28 julho 2007

Poesia - Fragmento

Caminhar pela vida é uma atividade díficil. Enfrentar seus percalços, é ainda pior. Enfrentar nossas falhas e indecisões... insuportável. Nosso mestre e poeta nos indica o caminho a seguir, pelo menos de que temos de encarar tudo isto à nossa frente.

FRAGMENTO

Há sempre um pouco de suicído
Em cada morte.
Há sempre um pouco de veneno,
Que pensamos expelido,
A correr contínuo e fatal
Ao longo de nossas veias.
Há sempre o outro lado da lâmina.

Na meia certeza que nos norteia
Ao campo da luz,
Seguimos sempre trilhas escuras.
Erramos muito.
Erramos com consciência,
Erramos por estarmos fragmentados
Pelo gume que separa a face da máscara.

Trazemos a predatória herança,
Precisamos fingir criadores,
Figura em nossos olhos a competição,
Fingimos compartilhar,
Temos fome,
Querem-nos um pé de alface.

E, assim,
Com os leões interiores
A duelarem entre si,
Resta ao corpo e ao espírito
A fraqueza de entregarem-se
Vencidos
À então assombrosa ameaça
Do miado de um gatinho.

Maurício Granzinolli
mgran@urbi.com.br

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