09 janeiro 2007

Esta é uma poesia do colaborador Maurício Granzinolli, que estará colocando a cada semana um novo texto conosco, espero que gostem.

GARRAFAS AO MAR

Sigo rente ao horizonte,
No limite do nada ao infinito.
Quebro-me em pedras
Atirado por um mar
Que de mim não gosta
Resvalo em ondas
Que se enfurecem com a minha presença
E naufrago em águas movediças
Que me engolem, fingindo abraçar-me.

Sou falsamente resgatado
Pelo vento
Que em infindável redemoinho
Embebeda-me com seu canto,
Enquanto afasta-me do porto.

As garrafas que lanço ao mar
Sabotam minhas mensagens
Aportando em praias cegas
De solo surdo.

Não há ilhas nesta viagem,
Sequer miragens se apresentam,
E a ilusão da esperança
É a lacuna viva de um hiato eterno.

Maurício Granzinolli
mgran@urbi.com.br

Nenhum comentário: