04 agosto 2007

Mulheres que Amo - Doença Contagiosa

Odeio o ciúme! Não acredito nesta bobagem de o "ciúme é o tempero do amor!" O ciúme é na realidade a prova mais cabal de que não existe amor na relação. Ciúme é posse. Posse não é amor. esta é uma pequena história a este respeito.

O ciúme é uma doença contagiosa! Tinha duas amigas no trabalho que eram casadas. Sônia era uma ciumenta patológica e Maria Helena era a máscara da tranqüilidade. Sônia seguia seu marido o tempo todo, cheirava as roupas do trabalho e procurava marcas de batom e perfume estranho nas roupas dele antes de lavá-las. Havia conhecido, em uma festa de fim de ano, amizade com uma garota do trabalho do marido e a convenceu a vigiá-lo por ela, a menina entregava relatórios semanais de todas as atividades dele.
Isto tudo não bastava para Sônia! Infernizava a vida de Maria Helena para que ela seguisse seu exemplo de esposa. “Não pode dar mole, não!” afirmava categoricamente. Qualquer comentário que Maria Helena fizesse sobre o marido era motivo para uma acirrada discussão sobre traição. Em tudo, havia sinais de que o marido de Maria Helena a estava traindo. Maria Helena resistia as investidas de Sônia como podia. Sônia, no entanto, não dava uma folga e chegou mesmo a se oferecer para acompanhar Maria Helena em uma vigília ao marido, que iria participar de um Congresso de Vendedores em uma cidade próxima.
Tanto fez, que um dia Maria Helena começou a 'dar ouvidos' as afirmações dela. Achou o comportamento do marido estranho, de acordo com os 'sábios' conselhos de Sônia. As duas trocaram confidências e compararam o comportamento dele. Sônia foi incisiva: “Ele está te traindo!”. Desta feita, Maria Helena passou a acreditar que havia algo, realmente, errado. Iniciou seu processo de investigação. Indagações as esposas de amigos dele no trabalho e começou a investigar suas roupas e pertences em busca de um sinal que indicasse a traição.
Sônia ficou tão excitada com os relatos que Maria Helena fazia, que decidiu ir até a casa da amiga e ajudá-la na busca de algo 'comprometedor'. Todos nós do escritório, tentamos convencer Maria Helena que não havia nada errado e aquilo tudo era fruto da insistência alucinada de Sônia, mas Sônia replicava: “São homens! Estão todos 'mancomunados um com o outro! Não acredite em nada que eles dizem! São todos iguais!” Assim Maria Helena mergulhou de cabeça na paranóia de Sônia.
O marido de Maria Helena, rapidamente, notou o comportamento estranho e tão diferente da esposa. Indagou o que estava acontecendo, mas diferente do comportamento normal de sua esposa, que tudo lhe dizia, ela desconversou. Naquele momento, ele aceitou. Mas as perguntas incessantes sobre “Onde você esteve? Com quem você estava? Tinha alguma mulher lá?” Aquilo começou a irritá-lo. As brigas do casal passaram a ser constante e Maria Helena, finalmente, o confrontou com sua 'traição'. Seu marido a chamou de louca e que estava alucinando. “Não tenho ninguém! Vivo trabalhando e pagando contas desta casa, não tenho tempo para nada!” Estas respostas não eram satisfatórias, pois Sônia replicava para ela: “Quando quer, tem tempo pra elas!” Estava claro, que a única resposta possível e satisfatória seria: “Sim, estou te chifrando com a fulana de tal!” Mas ela não vinha.

A água tanto bate, até que fura!” Neste caso, o relacionamento de Maria Helena. O marido, não acostumado com aquelas constantes cobranças, decidiu abandonar a casa e 'dar um tempo', para ver se a esposa se acalmava. Maria Helena começou a perceber que havia feito uma tremenda besteira 'dando ouvidos' a Sônia. Mas esta replicava: “saiu de casa, porque você estava chegando perto. Não tava dando mais pra esconder a amante.” Maria Helena ficou em um dilema, seu ciúme não havia trazido nada mais do que brigas e desentendimentos com o marido, forçando-o a sair de casa, mas será que tudo não era como Sônia afirmava. O casamento de Sônia estava firme apesar de tudo que ela fazia com o marido, o seu ciúme descontrolado.
Para salvação do casamento de Maria Helena, um dia Sônia não apareceu para trabalhar. Não era um fato estranho, mas ela sempre avisava de suas faltas, mas naquele dia fora diferente. Passou uma semana inteira sem Sônia aparecer no trabalho. Todos se perguntavam o que poderia ter acontecido. Maria Helena era a mais preocupada de todos, pois havia perdido sua 'Conselheira' particular. Não suportando a falta de notícias e, principalmente, necessitando de 'conselhos' urgentes sobre o seu próprio 'caso', decidiu ir até a casa de Sônia e descobrir o que estava acontecendo.
Ao chegar, encontrou Sônia com os olhos de quem estava chorando a dias. Cabeça baixa e um olhar perdido no espaço, deixou-a entrar e jogou a bomba no colo da amiga e confidente. Henrique, seu marido, havia saído de casa. Fora morar com a 'espiã' que Sônia arregimentara para sua causa santa. Ela estava inconsolável, por não ter percebido nada... nem um sinal sequer do que estava acontecendo embaixo de seu nariz. A 'expert' em assuntos de traição, tinha sido traída. Nada do que fizera serviram para alguma coisa, apenas para afastar seu marido mais e mais. A doença que a consumira por anos, agora desvanecera. Não tinha mais um propósito ou objetivo. Não sabia o que fazer, nem o que dizer.
Maria Helena sabia bem o que deveria fazer. Saiu correndo da casa de Sônia e foi correndo até o trabalho do marido e pediu perdão por todas as bobagens que vinha fazendo e dizendo. Fez todas as promessas possíveis e imagináveis que pôde pensar para que o marido voltasse para casa. O marido que ainda a amava, pegou as coisas na casa de seus pais, onde estava morando e voltou para casa, meio desconfiado. O casal voltou a ter sua vida tranqüila de volta, sem os atropelos.
A 'Conselheira' voltou ao trabalho depois de um mês, mas Maria Helena pediu transferência e nunca mais trocou uma palavra sequer com Sônia, não queria ser contaminada novamente.


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