“A profissão mais antiga do mundo!” Assim é conhecida a prostituição. O alvo deste comércio sempre foram as mulheres, apesar de existirem “prostitutos”, por falta de um termo melhor, a maioria prefere “garotos de programa”, mas a verdade é uma só: são prostitutos. Mas para mim não interessam os prostitutos neste momento. O meu interesse está focado nas prostitutas, mais especificamente em uma em particular.
Há muitos anos atrás, era um freqüentador assíduo de 'inferninhos', um misto de boate e prostíbulo. Copacabana é campeoníssima nesta categoria, mas eu freqüentava a região do cais do porto: a Praça Mauá. Lá conhecia, a Isabella, uma menina que veio do interior de Minas Gerais, trazida por um agenciador de 'garotas', com a sempre vívida promessa de alcançar uma vida melhor na cidade grande, atraía as meninas para as capitais e depois cobrava os gastos que teve no 'translado' e na 'hospedagem' da pobre coitada. Isabella caiu neste truque e para pagar suas despesas passou a ser integrante de uma famosa boate da Praça Mauá: a Flórida. Como viera virgem para o Rio, tinha cara de menina, apesar dos seus 20 anos. A entrega de sua 'preciosidade' foi uma festa na boate, com direito a espumante e roupa de noiva para Isabella. Foi neste dia que a conheci! Bobo que era, fiquei apaixonado e, por mais incrível que pareça, iniciei um 'namoro' com ela. Fadado ao fracasso, é claro!
O incrível disto tudo, foi que o motivo do fracasso, não foi aquele que todos podem imaginar, ou seja, a profissão dela. Mas sim a culpa que ela sentia por ter de 'trabalhar' à noite com outros homens. Ela se torturava por este motivo. Não sei se o conceito do pecado cristão ou a vergonha, a faziam ficar pequeninha em qualquer situação em que saíamos juntos. Ela cobrava de si mesmo, bem mais do que qualquer outra pessoa. Principalmente, eu! Quem, realmente, deveria reclamar daquilo tudo. Mas por algum motivo inexplicável, aquilo não me afetava. A minha única preocupação era com a segurança dela, já que muito dos 'clientes' assíduos de casas deste tipo, vão para maltratar as prostitutas e não fazer sexo. Era impressionante a quantidade dos assim chamados 'machos', que contratavam os serviços de uma 'profissa' e utilizavam para bater ou mesmo para servir de divã. Alguns apenas dormiam! Mas a minha preocupação sempre foi com os violentos. Lembro de uma vez que, um homem armado, matou uma das meninas no meio da boate, por ela ter rido do 'pinto' pequeno que ele tinha.
O que interessa, na verdade, é que Isabella sempre insistia que eu deveria encontrar alguém que pudesse me fazer realmente feliz. Que não me causasse tanta vergonha e pudesse me acompanhar em público. Como se aquilo tivesse alguma importância, não sou nada e nunca fui nada e acho que nunca serei nada! Mas ela insistiu tanto que acabamos nos separando.
Alguns meses atrás, a encontrei novamente. Está fazendo os preparativos para seu casamento. Era uma felicidade de dar gosto! Fiquei contente por ela, realmente contente. Era acima de tudo, uma lutadora. Mas não demorou para o assunto cair nas culpas por sua antiga profissão. A impressão que eu tinha enquanto ela falava, era que o próprio diabo estava a esfregar suas mãos e olhando sobre nossos ombros. Ela me contou que tinha ido até um padre para pedir perdão por seus pecados, mas nem aquilo acalmou sua alma. Aquilo já era meio absurdo, não queria dizer-lhe que suas crenças eram falsas e dificilmente ela teria um castigo pior do que qualquer dona de casa fofoqueira e cheia de inveja pela vida que não viveu.
A pior parte veio depois. Ela me falou que tinha guardado quase 75,000 doláres em um banco. Os dez anos de profissão a compensaram bastante. Ela não tinha a menor idéia do que faria com aquele dinheiro, pois não podia dizer ao marido como conseguira. Estava pensando doar para obras de caridade. Seria um gesto nobre, se ela não estivesse desempregada e o noivo trabalhasse de sub-gerente em uma loja de material de construção. Tentei convencê-la que aquilo era absurdo, que deveria arrumar um jetio de contar ao noivo toda a verdade sobre ela, até porque algum dia ela apareceria. Mas o grande problema era a cerimônia. Já tinham sido enviados convites e a festa, família, amigos, todos estavam prontos para o grande dia, principalmente, ela. Tinha mais de 30 anos e não queria morrer sem experimentar aquela maravilhosa cerimônia: o casamento.
Para não atrapalhar a cerimônia, a convenci a deixar o dinheiro em uma conta no banco, até que o maridão fosse capaz de aceitar a profissão que a fez juntar tal quantia. Imagine uma trabalhadora, supostamente 'honesta', conseguiria juntar esta quantia em dez anos de trabalho. Digo, com certeza, que... Não! Será que o marido jogaria a chance de construir um bom futuro junto, pelo que ela fez no seu passado. Que ficou no passado, lembremos! Por pura hipocrisia, pois a maior hipocrisia não é viver com o ganho honesto de um trabalhadora, mas discriminar alguém por uma falsa e irreal ótica moral de uma sociedade que não conhece nem mesmo os próprios fundadores desta falsa ética moral.
21 julho 2007
Mulheres que Amo - Peso na Consciência
Moral, regra que ajuda a coesão da sociedade ou instrumento de coersão da sociedade. Difícil dizer, cada pessoa no mundo tem sua pŕopria visão sobre moral, quase todas ligadas a questões religiosas, impedindo que o bom senso humano prevaleça. Esta é uma história, que prevaleceu o bom senso.
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