Nosso poeta um dia me disse algo assim: "Em toda morte, há muito de suícidio!" De primeira não compreendi o que ele estava dizendo, depois fui assimilando lentamente esta verdade. Hoje, ele volta com esta idéia, mas de uma forma um pouco mais lúgubre.
AUTOFAGIA
Morri em algum dia da minha vida!
De algo me lembro ainda,
Muito, porém esqueci.
Sei que paguei pra morrer,
Foi tudo o que mereci.
Minha morte foi solene
E não morte vulgar,
Vesti-me com roupa nova
Jurei não recuar.
Juntaram-se algumas pessoas
Para ver-me agonizar,
Sendo morte oficial
Tinham que testemunhar.
Deve ter sido sofrido,
Ou até coisa pior,
Tremia com as mãos,
Molhei-me com suor.
O fato consumado,
Sem ter do que reclamar,
Sozinho e cabisbaixo
Sai pra comemorar.
Não comi comida viva,
E sim espiritual,
Sem cor nem sabor
Sequer com cheiro de sal.
A bebida foi sem álcool,
Pois disso não carecia,
Minha alma fora do corpo
Para o limbo já descia.
Hoje virei churrasco,
Pro inferno fui mandado
Só como brasa de fogo
Tostado por todo lado.
De algo me lembro ainda,
Muito, porém esqueci.
Sei que paguei pra morrer,
Foi tudo o que mereci.
Minha morte foi solene
E não morte vulgar,
Vesti-me com roupa nova
Jurei não recuar.
Juntaram-se algumas pessoas
Para ver-me agonizar,
Sendo morte oficial
Tinham que testemunhar.
Deve ter sido sofrido,
Ou até coisa pior,
Tremia com as mãos,
Molhei-me com suor.
O fato consumado,
Sem ter do que reclamar,
Sozinho e cabisbaixo
Sai pra comemorar.
Não comi comida viva,
E sim espiritual,
Sem cor nem sabor
Sequer com cheiro de sal.
A bebida foi sem álcool,
Pois disso não carecia,
Minha alma fora do corpo
Para o limbo já descia.
Hoje virei churrasco,
Pro inferno fui mandado
Só como brasa de fogo
Tostado por todo lado.
Maurício Granzinolli
mgran@urbi.com.br
mgran@urbi.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário