02 março 2008

Boogie Woogie - Legado

Justiça, por incrível que possa parecer, é um ato fundamental em qualquer sociedade, sem ela seria impossível viver ou alcançar tudo que o ser humano conseguiu. Mas e sem ela, oq ue aconteceria? Aqui vemos uma pequena amostra do que a falta da justiça pode causar no destino de alguém.

Ele chegou por trás, puxou o cão do revólver para trás lentamente, sem fazer barulho algum. Pé ante pé se aproximou e colocou a arma na direção da cabeça dele e puxou o gatilho. O cérebro dele foi espalhado sobre o balcão do bar. Gritos por todo o lado. Pessoas correndo e os amigos a seu lado... assustados. Todos ficaram sem palavras, enquanto o assassino apreciava a cena de seu trabalho. O sangue escorria pelo balcão, pingando no chão. O assassino chegou perto e cuspiu na cabeça de Douglas. Virou para os dois amigos dele que o acompanhavam e disse algo, mas ninguém conseguiu ouvir. Foi embora.
Na casa de Douglas o eco do disparo se fez ouvir no desespero de uma mãe. Sabia que seu filho estava envolvido em 'coisas erradas', mas nunca poderia imaginar que o destino reservado para ele seria esse. Chorou copiosamente na sal e foi acalmada por seu filho mais novo: Diego. Diego era o reverso do irmão, bem comportado, estudioso e uma doce criança, mesmo assim adorava o irmão mais velho. Pois o irmão mais velho nunca quis que ele seguisse seus passos errados. Achava que o irmão poderia ter algo mais... algo melhor. Sair dali e levar sua mãe para um lugar melhor. Muito do dinheiro que ganhava com as 'coisas erradas' era guardado em uma conta poupança no nome do irmão, para poder estudar no futuro. O destino batia à sua porta.
Enterraram Douglas e a vida seguiu, mas Diego queria honrar seu irmão. Queria vingança da maneira certa para o irmão. Queria seu assassino preso, julgado e condenado. A família foi a polícia, apesar das ameaças que sofreram para não fazê-lo. A coragem falou mais alto e registraram a queixa, mas como Douglas era um bandido conhecido e fichado, ninguém deu nenhuma atenção. Vários policiais disseram que deveriam dar uma medalha para o cara que fez aquilo, menos um desgraçado no mundo. Sem esforço de ninguém, a história rapidamente caiu no esquecimento. Mas não para Diego e nem para a família.
Diego juntou o máximo que pôde para levar o caso há algum advogado que pudesse ajudá-lo a condenar o safado que fizera aquilo ao seu irmão. Ficou obcecado e colocou os estudos de lado para dedicar-se a vingar o irmão. Sofria pressões e ameaças dos bandidos ligados ao assassino de seu irmão. Não desistiu! Investigou e conseguiu provas físicas, já que não poderia contar com testemunho dos presentes na hora do assassinato. Juntou tudo e entregou a uma advogado levar o caso à Justiça. Logo depois de notificado o assassino de seu irmão, Diego foi atacado por cinco caras que deram uma surra tão grande que ficou internado na UTI por duas semanas. Sua mãe quase morreu de preocupação. Ela, então, decidiu colocar a casa à venda e irem embora do morro. E foram.
Passaram anos e o caso foi a julgamento, Diego foi à corte, apenas para descobrir que o assassino de seu irmão foi inocentado por todas as acusações. Saiu andando do fórum sem nenhum problema, ainda apontou o dedo para Diego em forma de uma arma e apontou o gatilho. chegou perto e falou: "vou atrás de ti e da vagabunda da tua mãe!" Toda a 'corriola' que o acompanhava riram 'à beça' e saíram fazendo sinais de disparos contra Diego.
Diego, então, percebeu que por meio da Justiça não conseguiria vingar o irmão. Por meios legais não funcionou, Diego decidiu trilhar o caminho ilegal. Mandou a mãe para uma cidade em Minas Gerais e escondeu no interior do Estado. Lá aprendeu a usar uma arma e treinou tiro, até ficar muito bom no disparo à distância. Preparou o corpo também e quando se sentiu pronto, foi até o bando rival que lutava pelo controle do morro e falou que queria entrar pro time. Sob risos, Diego comprometeu a dar uma demonstração do que era capaz, se lhe dessem uma arma nova. O chefe deu uma arma a ele e perguntou o que faria: Vou matar o filha da puta que matou meu irmão!" Saiu resoluto da casa, foi até a rua Central, sabia onde os garotos da gangue rival ficava, carregou a arma com 12 balas e preparou. Quando estava a menos de 100 metros deles, começou a disparar. Os três primeiros tiros derrubaram três deles. Esconderam atrás de um balcão e tentaram se defender, mas muitos deles não estavam armados. Diego disparou sua arma até ficar vazia, conseguiu acertar mais dois. Três fugiram e ficou apenas o assassino de seu irmão, que tentava acertar Diego, mas este foi mais preciso e conseguiu acertar o braço dele, que derrubou a arma. Diego carregou novamente sua arma e caminhou tranquilamente até o assassino de seu irmão. A cada passo que dava disparava um tiro, primeiro acertou a perna, depois acertou na barriga e depois acertou na virilha. O assassino de seu irmão urrava de dor e desmaiou. Diego pegou água e jogou em seu rosto. Quando acordou, encarou-o profundamente, enquanto ele implorava por piedade. Disparou os oito tiros à queima-roupa até que o rosto do assassino de seu irmão tivesse transformado em uma massa disforme. Carregou a arma de novo e foi embora, sem que ninguém se aproximasse dele.
Depois disso, ganhou fama e ascendeu na hierarquia. Acabou indo mais longe dentro da organização criminosa do que seu irmão Douglas foi. Ganhou dinheiro suficiente para sair daquela vida, mas nada mais lhe importava. Enviou todo dinheiro que ganhou para sua mãe. Todo dinheiro que ganhava mandava para ela e nada ficava com ele, apenas o suficiente para sobreviver. Morava em um barraco sem móveis e apenas com um colchonete e um fogareiro. Não tinha geladeiras e nem um tipo de conforto doméstico. Comia mal e não se cuidava, nunca teve uma namorada. Fazia apenas seu trabalho... matar. Até o dia que foi morto por policiais, alguns dos quais haviam ridicularizado à morte de seu irmão. Tudo acabou. Sem nenhuma justiça e com uma família sem futuro.

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