Muitas vezes imaginamos a pessoa que comete um crime como um marginal da pior espécie possível, mas às vezes esta imagem não corresponde inteiramente com a verdade. Esta é uma história que tenta mostrar isto.
Na vida você precisa ter um pouco de sorte. Tody encontrou a sua sem querer. Quando ouviu os tiros lá fora na rua, sabia que seu chefe estava "indo desta para uma muito pior". O safado não dera o arrego dos policiais que juraram que ele iria pagar, de um jeito ou de outro. Acho que foi "de outro", mas era uma questão de tempo, pouca gente ficava no cargo de "big boss" por mais de um ano, não seria diferente com o atual. Foi até o fundo da casa e subiu no telhado onde ficava a caixa d'água, abriu-a e procurou o pacote que ele havia pedido para guardar. Ficou olhando por alguns minutos e imaginando quem iria vir buscá-lo.
No dia seguinte, acordou cedo e foi para rua onde receberia em "primeira mão" o relato vívido das últimas horas de seu querido "chefinho". O importante mesmo era quem estava no comando agora. Mas ninguém sabia disto, pois os segundos-em-comando, o braço direito e o esquerdo, também, foram tudo para o saco junto com o "Big Boss". Foi limpeza total, não deixaram ninguém para contar a estória, apenas aqueles que não tem valor algum, como ele. Tody voltou para casa e sentou em cima do pacote, literalmente. Afundou no sofá de casa.
Passaram alguns dias e nada. Não apareceu um novo chefe e nenhuma facção se dignou a assumir o controle local. Sabia bem que o morro dava mais dor de cabeça do que dinheiro, mas sempre tinha algum maluco que achava que podia mudar as coisas para melhor. Ficassem sempre era na pior. Nada funcionava muito bem ali. E duas semanas se foram. Um primo dele muito viciado, estava na maior fissura por um "teco". ficou "enchendo o saco" de Tody, que não aguentou mais e pegou o pacote e vendeu algum para ele. Acho que não deu tempo dele chegar nem na rua com o bagulho bom na mão, já tinha "neguinho" batendo na janela e na porta de Tody querendo, também. O pacote foi embora em menos de 24 horas. Tody guardou cada centavo para entregar ao novo chefe que viria. Só não sabia quando. Ficou esperando o retorno de algum novo "Big Boss". Foi quando os viciados da vizinhança começaram a "torrar a sua paciência" falando para ele arrumar mais. Era quase todo dia, alguém batia na sua porta, abria e encontrava as "fuças" de um "maluco" que nunca vira antes. Mandava os "caras" pastar, mas sempre voltavam e pediam mais.
Foi quando um amigo do amigo apareceu aconselhando a ele montar a "boca" por conta própria, ele arrumaria o bagulho para vender. 'Tá maluco! Gosto muito da minha pele, para entrar nesta robada, tá ligado!' Tody sabia quando surgisse uma nova boca as sopas de letrinhas iriam vir atrás de quem ousou fazer aquela bobagem. O idiota da vez seria ele. Resistiu por algumas semanas, mas a combinação da oportunidade e dos "pentelhos" batendo na sua porta todo dia, o impulsionaram ao empreendedorismo. Escolheu um canto e chamou uns amigos para ajudar e o negócio foi em frente. A !coisa! era tão amadora que eles nem usavam armas. Alguns moleques queriam entrar para o "movimento", mas quando descobriam que não iriam receber armas, desistiam. Na verdade, a "boca" era tocada por três pessoas, Tody e dois amigos, nada mais. Tody vendia o mínimo necessário e guardava até o último níquel da sua parte, pois sabia que um dia alguém iriam querer tomar dele o negócio e ainda iria querer o dinheiro que ele havia faturado. Por este motivo, Tody arrumou um emprego na padaria da Vila, onde aprendeu a fazer pão. Pegava às cinco da manhã e ficava trabalhando até as duas da tarde. Às seis pegava no outro trampo. Nunca gastava um único centavo que ganhava na boca para não chamar a atenção. Não deixava que seus "sócios" fizessem nenhuma bobagem que pudesse atrair olhares alheios sobre eles. E a vida foi boa por quase 18 meses.
Então, como nada que é tão bom dura para sempre, um dos moleques que queriam trabalhar para Tody e recusaram por não ter armas na jogada, Foi até um morro próximo e contou que Tody era o novo "Big Boss" do Boogie Woogie e que estava fazendo "rios de dinheiro" no ponto. Não pagava nada a ninguém e os caras não podiam deixar as coisas assim. Ele podia levar um grupo e invadir aquela merda e tomar tudo daquele bundão. Tody soube que o moleque fora no morro vizinho na mesma hora em que ele saiu de lá. Largou a padaria, chamou seus "sócios" e juntou tudo que tinha, botou tudo em um táxi e se mandou para a rodoviária. Lá comprou uma passagem para Minas Gerais e foram embora da Ilha do Governador para nunca mais colocar o pé lá. Os sócios foram embora, também, para destinos mais próximos: a Baixada Fluminense.
A invasão aconteceu naquela mesma noite, mas não encontraram nada. Ninguém sabia de nada e não havia "boca" nenhuma funcionando no morro. O "Big Boss" do outro morro não gostou nenhum um pouco da brincadeira de mau gosto daquele moleque fissurado em armas. Já que ele gostava tanto delas, por quê não ficar mais próximo delas, bem próximo para falar a verdade. Alojou uma bala de .45 bem no meio da testa do moleque, que caiu durinho e nem chegou aos quinze anos de idade. A paixão o matou. Como não havia nada no morro, o grupo de ataque do morro vizinho foi embora e esqueceu tudo aquilo.
Tody ficou uns seis meses longe do morro e do Rio de Janeiro, mas sempre mantinha o contato para saber o que estava acontecendo por lá. Quando sentiu não haver mais perigo, resolveu que estava na hora de voltar para casa. Antes, foi sozinho até o Rio de Janeiro, fez um saque do dinheiro que havia acumulado e comprou um imóvel em um longínquo bairro da Baixada Fluminense que ninguém nunca ouvira falar. Comprou uma mercearia próxima a sua casa e voltou a Minas para buscar sua família. Veio para a Baixada e começou a sua vida novamente. Alguns meses depois seus amigos mais próximos foram visitá-lo na casa. Fizeram um belo churrasco e comemoraram o retorno de Tody e sua família. Seu primo estava mais interessado em comprar mais bagulho dele, mas Tody não queria dar "sopa para o azar" e mandou seu primo "chegar". O que havia ganho até ali, sem precisar dar nenhum tiro e sem uso de nenhum ato violento, fora o melhor que pudera fazer, na próxima não teria tanta sorte, por isso mesmo, não haveria próxima.
Na vida você precisa ter um pouco de sorte. Tody encontrou a sua sem querer. Quando ouviu os tiros lá fora na rua, sabia que seu chefe estava "indo desta para uma muito pior". O safado não dera o arrego dos policiais que juraram que ele iria pagar, de um jeito ou de outro. Acho que foi "de outro", mas era uma questão de tempo, pouca gente ficava no cargo de "big boss" por mais de um ano, não seria diferente com o atual. Foi até o fundo da casa e subiu no telhado onde ficava a caixa d'água, abriu-a e procurou o pacote que ele havia pedido para guardar. Ficou olhando por alguns minutos e imaginando quem iria vir buscá-lo.
No dia seguinte, acordou cedo e foi para rua onde receberia em "primeira mão" o relato vívido das últimas horas de seu querido "chefinho". O importante mesmo era quem estava no comando agora. Mas ninguém sabia disto, pois os segundos-em-comando, o braço direito e o esquerdo, também, foram tudo para o saco junto com o "Big Boss". Foi limpeza total, não deixaram ninguém para contar a estória, apenas aqueles que não tem valor algum, como ele. Tody voltou para casa e sentou em cima do pacote, literalmente. Afundou no sofá de casa.
Passaram alguns dias e nada. Não apareceu um novo chefe e nenhuma facção se dignou a assumir o controle local. Sabia bem que o morro dava mais dor de cabeça do que dinheiro, mas sempre tinha algum maluco que achava que podia mudar as coisas para melhor. Ficassem sempre era na pior. Nada funcionava muito bem ali. E duas semanas se foram. Um primo dele muito viciado, estava na maior fissura por um "teco". ficou "enchendo o saco" de Tody, que não aguentou mais e pegou o pacote e vendeu algum para ele. Acho que não deu tempo dele chegar nem na rua com o bagulho bom na mão, já tinha "neguinho" batendo na janela e na porta de Tody querendo, também. O pacote foi embora em menos de 24 horas. Tody guardou cada centavo para entregar ao novo chefe que viria. Só não sabia quando. Ficou esperando o retorno de algum novo "Big Boss". Foi quando os viciados da vizinhança começaram a "torrar a sua paciência" falando para ele arrumar mais. Era quase todo dia, alguém batia na sua porta, abria e encontrava as "fuças" de um "maluco" que nunca vira antes. Mandava os "caras" pastar, mas sempre voltavam e pediam mais.
Foi quando um amigo do amigo apareceu aconselhando a ele montar a "boca" por conta própria, ele arrumaria o bagulho para vender. 'Tá maluco! Gosto muito da minha pele, para entrar nesta robada, tá ligado!' Tody sabia quando surgisse uma nova boca as sopas de letrinhas iriam vir atrás de quem ousou fazer aquela bobagem. O idiota da vez seria ele. Resistiu por algumas semanas, mas a combinação da oportunidade e dos "pentelhos" batendo na sua porta todo dia, o impulsionaram ao empreendedorismo. Escolheu um canto e chamou uns amigos para ajudar e o negócio foi em frente. A !coisa! era tão amadora que eles nem usavam armas. Alguns moleques queriam entrar para o "movimento", mas quando descobriam que não iriam receber armas, desistiam. Na verdade, a "boca" era tocada por três pessoas, Tody e dois amigos, nada mais. Tody vendia o mínimo necessário e guardava até o último níquel da sua parte, pois sabia que um dia alguém iriam querer tomar dele o negócio e ainda iria querer o dinheiro que ele havia faturado. Por este motivo, Tody arrumou um emprego na padaria da Vila, onde aprendeu a fazer pão. Pegava às cinco da manhã e ficava trabalhando até as duas da tarde. Às seis pegava no outro trampo. Nunca gastava um único centavo que ganhava na boca para não chamar a atenção. Não deixava que seus "sócios" fizessem nenhuma bobagem que pudesse atrair olhares alheios sobre eles. E a vida foi boa por quase 18 meses.
Então, como nada que é tão bom dura para sempre, um dos moleques que queriam trabalhar para Tody e recusaram por não ter armas na jogada, Foi até um morro próximo e contou que Tody era o novo "Big Boss" do Boogie Woogie e que estava fazendo "rios de dinheiro" no ponto. Não pagava nada a ninguém e os caras não podiam deixar as coisas assim. Ele podia levar um grupo e invadir aquela merda e tomar tudo daquele bundão. Tody soube que o moleque fora no morro vizinho na mesma hora em que ele saiu de lá. Largou a padaria, chamou seus "sócios" e juntou tudo que tinha, botou tudo em um táxi e se mandou para a rodoviária. Lá comprou uma passagem para Minas Gerais e foram embora da Ilha do Governador para nunca mais colocar o pé lá. Os sócios foram embora, também, para destinos mais próximos: a Baixada Fluminense.
A invasão aconteceu naquela mesma noite, mas não encontraram nada. Ninguém sabia de nada e não havia "boca" nenhuma funcionando no morro. O "Big Boss" do outro morro não gostou nenhum um pouco da brincadeira de mau gosto daquele moleque fissurado em armas. Já que ele gostava tanto delas, por quê não ficar mais próximo delas, bem próximo para falar a verdade. Alojou uma bala de .45 bem no meio da testa do moleque, que caiu durinho e nem chegou aos quinze anos de idade. A paixão o matou. Como não havia nada no morro, o grupo de ataque do morro vizinho foi embora e esqueceu tudo aquilo.
Tody ficou uns seis meses longe do morro e do Rio de Janeiro, mas sempre mantinha o contato para saber o que estava acontecendo por lá. Quando sentiu não haver mais perigo, resolveu que estava na hora de voltar para casa. Antes, foi sozinho até o Rio de Janeiro, fez um saque do dinheiro que havia acumulado e comprou um imóvel em um longínquo bairro da Baixada Fluminense que ninguém nunca ouvira falar. Comprou uma mercearia próxima a sua casa e voltou a Minas para buscar sua família. Veio para a Baixada e começou a sua vida novamente. Alguns meses depois seus amigos mais próximos foram visitá-lo na casa. Fizeram um belo churrasco e comemoraram o retorno de Tody e sua família. Seu primo estava mais interessado em comprar mais bagulho dele, mas Tody não queria dar "sopa para o azar" e mandou seu primo "chegar". O que havia ganho até ali, sem precisar dar nenhum tiro e sem uso de nenhum ato violento, fora o melhor que pudera fazer, na próxima não teria tanta sorte, por isso mesmo, não haveria próxima.
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