A vida é ingrata! Nunca estamos completamente preparados para enfrentar seus desafios e nunca conseguimos tomar as decisões corretas para nossas vidas. É impossível dizer, o que é certo ou que é errado a seguir em frente no seu dia-a-dia. Esta é uma estória de como uma decisão pode ter um peso imenso na vida de alguém, por mais correta que pareça.
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A vida é ingrata! Mesmo quando realizamos nossos sonhos, muitas vezes os perdemos no momento seguinte ou algum tempo depois. Devemos estar sempre preparados para tudo, pois a vida nos surpreende constantemente. Raquel descobriu isto da pior forma possível.
Estudávamos no mesmo colégio, quando estavámos na sétima série do primeiro grau. Éramos amigos e nos davámos muito bem. Gostava um bocado dela, pois apesar de ser uma gata, não era convencida e nem pendante. Sempre tratava todos com a mesma deferência. Ninguém era melhor que ninguém! Nem tampouco, pior. Ela levava muito à sério a frase: “Todos nós somos iguais...”, esquecendo o restante. Era alguém que, de verdade, merecia ser feliz.
Parecia que seria! Conheceu o Otávio naquele mesmo ano. O chamado “bom garoto”. Era o filho que toda mãe gostaria de ter como genro. Tinha futuro, era inteligente e de boa família, como se dizia antigamente. Depois de engatarem o namoro, ambos viviam em um mundo à parte, em que a população total era de dois. Não havia guerras, politicas, maldade e nem decepções.
A vida foi planejada a partir deste ponto: o momento que ambos se conheceram. Iriam terminar o Segundo Grau, entrar para Faculdade, arrumar um emprego e casar. Teriam três filhos, arremataram uma vez, quando brincávamos sobre o que queríamos ser na vida. Raquel disse uma frase que marcou muito: “Quero ser mãe!” Ela não falou que gostaria de ser médica e nem aeromoça, seu objetivo era ser mãe. Viver para os filhos e o marido. Tanto, que ao entrar para a Universidade, logo abandonou o curso, pois não estava satisfeita. Começou a trabalhar e a juntar dinheiro para o casamento. Enquanto isso, Otávio se formava e conseguia um estágio. Logo, foi contratado e passou a receber um bom salário. Casamento à vista.
A festa foi linda e simples. Sem estardalhaço e apenas com os melhores amigos presentes e alguns familiares. Iniciaram a vida em um pequeno apartamento alugado perto da casa dos pais dela. O pai dela foi o fiador para eles! Tudo perfeito! Mas ficou melhor ainda! Um ano depois, nasceu Elisabete, a primeira filha do casal. Era uma garota linda e perfeita em todos os sentidos. Se Raquel não queria estudar e nem trabalhar até aquele momento, agora a situação garantiu que não mais faria isso por muito tempo. Dedicou total concentração para criar a filha. Não, as filhas! Pois vieram mais duas nos cinco anos após o nascimento de Elisabete. Foram Maria Stuart e Vitória, todas rainhas inglesas, pois era assim que Raquel se sentia em relação às filhas. Era a sua súdita mais fiel.
A vida foi dura neste momento para o casal. Sustentar um apartamento alugado e criar três filhas com o salário de apenas um, não era tarefa fácil. O mês parecia nunca ter fim e nunca ter o suficiente para comprar tudo que suas rainhas precisavam. Os pais dele e dela ajudaram bastante. Ajudaram a criar, ensinar, cuidar e sustentar as meninas. Então, Otávio foi promovido e o sonho da casa própria se tornou realidade. Não só o da casa própria, fnalmente, Otávio pôde realizar o seu sonho: um carro zero, a prestação, é claro, mas era o seu carro zero. A vida parecia ter escrito o roteiro perfeito para a vida de Otávio e Raquel... mas nada no universo é tão simples assim.
Otávio bateu com o carro zero récem comprado. Entrou em coma e foi internado em um hospital particular. As notícias ruins não paravam aí, mesmo que ficasse vivo, ficaria tetraplégico. A vida desmoronou como um castelo de cartas para Raquel. Estava perdendo o amor de sua vida. O único homem com quem dividiu sua cama e seu afeto. O quê ela poderia fazer? Principalmente, o quê ela tinha de fazer?
Os meses de internação foram de total paralisia para Raquel. Não fazia mais nada, a não ser ir para o hospital velar por seu amor. Elisabete assumiu o controle da casa e das irmãs, dando alimento, roupas e as levando para o colégio. Os avôs maternos vinham ficar com elas à noite, até a morte do pai. Otávio morreu quatro meses após o acidente. Raquel ficou de luto mais uns dois meses, sem nada fazer de sua vida. Foram seis meses sem uma existência real para ela. Mas, infelizmente, a vida continua.
Contas chegam aos borbotões! Dívidas estavam acumuladas! Casa, carro, luz, água, colégio das meninas e até o supermercado. Raquel não tinha a menor idéia do que fazer. Eram atividades de Otávio e ela nunca se interessava por nada disso. Não sabia nem o número da conta bancária conjunta deles. Junto com Elisabete, reuniu tudo que tinha, sabia e fez as contas. Estavam falidas! Não podiam pagar a casa e nem as dívidas acumuladas. Usariam o seguro do carro para pagar as prestações restantes e venderiam o carro para o ferro-velho, pois não servia para mais nada aquele monte de lixo assassino. Raquel se recusava a tirar as meninas do colégio particular onde estavam. Decidiu, com ajuda de seus pais e dos pais dele: vender o apartamento e mudar para um menor e mais distante, que pudesse pagar com a indenização e o seguro de vida de Otávio. Mas isto não duraria para sempre!
Ela tinha que trabalhar! No quê? Não sabia fazer nada! A não ser... ser mãe! Conseguiu trabalho de babá, mas pagava muito pouco, comparado com as despesas da casa. Teve de fazer trabalhos extras e passou a ocupar todo seu tempo livre. Não mais podia cuidar da casa como a boa dona de casa que sempre fora. Elisabete assumiu seu lugar. Era ela quem cuidava das irmãs, da comida, das roupas. Amadureceu antes do tempo e Raquel nem pôde ver. Seu sonho de ser mãe estava se esvaindo.
Como o dinheiro não era ainda o suficiente para manter as meninas no colégio particular, pagar aluguel, alimentar e vestir todas elas. Raquel decidiu voltar ao colégio. Fazer cursos de especialização de nível secundário. Estudar e rever o seu segundo grau inteiro, que fizera sem avinco. Em suma, recuperar o tempo desperdiçado ao buscar um único sonho: o de ser mãe. Este mesmo sonho, agora, posto de lado.
Ela conseguiu! Descobriu que tinha aptidão para trabalhar com alimentos, etnão, se formou em engenharia de alimentos. Arrumou um emprego em uma grande empresa e conseguiu, finalmente, dinheiro suficiente para dar entrada em uma casa própria e tentar recuperar o tempo perdido ao lado das filhas. Mas... isto... não foi... possível, novamente. Elisabete estava grávida. Sua filha ia ser mãe. Ela, agora, era avó.
Estudávamos no mesmo colégio, quando estavámos na sétima série do primeiro grau. Éramos amigos e nos davámos muito bem. Gostava um bocado dela, pois apesar de ser uma gata, não era convencida e nem pendante. Sempre tratava todos com a mesma deferência. Ninguém era melhor que ninguém! Nem tampouco, pior. Ela levava muito à sério a frase: “Todos nós somos iguais...”, esquecendo o restante. Era alguém que, de verdade, merecia ser feliz.
Parecia que seria! Conheceu o Otávio naquele mesmo ano. O chamado “bom garoto”. Era o filho que toda mãe gostaria de ter como genro. Tinha futuro, era inteligente e de boa família, como se dizia antigamente. Depois de engatarem o namoro, ambos viviam em um mundo à parte, em que a população total era de dois. Não havia guerras, politicas, maldade e nem decepções.
A vida foi planejada a partir deste ponto: o momento que ambos se conheceram. Iriam terminar o Segundo Grau, entrar para Faculdade, arrumar um emprego e casar. Teriam três filhos, arremataram uma vez, quando brincávamos sobre o que queríamos ser na vida. Raquel disse uma frase que marcou muito: “Quero ser mãe!” Ela não falou que gostaria de ser médica e nem aeromoça, seu objetivo era ser mãe. Viver para os filhos e o marido. Tanto, que ao entrar para a Universidade, logo abandonou o curso, pois não estava satisfeita. Começou a trabalhar e a juntar dinheiro para o casamento. Enquanto isso, Otávio se formava e conseguia um estágio. Logo, foi contratado e passou a receber um bom salário. Casamento à vista.
A festa foi linda e simples. Sem estardalhaço e apenas com os melhores amigos presentes e alguns familiares. Iniciaram a vida em um pequeno apartamento alugado perto da casa dos pais dela. O pai dela foi o fiador para eles! Tudo perfeito! Mas ficou melhor ainda! Um ano depois, nasceu Elisabete, a primeira filha do casal. Era uma garota linda e perfeita em todos os sentidos. Se Raquel não queria estudar e nem trabalhar até aquele momento, agora a situação garantiu que não mais faria isso por muito tempo. Dedicou total concentração para criar a filha. Não, as filhas! Pois vieram mais duas nos cinco anos após o nascimento de Elisabete. Foram Maria Stuart e Vitória, todas rainhas inglesas, pois era assim que Raquel se sentia em relação às filhas. Era a sua súdita mais fiel.
A vida foi dura neste momento para o casal. Sustentar um apartamento alugado e criar três filhas com o salário de apenas um, não era tarefa fácil. O mês parecia nunca ter fim e nunca ter o suficiente para comprar tudo que suas rainhas precisavam. Os pais dele e dela ajudaram bastante. Ajudaram a criar, ensinar, cuidar e sustentar as meninas. Então, Otávio foi promovido e o sonho da casa própria se tornou realidade. Não só o da casa própria, fnalmente, Otávio pôde realizar o seu sonho: um carro zero, a prestação, é claro, mas era o seu carro zero. A vida parecia ter escrito o roteiro perfeito para a vida de Otávio e Raquel... mas nada no universo é tão simples assim.
Otávio bateu com o carro zero récem comprado. Entrou em coma e foi internado em um hospital particular. As notícias ruins não paravam aí, mesmo que ficasse vivo, ficaria tetraplégico. A vida desmoronou como um castelo de cartas para Raquel. Estava perdendo o amor de sua vida. O único homem com quem dividiu sua cama e seu afeto. O quê ela poderia fazer? Principalmente, o quê ela tinha de fazer?
Os meses de internação foram de total paralisia para Raquel. Não fazia mais nada, a não ser ir para o hospital velar por seu amor. Elisabete assumiu o controle da casa e das irmãs, dando alimento, roupas e as levando para o colégio. Os avôs maternos vinham ficar com elas à noite, até a morte do pai. Otávio morreu quatro meses após o acidente. Raquel ficou de luto mais uns dois meses, sem nada fazer de sua vida. Foram seis meses sem uma existência real para ela. Mas, infelizmente, a vida continua.
Contas chegam aos borbotões! Dívidas estavam acumuladas! Casa, carro, luz, água, colégio das meninas e até o supermercado. Raquel não tinha a menor idéia do que fazer. Eram atividades de Otávio e ela nunca se interessava por nada disso. Não sabia nem o número da conta bancária conjunta deles. Junto com Elisabete, reuniu tudo que tinha, sabia e fez as contas. Estavam falidas! Não podiam pagar a casa e nem as dívidas acumuladas. Usariam o seguro do carro para pagar as prestações restantes e venderiam o carro para o ferro-velho, pois não servia para mais nada aquele monte de lixo assassino. Raquel se recusava a tirar as meninas do colégio particular onde estavam. Decidiu, com ajuda de seus pais e dos pais dele: vender o apartamento e mudar para um menor e mais distante, que pudesse pagar com a indenização e o seguro de vida de Otávio. Mas isto não duraria para sempre!
Ela tinha que trabalhar! No quê? Não sabia fazer nada! A não ser... ser mãe! Conseguiu trabalho de babá, mas pagava muito pouco, comparado com as despesas da casa. Teve de fazer trabalhos extras e passou a ocupar todo seu tempo livre. Não mais podia cuidar da casa como a boa dona de casa que sempre fora. Elisabete assumiu seu lugar. Era ela quem cuidava das irmãs, da comida, das roupas. Amadureceu antes do tempo e Raquel nem pôde ver. Seu sonho de ser mãe estava se esvaindo.
Como o dinheiro não era ainda o suficiente para manter as meninas no colégio particular, pagar aluguel, alimentar e vestir todas elas. Raquel decidiu voltar ao colégio. Fazer cursos de especialização de nível secundário. Estudar e rever o seu segundo grau inteiro, que fizera sem avinco. Em suma, recuperar o tempo desperdiçado ao buscar um único sonho: o de ser mãe. Este mesmo sonho, agora, posto de lado.
Ela conseguiu! Descobriu que tinha aptidão para trabalhar com alimentos, etnão, se formou em engenharia de alimentos. Arrumou um emprego em uma grande empresa e conseguiu, finalmente, dinheiro suficiente para dar entrada em uma casa própria e tentar recuperar o tempo perdido ao lado das filhas. Mas... isto... não foi... possível, novamente. Elisabete estava grávida. Sua filha ia ser mãe. Ela, agora, era avó.
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