06 janeiro 2007

PRIMEIROS ESCRITOS - Prosa

A seguir, publicaremos os contos do carioca José Alfredo, que a cada semana contará uma série diferente de histórias. A primeira série será: Mulheres que Amo, mostrando sua completa incompreensão sobre as mulheres. A segunda série será: Boogie Woogie, com histórias sobre a formação de uma favela carioca e a vida das pessoas nelas. Espero que gostem.

O PRINCÍPE ENCANTADO

Em uma festa, um inusitado encontro acontece. Branca de Neve, A Bela Adormecida e Rapunzel se encontram, Branca de Neve:

- Que coincidência, nós três juntas, depois de tanto tempo, não?

- É a história com ele nunca termina bem, não? – indaga Rapunzel.

- Deve ser algum tipo de insanidade temporária, que nos assola, naquele período. – completa A Bela Adormecida.

- Explicar é impossível, mas graças a Deus nós...

Neste momento, chega Lilly, a nova esposa do Princincípe Encantado. Vestida de branco, deslumbrante combinando com o cabelo louro descolorido, cumprimenta suas três convidadas:

- Que bom que puderam vir... as três.

- Foi um prazer. – falou afavelmente, Branca.

- Não podíamos deixar de parabenizá-la. – acrescentou Rapunzel.

- Sem dúvida. – concordou Bela.

- Espero que nenhuma de você fique melindrada, por eu estar casando com o ex-marido de vocês. – falou, com ar superior, Lilly.

- É claro que não, Lilly. – apressou-se em dizer Rapunzel.

- Nós queremos o melhor para ele. – concluiu a Bela.

- Fomos nós que fracassamos em faze-lo feliz, esta é uma verdade. Não podemos impedir que ele refaça a vida dele, com alguém que o possa. – falou conciliadoramente Branca.

Lilly as olhou com surpresa e indagou:

- Vocês estão aceitando isto muito bem! Pensei que ficariam com raiva de mim, por o estar roubando-o de vocês.

Branca colocou a mão no braço de Lilli e fez um delicado gesto de puxa-la para próximo de si e falou:

- Se fosse assim, nenhum de nós poderia estar conversando aqui... sabe juntas! Estaríamos nos estapeando e xingando, morrendo de inveja uma das outras. – fez uma pequena pausa e olhou para as suas companheiras de festa. – Nós compreendemos que ele é um homem acima do normal. Não é para qualquer mulher. Você tem que ser muito especial para merece-lo.

- Tem que ter um algo mais! – falou Bela movimentando a mão como se estivesse formando um desenho auto-explicativo. – Não sei explicar bem....

- Todas nós, sentimos que não conseguíamos retribuir a imensa felicidade que ele nos proporcionou. – continuou Branca.

- Sentíamos culpadas, como se não fossemos merecedoras de estar ao lado de alguém assim tão especial. Acho que era isto que sentíamos, não? – indagou Rapunzel para as outras duas.

- Um homem lindo e maravilhoso como ele, nos deixava inseguras e não soubemos mantê-lo ao nosso lado. – concordou Bela.

- É por este motivo, que fiquei com raiva quando ele partiu para viver com a Bela, após te-la resgatado de seu sono. Mas compreendi depois... aceitei, porquê era o melhor para nós dois. – explicou Branca.

- O mesmo aconteceu comigo, quando ele partiu para resgatar e viver com a Rapunzel. Ele tinha de faze-lo. É por isto que ele é especial. Ele é um herói! – a Bela balançou os ombros e falou, tolamente: - Ele é encantado... mágico... maravilhoso.

- É claro, que sentíamos um pouco de inveja de você. Mas... espere... é uma inveja boa. É porque será impossível encontrar um homem igual a ele no mundo outra vez. – colocou Rapunzel.

- Isto é impossível! Existir um já é o bastante. – exclamou Branca.

- Imagine... dois. – Bela faz uma pausa e olha para outras mulheres. – É inconcebível.

Lilly dá um sorriso de vitoriosa e levanta os ombros como estivesse em uma estatura superior a de suas convidadas. Fala de forma autoritária e definitiva:

- Ele, realmente, é maravilhoso e único. O melhor da espécie.

Todas concordam com ela. Neste momento, lindo e elegantemente trajado, surge o Príncipe Encantado, passa entre elas e sorrindo de forma sexy, segura sua nova esposa pela cintura e fala:

- Vim resgata-la, minha lady. Que tal me dar o prazer desta dança.

Lilly se despede de suas convidadas e mergulha naqueles olhos claros como o oceano. Um garçom passa com taças de champagne e as três se servem. Olham para o casal que se afasta, com um olhar de raiva e indignação. É Rapunzel que fala:

- Meninas, será que ela acreditou nesta baboseira que falamos?

- Tomara que sim! Eu não aceito devolução. – completou aliviada a Bela.

- Pelamordeus! Imagine o tormento de uma segunda vida com ele. Ninguém merece! É para levar qualquer uma direto pro hospício. – falou Branca, que levou a taça de champagne aos lábios.

- Eu agradeço a todos os deuses por ele ter achado uma nova otária e me esquecido completamente. É a melhor notícia que tive em anos. – falou a Bela.

- Queridas, que tal sairmos desta festa chata e sairmos por aí para encontrar uns homens de verdade, hein? – indagou Rapunzel.

- Ótima idéia! To nessa! – concordou eufórica Branca.

- Vamos arrasar esta noite!

As três deram os braços uma a outra e saíram cantando e felizes da festa para, agora sim... viverem de verdade.

JOSÉ ALFREDO B DANTAS

Para comentários enviem mensagens para: Poesia - mgran@urbi.com.br e Prosa - zealfie27@hotmail.com. Muito obrigado.



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