Esta é uma poesia do colaborador Maurício Granzinolli, que estará colocando a cada semana um novo texto conosco, espero que gostem.
GARRAFAS AO MAR
Sigo rente ao horizonte,
No limite do nada ao infinito.
Quebro-me em pedras
Atirado por um mar
Que de mim não gosta
Resvalo em ondas
Que se enfurecem com a minha presença
E naufrago em águas movediças
Que me engolem, fingindo abraçar-me.
Sou falsamente resgatado
Pelo vento
Que em infindável redemoinho
Embebeda-me com seu canto,
Enquanto afasta-me do porto.
As garrafas que lanço ao mar
Sabotam minhas mensagens
Aportando em praias cegas
De solo surdo.
Não há ilhas nesta viagem,
Sequer miragens se apresentam,
E a ilusão da esperança
É a lacuna viva de um hiato eterno.
Maurício Granzinolli
mgran@urbi.com.br
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