03 março 2007

Segue mais uma colaboração de nosso sócio e amigo na sua tarefa de nos trazer suas idéias em forma de poesia. Gostaríamos muito de saber sua opinião sobre os textos, deixem seus comentários, que teremos o maior prazer em discutir e conversar com todos vocês.

BORBOLETA

Costumo sobrevoar meu próprio
cadáver.
Como um abutre autofágico;
Disseco minha alma com a isenção
Objetiva de um olhar externo
E um visceral envolvimento
De quem um dia deu vida
Ao que hoje se vai.

Do alto de mim mesmo, tenho a ampla visão
Da destruição que, impulsionada pela dor,
Vai mais rápida que o tempo.

Ponho-me a pousar em pseudos
Pontos de resistência.
Alicerçados em terrenos sísmicos,
Perdem-se um pouco a cada abalo.

Retorno ao meu corpo
Içado por uma borboleta
Que, de tão frágil, faz-me levantar.
Mas respiro pouco,
Caminho pouco.

Acordo.
E ressuscito para a
Morte.
Pobre borboleta.

Maurício Granzinolli
mgran@urbi.com.br

2 comentários:

Patrícia disse...

Puxa! Não conhecia mesmo esse seu lado poético. Depois lerei com calma todos os textos que aqui estão.

Raphael Vieira Tavares disse...

Olá Alfredo e Maurício, quem vos fala é Raphael, funcionário da Eco aqui do CGA, muito bela sua poesia!

Recentemente sofri a perda de um ente querido e senti aflorar em mim uma grande chamado poêtico que há tempos andava adormecido no âmago da minha alma. Como este é um blog literário seria de grande honra para mim se vcs fossem até meu blog, lessem minhas poesias e dessem também suas opiniões.

Muito obrigado.