27 julho 2008

Mulheres que Amo - Sociedade do Anel

Já perceberam como um pequeno objeto pode ter poderes mágicos? Esta é uma destas estórias que parecem absurdas, mas são verdadeiras e que nos fazem indagar, quando conseguiremos compreender as mulheres? Tentem!

Compreender as mulheres é uma arte obscura e perdida nas teias do tempo. Os homens não conseguem este feito hercúleo. Alguns ainda conseguem chegar aos princípios básicos do relacionamento com o ente feminino, mas é só este nível que alcançam. Existem, porém, aqueles que nem o botão de ligar do relacionamento conseguem descobrir. O Alberto era um destes casos.
Ele passou toda a sua adolescência sem ter um relacionamento. Ele não era 'gay' e nem assexuado, apenas não sabia como fazê-lo. Teve até oportunidades com meninas que eram uma 'gracinha', mas sua incompetência no jogo de atração, era algo digno de pena. Tentamos ajudá-lo por diversas vezes, sempre demos com os 'burros n'água'. Teve uma menina que veio nos perguntar se ele era 'bicha'. Nem isso pudemos garantir a ela, pois nunca o vimos com uma mulher e nem com um homem.
O tempo passou e, finalmente, Alberto conheceu uma garota. Todos nós apostamos que fora ela quem tomara a iniciativa e sustentava o relacionamento. Com certeza, estávamos corretos. Era legal ver a felicidade do casal. A frase: “Foram feitos um para o outro.” parecia caber 'certinho' para os dois 'pombinhos'. Tivemos até de parar de querer interferir no relacionamento deles, pois estávamos atrapalhando mais do que ajudando. Tudo estava indo às 'mil maravilhas'. Então...
Alberto e Lívia decidiram ficar noivos. Ele, nitidamente, queria garantir que aquela mulher louca, que decidira ficar com ele, não fugiria. Ela... acho que gostava de verdade dele! Sou francamente contra o casamento nos termos atuais, mas para Alberto, este parecia ser o passo mais acertado na sua vida. Ele nunca fora muito centrado em nada e nem realizava nada de excepcional com sua vida. Nada impedia este enlace. Até parece!
Alberto era um cara com ótima aparência. Tinha olhos verdes e era louro, não possuía físico atlético, mas a entrada no exército o ajudou a desenvolver alguns músculos. Nem assim, as mulheres olhavam para ele, apenas Lívia viu algo além de sua insignificância para o universo feminino. Ao ver algo além, colocou um sinal luminoso brilhante sobre ele. As meninas, quando os dois começaram a namorar, começaram a fazer perguntas sobre aquele 'desconhecido' que morava na esquina. Todas elas ficavam espantadas ao descobrir: ele morava ali há mais de 20 anos e era oficial do exército. Os olhares femininos começaram a investigar os detalhes, conseguiram descobrir coisas que nós, os amigos, nunca percebemos. Era o instinto feminino de caçadora entrando em ação. Mas, neste primeiro momento, não partiram para a ação. Esperaram!
Quando Alberto colocou o anel na mão direita de Lívia... tudo mudou. Elas atacaram! A rua parecia ter tido uma abdução em massa da espécie masculina, pois nenhuma mulher queria ouvir falar de outro homem que não fosse Alberto. Era o 'hit do momento'. Era 'up', falar no pobre coitado, que nem poderia imaginar a avalanche que desabaria sobre ele.
No dia seguinte da colocação do anel no dedo de Lívia, as perguntas e a proximidade feminina, cresceram exponencialmente para Alberto. Ele não podia ir até a padaria na esquina de sua casa, sem alguma garota pará-lo para 'bater um papinho'. Perguntavam de tudo e eram todas 'sorriso'. Os rostos ficavam iluminados enquanto falavam com ele. E ele... não estava nem aí! Não percebia absolutamente nada. Os homens são bem mais lentos nestes assuntos mesmo. Nós, os amigos, levamos quase uma semana para perceber o que estava acontecendo. Lívia... muito mais.
Os dois continuavam a levar sua vida de forma tranqüila, como antes. Nada havia mudado para eles, mas sim para o mundo em volta... o mundo feminino. Vieram, então, as primeiras cantadas. Alberto ficou assustado, pois não estava acostumado aquele assédio todo. Fugia na maioria das vezes e chegou mesmo a nos interpelar, pois acreditava que era alguma brincadeira de mau gosto nossa. Ledo engano.
O fim de tudo estava próximo. Havia uma grande amiga de sua irmã mais nova, que fraquentava regularmente a sua casa há mais de cinco anos. Era uma 'gata' muito gostosa e bonita. Ela nunca olhara nem para o rosto de Alberto naqueles últimos cinco anos. Acho que se alguém lhe perguntasse qual era a cor do cabelo dele, ela diria: preto. O anel mágico entrou no dedo dele, ela ficou completamente enfeitiçada por aquele novo Cavaleiro de Armadura Brilhante. Decidiu que seria a dama sortuda a ficar com o Cavaleiro. Preparou o 'bote', foi para a casa dele em um dia em que ninguém estaria na casa, somente ele. Pronto! Não foi preciso muito esforço para convencê-lo de ir para cama com ela. Ele nunca imaginou que poderia ter uma 'gata' daquelas na sua cama. Realizou um sonho! E o sonho virou pesadelo!
A mãe e a irmã pegaram os dois juntos na cama. Acho que era intenção dela desde o princípio. É claro, virou notícia de primeira página nas ruas do bairro, com um certo grau de 'aumentativo' na estória. Cheguei a ouvir versões em que ele estava com três mulheres ao mesmo tempo, mas isto não vem ao caso agora. Lívia soube de tudo e tomou a única atitude plausível. Terminou o noivado e o relacionamento. Alberto ainda envolto na euforia de ter ido para cama com uma 'gata' daquelas, fez pouco caso do fora da ex-noiva e nem tentou conversar com ela. Queia partir para novas 'paragens'.
As novas aventuras de Alberto não duraram. Ele caiu rapidamente na 'real'! A linda amiga de sua irmã, pivô de sua separação, lhe deu um fora no encontro seguinte. Os olhares cobiçosos de até então... desapareceram tão rapidamente quanto o anel em seu dedo. Ele ficou a 'ver navios'... solitário, chegou a pensar em voltar para Lívia, mas deu uma de forte e não deu o 'braço a torcer'. As aventuras de Alberto terminaram tão rapidamente quanto começaram. A Sociedade do Anel foi desfeita.

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