuzilou com a pergunta que todos queriam fazer: “Onde estava a Margareth?” Friamente, afirmou que não estavam mais juntos e foi só. Fomos para a praia e passamos duas semanas lá. Voltamos na véspera do reinício das aulas.
Coincidência ou não, o primeiro rosto, e que rosto, que vi foi de Margareth. Estava inconsolável e parecia ter chorado muito. As amigas passaram por mim como se eu não existisse e apoiaram. Soube depois que ela havia entrado em depressão pelo fim do namoro e levou quase quatro meses para se recuperar do trauma.
No segundo semestre, fui para no grupo de estudos dela. Era um trabalho de história e, até hoje, não sei o motivo que fui parar junto com elas. Eram somente mulheres no grupo, é claro, eu sendo a exceção, deixemos isto bem claro. Para mim parecia ter ido para o paraíso, descobri rapidamente que estava mais para o inferno. Não importa quão bonitas são... elas serão sempre mulheres. Era como se eu não estivesse ali, caso eu decidisse faltar a uma reunião, acredito que nem lembrariam que eu devia estar ali. Mas fui levando, metendo a cara no trabalho. Em um certo dia, Margareth me chamou no canto e perguntou na lata se ela era feia. Eu não podia acreditar naquilo, fiz mil elogios e a chamei de Deusa, mas acho que minha opinião não tinha um grande valor, pois ao invés de ficar feliz, ficou ainda mais amuada e soturna.
Na reunião seguinte, novamente, me chamou em um canto. Fui alegre e feliz, crente que iria me dar bem com ela. Ledo engano! Ela insistia em saber o que havia de errado com ela. Perguntava se João havia comentado algo comigo, apesar dele ser um grande amigo nada disse e nem me interessei em perguntar. Mas ela insistiu tanto em saber, que lhe falei que seu nariz era um pouco achatado. Qual nada! Disse aquilo apenas para ela parar de encher minha paciência.
Sei que, meses depois, ela não apareceu por duas semanas no colégio. Pensei que estaria doente, pensei até mesmo em lhe ligar para saber seu estado. Acabei descobrindo que não tinha nada físico, apenas mental. Havia feito uma operação plástica no nariz! Entrou triunfante no colégio exibindo seu novo e arrebitado nariz no colégio. Sua primeira providência, foi procurar João. O efeito... nulo, totalmente. Acho que ele estava ficando cada vez mais gay.
Houve uma festa na casa dela, dada na esperança de encontra-lo por lá, mas... Na festa, o assunto era um só: João e sua indiferença para com Margareth. Resolvi aventar a possibilidade dele ser gay, mas quase apanhei. Fui chamado de invejoso e acusado de acreditar que qualquer homem bonito era gay. Não era bem verdade, não acreditava que todos fossem, mas uma grande maioria... tinha certeza absoluta que sim. Já estava sendo expulso da festa pelas meninas, quando encontrei com Margareth chorando. Novamente, me perguntou o que havia de errado com ela. Nada era a minha única e possível resposta. Mas já havia aprendido, para algumas mulheres, principalmente as bonitas, a minha opinião e nada eram a mesma coisa.
Fui para faculdade e a encontrei nos corredores da faculdade de direito. Me contou: estava fazendo ginástica, dieta, indo ao cabelereiro, manicure, pedicure e toda cure que existisse e a ajudasse a ficar mais bonita. Pensei em lhe dizer que nada disso era necessário, mas já havia aprendido a ficar de boca fechada.
Um dia a encontrei em uma festa do pessoal da engenharia, estava com a minha namorada da época. Quando ela me cumprimentou, quase tive o braço arrancado pela minha namorada. Ficamos conversando longamente e o assunto... eu dou um doce para quem adivinhar, a beleza ou não dela. Dizia não ter namorado. Ninguém que se interessasse por ela e era feia. Indagou o porquê de nunca ter tentado nada com ela, já que era tão bonita. O motivo era esse mesmo... era muita areia para meu pobre caminhão carregar. Não acreditou, é claro. Apontou minha namorada e comparou as duas, no final indagou com qual das duas eu ficaria se tivesse escolha. Já estava pronto para ganhar uns pontinhos com ela, mas minha namorada voltou e tive que mentir. Fiz um elogio a esbelta forma de minha namorada e a comparei com uma modelo de passarela, pois não sou louco. Ela foi embora mais chateada ainda.
Meses depois soube por uma amiga comum, que ela havia feito lipoaspiração e feito uma operação para diminuir os quadris. Estava em uma dieta rigorosa para perder o peso. Chegou a ter apenas 45 Kg, o que era um absurdo. Mesmo assim, não ficava satisfeita. Cismou que havia rugas em seu rosto e passou a fazer plástica na face. Mudava o cabelo todos os meses e experimentava cada novo cosmético que surgia. A busca pela beleza perfeita virou seu mantra. Estava obcecada.
Ouvi muita coisa a respeito das loucuras que fez por isto. Teve um namorado médico que enlouqueceu com suas manias e psicoses sobre sua beleza. Nem suas amigas mais próximas a suportava mais. Mas nada disto a demovia da vontade de ficar linda. As tentativas não cessavam.
Abandonou carreira e a própria vida em função desta paranóia. Ninguém a convencia do contrário. No dia do casamento de um amigo comum, ela apareceu. Confesso a todos, nunca pensei que monstros existissem, mas encontrei pela primeira vez um Frankenstein em minha vida. Era até difícil definir se ela era feia ou estranha, sei que aquela belíssima menina da infância havia sumido, não pela ação do tempo, mas por suas próprias mãos. Assim mesmo, a única coisa que a preocupava e se era ou não bonita. Ninguém mais dizia a verdade para ela. Foi nesta mesma festa que vi João com seu marido, um cara tão bonito quanto ele, pensei em leva-la até ele, mas o que adiantaria. Ela poderia cometer suicido ao descobrir que destruiu sua vida por alguém que não valia a pena.
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