31 agosto 2007

Poesia - Entressafra

Nosso poeta vem nos mostrar que nenhuma situação é tão deseperadora, sempre há fatos piores e pessoas em situações ainda mais difíceis de encarar.

ENTRESSAFRA

Há grandes temporadas de desânimo:
Cheiro de fracasso passeia pelo ar
Que me rodeia,
De tal forma, que é impossível
Filtrá-lo.

Caminho em um tristonho cabisbaixo
Como se o chão que me sustenta
Fosse meu único horizonte.

Até mesmo o azul do infinito,
Coroado pelo áureo amarelo
Do incandescente sol,
Que, em dias outros,
Despertava-me a esperança
E a conduzia seguro até
Os limites da imaginação.

Nos tristes dias dos meus dias,
Toda aquarela
De incomparável grandeza
É posta ao lado com desprezo
E até desconfiança.

Mas o tempo!
Aquele mesmo tempo
Que me pôs a rastejar
Em solo
Que, imaginava eu, o último.

Apontou-me solos ainda mais baixos,
Horizontes ainda mais curtos,
Mediocridades emanadas
De mentes ainda mais opacas
Que aquelas que me sobrevêm nos
Meus tristes dias.

E o adubo, sob forma de estrume,
Que, de forma surpreendente,
É deixado ainda abaixo dos meus pés
Revigora-me,
Levanta-me a cabeça em direção
Ao infindável infinito.

Usando como combustível
O fétido lodo da irracionalidade
Que se espalha
E por vezes manda.

Maurício Granzinolli
mgran@urbi.com.br

Mulhers que Amo - Vencedora

Ser um empreendedor e uma pessoa vitoriosa no Brasil é muito difícil, até mesmo a família, muitas vezes fica no caminho de sucesso, como veremos abaixo:

Sofia era minha amiga desde que éramos pequenos. Era vizinha de muro da minha família e minha mãe adorava a mãe dela. Crescemos juntos, brincamos juntos e conversávamos muito juntos. Formamos uma personalidade parecida, mas Sofia sempre foi mais determinada e bem sucedida em tudo que quis. Desde cedo, organizava as festas juninas, arrecadava dinheiro paras as quermesses da Igreja Nossa Senhora e ajudava à sua irmã mais velha no salão de cabeleireiro em que ela trabalhava, bem na rua em que morávamos.
Estudante de primeira, com uma enorme vantagem sobre mim, tinha muita iniciativa. Era uma realizadora. Uma construtora. Escolheu, como eu, Administração de Empresas como sua profissão. Entrou na faculdade e conseguiu um estágio no inicio do terceiro período. Foi um sucesso e em menos de um ano, estava efetivada. Juntou dinheiro, rapidamente, e ao invés de procurar marido, como à maioria das suas amigas, decidiu criar um negócio próprio e construir sua independência financeira, sem depender de nada e nem de ninguém.
Em cinco anos, fundou sua empresa. “Ralou” muito no primeiro ano e viveu das reservas que tinha guardado de seu primeiro emprego. Firme e resoluta, agüentou os momentos mais difíceis da vida de um empreendedor, mas ao lado de seus três funcionários... venceu. Sua empresa cresceu e estabeleceu no mercado a sua marca e seu nome. Deveria ser um motivo de orgulho para toda a família, mas foi neste momento que seus problemas realmente começaram.
Dentro da sua família, apesar de nem ter uma residência própria ainda, era considerada rica. Tinha carro e morava em um bairro de classe média, próximo ao morro, apesar do apartamento ser alugado. Sua mãe, então, pediu que ela arrumasse um emprego para um primo. Sofia, como boa administradora que era, disse à sua mãe que estudaria o caso. Recebeu o primo para conversar e estudou suas referências e suas capacidades. Era um 'zero à esquerda', que não sabia nada e não queria nada desde a adolescência. Sofia recusou a arrumar o emprego, mas sua mãe insistiu, pois não podia decepcionar a irmã. Os irmãos insinuaram que ela estava ficando egoísta. “O que era um emprego afinal? Não vai custar nada, você ganha muito mais por mês do que vai pagar a ele!” afirmavam todos. Sofia ficou firme e não arrumou o emprego para ele em sua companhia, mas, por seus contatos, arrumou o emprego na empresa de um fornecedor.
Não demorou muito para o “favor”, se transformar em uma grande dor de cabeça. O primo era um vagabundo assumido e não gostou de ser imposto “trabalho” para ele, já que era parente de uma das principais clientes da empresa. O gerente engoliu o desaforo e agüentou um pouco mais, mas o primo acabou se envolvendo em uma greve, meio inexplicável, já que ele não trabalhava mesmo. Foi demitido. A família foi cobrar de Sofia a “injustiça” sofrida pelo “pobre coitado”, que estava defendendo os seus “direitos”, como todo trabalhador deveria fazer. Apenas esqueceu de dizer, que nunca havia trabalhado, até então, não poderia ser chamado de “trabalhador”, por conseqüência.
O incidente criou um racha na família, por “culpa” de Sofia, que não deu um emprego para o “pobre coitado”. É assim mesmo, de culpado a vítima, depende bem mais da lábia e de um bom sorriso do que da verdade. Embora, a experiência sirva para nos ensinar duras lições, Sofia parecia ter algumas ainda para aprender, infelizmente. Dias depois, seu irmão trouxe um ex-amigo do colégio, que estava trabalhado para uma empresa que fornecia itens para a empresa dela. Seu irmão queria que ela “desse uma força” pra ele, comprando em suas mãos alguns itens novos. O problema estava que a empresa em que ele trabalhava era uma grande porcaria e tinha baixos padrões de qualidade. Sofia ainda aceitou receber uma primeira remessa, mas os prejuízos causados a fizeram mudar de idéia. O irmão e a família inteira brigaram com ela, passou mais de um mês sem poder ir na casa dos pais, pois ninguém a olhava na cara. Ela era soberba e injusta. “Não gostava de pobres.” diziam todos. Esqueciam que ela havia arrumado e comprado imóveis para a maioria ali, inclusive a casa em que viviam.
Para fazer as pazes, Sofia aceitou contratar a namorada de um outro irmão. A garota tinha um bom histórico e as referências do emprego anterior era muito boas. Falou com o chefe dela e só recebeu elogios. Era uma forma segura de voltar “as boas” com a família. Contratou e fez um ótimo negócio, pois a menina era uma ótima funcionária mesmo. O problema agora era que ela... era boa demais. Muito bonita e com um belo corpo, acabou tendo um caso com o gerente de produção de Sofia, sem que ela soubesse de nada. O inevitável chute no irmão veio! A família inconformada, queria que Sofia despedisse os dois “vagabundos” e “traidores”, já que o irmão estava em depressão pela perda afetiva. Sofia ficava entre a “cruz e o caldeirão”. Os dois eram ótimos funcionários e o gerente estava com ela desde o princípio, sendo a pessoa de maior confiança que tinha dentro da empresa... mais do que na própria família. A pressão foi tanta que acabou cedendo.
Depois de tanto infortúnio, era de esperar que viria uma certa calmaria. Infelizmente, o ditado não estava servindo para Sofia. O mesmo irmão bonzinho, comprou um carro e usou papéis falsificados com a assinatura de Sofia. Não pagou a dívida, sumiu e deixou o “barulho” para irmã “egoísta” e “metida”, como todos eles diziam, para pagar. Sofia assumiu mais um prejuízo, percebendo que não haveria como viver tranqüilamente de seu sucesso, que não era valorizado. Encontrou um comprador para sua empresa, entrou em contato com um amigo que tinha uma pequena empresa em Miami, nos Estados Unidos e pegou um passaporte, sem que ninguém soubesse, e foi embora do Brasil.
Longe da família e amigos, Sofia cresceu profissionalmente. Ficou, realmente, rica. Casou e teve dois filhos. Agora, quando vem ao Brasil, é tratada por todos como uma vencedora e com reverência. Agora!


25 agosto 2007

Poesia - Joio

Nada é eterno! Nada é sempre bom e perfeito! Tudo muda! Somos obrigados a acompanhar a mudança para sobrevivermos no dia-a-dia, nosso poeta mostra a todos que ninguém é imune aos percalços da vida.

JOIO

Houve um tempo em que o Joio
Potnilhava como praga sem ameaça
Minha extensa plantação de trigo
Que, ao inigualável sol de outono,
Refletia em suas ricas espigas
O dourado ouro que norteava
Minha vida.

A colheita era serena
E a fartura do pão,
Uma certeza diária.
Hoje, pequenos pontos de trigo
Aparecem cada vez menores
Nos dominantes e inevitáveis
Campos de joio,
Que não refletem a luz do sol
Mas, sim, transforma em negra luz,
Que aponta, como um norte para a
Minha vida, apenas
Um obscuro e intransponível horizonte.

Na incansável luta para devolver a
Supremacia ao trigo
Visto-me de cinismo,
Enveneno-me com a náusea
Que me submete o joio
E a transformo em pura seiva
A qual emito ao ambiente,
Num dispendioso ato químico
Que, dia-a-dia,
Transforma o continente
Da minha esperança
Em pequena ilha rodeada
Por um mar de
decepções.

Maurício Granzinolli
mgran@urbi.com.br

Boogie Woogie - Motivação

O Falcão mostrou que um dos principais motivos da entrada de crianças no crime são: a pobreza e as relações familiares deterioradas. Mas serão os únicos motivos? Na minha vida dentro da favela, vi muito poucos que se enquadravam neste perfil. Vi crianças entrarem nesta vida por N motivos, como veremos na estória abaixo.

Frederico, ou melhor Rico, era um garoto bem comum, quando o conheci. Bom aluno, jogador razoável de futebol, não tinha grandes problemas com os pais, pois ambos viviam juntos a mais de quinze anos, sem brigas ou grandes problemas aparentes, pelo menos que vazassem para a fofoca das “matronas”. Ele tinha um irmão mais novo, de nome Guilherme, já que seu pai era um entusiasta de história, principalmente, alemã. Na verdade, ele queria por o nome do filho de Bismarck, mas a esposa não deixou.
Era um pouco franzino e tinha que agüentar os “apuros” proporcionados pelos valentões mais avançados. Nunca reagia, aceitando as brincadeiras maldosas sem nunca reclamar. Em suma, era um garoto normal, de uma família normal, com uns doze anos. Mas, infelizmente, tudo mudou, quando ele viu um traficante impondo uma humilhação pública em um “vapor”, durante à noite. Percebeu o poder que tinha aquele garoto com uma arma na mão. O traficante em questão, não era muito mais velho que ele e nem mais forte. Apenas tinha “autoridade” e “respeito” do “vapor” submisso.
Rico começou a se interessar por aquele poder. Vigiou os garotos da escola que estavam ligados ao tráfico e quando estava no morro, sempre brincava próximo da “boca-de-fumo”, para descobrir o que faziam. Notou uma coisa, principalmente, a violência e a crueldade entre eles. O poder vindo da força de vontade e não da força física, simplesmente. Não demorou, Rico arrumou problema no colégio. Bateu em outro estudante e começou a aterrorizar os menores. Para não sofrer represálias de outros garotos, juntou uma turma, que o seguia para todo o lugar. Era muito inteligente, percebeu que poderia roubar lanches e dinheiro de garotos menores, pois estes nada diziam a seus pais em casa. Rapidamente, ganhou “respeito” e “autoridade” na escola.
Em uma das brigas que arrumava, quase diariamente, acabou sendo pego por um inspetor que o levou à diretoria. Mas como tinha boas notas, nunca havia se metido em encrencas, era branco e seus pais vinham a todas as reuniões de professores. O diretor mandou apenas uma advertência para ser assinada pelos pais e nada mais. Rico não entregou, é claro, assinou ele mesmo a advertência e continuou a agir com seu grupo, cada vez mais numeroso. Não demorou, um garoto, de uma série mais baixa que a dele, falou para os pais e estes ao diretor. Era uma rescindência. Chamou os pais de Rico e descobriu sobre a advertência. Pais e diretores, acharam que era uma ação de rebeldia normal da idade. Decidiram, apenas conversar com ele e não tomar nenhuma atitude mais forte.
Rico percebeu que deveria ser mais sútil na sua abordagem. Não parou com seus atos, passou a fazer vandalismo e a pichar muros, criando uma marca própria para seu grupo. O seu “respeito” cresceu, que até os garotos do “movimento” o conheciam. A soberba fez com que Rico vacilasse e acabasse fazendo uma besteira: bateu no sobrinho da namorada do “patrão” do morro. Avisado com antecedência que os garotos do “movimento” estavam atrás dele. Fugiu da escola e foi para a casa de uma tia na Baixada fluminense, onde ficou escondido por alguns dias, para desespero de seus pais.
Acabou sendo descoberto e repatriado para o morro, mas para a sua sorte, o “patrão” acabou se envolvendo em um tiroteio e acabaram esquecendo o que fizera. O diretor, porém, resolveu suspendê-lo. Passou a ficar na rua, com o pai e a mãe trabalhando, ninguém para vigiá-lo, acabou entrando para o tráfico. Acabou recebendo a sua primeira arma e atirou pela primeira vez contra uma pessoa. A adrenalina e o poder o contaminou. Ficou mais violento e intratável. Voltou para o colégio e agora, aterrorizava os professores e o próprio diretor. Furou os pneus do carro dele com tiros. Ninguém no colégio, ninguém na sua casa, agora tinham coragem para enfrentá-lo. O pai tentou, mas acabou levando uma coronhada e sendo expulso de casa. A mãe ficou para tentar “salvar” o seu menino. Mas para alguém ser salvo, ele tem que querer ser.
Logo, ganhou “respeito” do novo “patrão”. Ascendeu, rapidamente, na “organização”, mas não tinha paixão pelo dinheiro, mas sim o poder que este proporcionava. Gostava, realmente, de ver o olhar de medo em todos quando estava por perto. O novo “patrão” não durou e formou um vácuo de poder. Não veio um novo “patrão”, pois os que o escolhem, acharam que o morro não valia a pena. Rico percebeu isso e assumiu o morro ele mesmo. Com mão de ferro de um adolescente que ainda não havia se debruçado sobre o quê é a morte. Instigou medo em todos, bandidos ou pessoas inocentes. Sem interesse, propriamente, no dinheiro. Fazia pequenos roubos com seu grupo. Assaltava os próprios moradores, fato que nenhum outro “patrão” já havia feito.
Foi quando viu a Cláudia, uma mulher mais velha, com uns 22 anos e muito bonita. Por seu “respeito” alcançado, acreditou que a moça aceitaria ser sua namorada. A menina recusou. Ele descobriu que ela namorava um “playboy” do Jardim Guanabara, sua raiva cresceu e em uma noite, quando ela chegara de madrugada, trazida pelo namorado, ele e seu grupo a cercaram e a estupraram no meio da rua. Prática que passou a ser comum no morro, não importando a idade e nem de quem ela era filha. Foram doze meninas estupradas, algumas dentro da própria casa sob os olhos dos pais impossibilitados de defender as filhas. A polícia foi comunicada, mas como todos os crimes estavam acontecendo dentro da favela e o garoto não ganhava dinheiro suficiente para pagar subornos, ninguém se incomodou de ir fazer-lhe uma “visitinha de cortesia”, pelo menos.
O reinado de Rico já durava uns seis meses, quando os moradores, percebendo que nem traficantes e nem policiais, iriam tomar alguma atitude em relação ao garoto-marginal. Eles tomaram. Um grupo de pais se reuniu à noite, pegaram a mãe dele e a tiraram de casa. Um grupo de 20 pais entrou com paus na casa, agarram o adolescente e o mataram de pancadas. A mãe entrou em desespero gritando que ele era só um menino, mas todos o viam com a figura do próprio demônio.
Apesar de ter uma boa família, educação e estabilidade, Rico fora tomado pela sede de poder que nos é vendida a todo momento. Alguns saciam esta sede trabalhando, outros corrompendo ou sendo corrompidos, outros destruindo a vida de trabalhadores e empresários com falcatruas e atos de vigarice. Não importa, o motor é sempre o mesmo: poder.


18 agosto 2007

Poesia - Meu Beija-Flor

Perder o caminho da vida é um fato corriqueiro para todos nós, mas apenas quem passa por este momento pode compreender o peso que ele significa. Quão difícil é sobreviver a ele e, principalmente, superá-lo. Nosso poeta nos remete as suas próprias dúvidas e questionamentos de seu momento de perda.

MEU BEIJA-FLOR

Caminho sete léguas todos os dias
Com o corpo estático
E a visão retrograda
A iluminar apenas o meu passado.

Mesmo com todas as evidências,
Não quero crer
Que, como areia nas mãos,
Escorre por entre meus dedos
A minha única porção de vida viva

Da qual hoje em vão
Procuro encontrar cada fragmento
Em campos que, de antemão,
Sei-os vazios.

Retomo imagens da minha mente
De clara vida, que se turvam
Com o cinza do presente,
E a nitidez da consciência
Perde-se na paralela
Insanidade do contraste

Grita sozinho como um louco
Num vale de ecos
Onde deuses moucos
Devovem intactas
Minhas súplicas.

Volto-me, então, às pedras;
Deuses concretos e eternos
E rogo-lhes que tirem meus sentidos.

Na ausência de respostas,
Penso que também posso libertar
Minha alma.
Armo-me, então, para tal,
E uma intensa escuridão me sobrevém.

Ante uma guerra,
Entre alívio e medo,
Um raio de luz permeia
Como um laser
A negra névoa
E me faz lembrar
Que a minha vida não me pertence
Pois, está docemente presa,
Ao coração de uma flor.

Maurício Granzinolli
mgran@urbi.com.br

Mulheres que Amo - Mãe Executiva

Nos meses que escrevo neste blog, meus textos, em sua maioria, tem uma conotação de crítica as mulheres que amo, mas os textos que inicio neste momento, tentarei mostrar que as diferenças entre homens e mulheres, as fazem ainda mais especiais.

Marina foi a primeira 'chefe-mulher' que tive na vida. Sempre ouvi um monte de barbaridades de ter uma mulher como executiva. Era assustador e uma tremenda falácia. Logo percebi que, apesar de um certo comportamente defensivo dela em relação as ações de seus subordinados masculinos, era bem melhor trabalhar com ela do que qualquer dos outros chefes masculinos com quem havia trabalhado.
Era atenciosa com os funcionários, apoiava suas decisões, nunca exercia seu poder em frente a pessoa que não fosse do setor e tinha um certo comportamento corporativista em relação a todos nós. Nos defendia em qualquer situação, mesmo quando estavamos errados. Depois, no recesso de sua sala, tentava consertar a besteira feita. Tinha uma visão de negócios moderna e antenada com as novas ações dos executivos modernos e sempre descartava aquilo que parecia ser mais uma invenção de auto-ajuda do que preceitos administrativos. Em suma, era uma pessoa respeitada por todos nós. Nunca tivemos um rendimento tão alto no trabalho e nem na empresa. Sem falar em seu comportamento ético e a valorização do mesmo em todos os que o respeitavam.
Nada pode ser tão perfeito assim! Marina era casada já há alguns anos e não tinha filhos. Exercia o cargo de chefia a quase quatro anos, não tirava férias e vivia demais focada no trabalho. No final do ano, em uma das muitas festas organizadas para comemorar o natal na empresa, várias das mulheres que trabalhavam lá, levaram seus filhos para se divertirem com elas. Marina ficou abatida e sensível. O chamado da maternidade estava gritando em seus ouvidos. Sentiu que já era hora de concretizá-lo. Na casa dos trinta, todos lhe diziam que já havia passado da hora. Ao mesmo tempo, falam à ela que um filho/filha atrapalharia sua vida profissional. O casamento: estava muito bem, obrigado!
Conversou com seu marido e decidiram ter um filho no ano seguinte. Ela contou a todos no departamento e a notícia chegou nos ouvidos do seu chefe – é claro que ela tinha um chefe, e bem pentelho, por sinal. Ele a chamou para uma conversa privativa e avisou-a (na realidade, ameaçou-a), que ela não poderia sustentar seu cargo na empresa, tendo a responsabilidade de criar uma criança e, menos ainda, seria possível gozar os meses de auxílio-maternidade, que tinha direito. Marina ficou um pouco intimidada, mas o opoio de seu marido e dos amigos, foi fundamental para a manutenção de sua decisão. Nasceu o Roberto!
Ela gozou seus quatro meses de licença-maternidade e quando retornou, não tinha mais seu cargo. Passou alguns meses realizando atividades secundárias até decidir pedir demissão. Saiu da empresa e ficamos órfãos de uma grande pessoa e amiga. A empresa perdeu uma profissional de alto padrão e de valores éticos. A totalidade dos homens da empresa acreditavam que ela havia feito uma tremenda loucura, pois era estupidez abandonar uma carreira ascendente para ter um filho. Houve um bolão de apostas para saber quanto tempo levaria para ela se arrepender da decisão tomada e pedir o emprego de volta. Mas não foi o que aconteceu!
Os três primeiros anos da vida de Roberto, Marina dedicou a cuidar dele e da casa. Transformou-se em uma ótima dona de casa e uma excelente mãe. O marido trabalhava dobrado para poder pagar as contas, mas ambos estavam extremamente felizes com tudo aquilo. Foi quando a reencontrei! Precisava de alguém para fazer alguns trabalhos de planejamento estratégico, da nova empresa que estava trabalhando, lembrei dela e fui conversar com ela. Expliquei que não precisaria sair de casa, mandaria via internet todos os documentos e ela poderia me contactar da mesma forma. Quando fosse necessário, eu iria a casa dela discutir o assunto.
A parceria deu certo e floresceu. Ela era uma profissional excepcional e várias de suas idéias renderam grandes lucros. O diretor da empresa resolveu contratá-la, não mais como autònoma, mas como uma colaboradora efetiva. Voltou a vida executiva transformada. Não mais uma viciada em trabalho, mas uma pessoa que dosava a vida familiar e a empresarial em termos de igualdade. Por incrível que possa parecer, sua produtividade cresceu. Tanto, que decidiu ter um novo filho e teve. Desta vez, não perdeu o emprego, na realidade acabou gozando não só os quatro meses de licença-maternidade, mas ficou um ano trabalhando em casa remotamente. Voltou para a empresa e assumiu um cargo ainda mais importante. Enquanto isso, a empresa em que nós trabalhavamos e que não valorizou o instinto maternal de uma de suas principais executivas, passava dificuldades financeiras e seus principais funcionários abandonavam o 'barco' da empresa, deixando-a à deriva no mar das incertezas empresariais. O valor da capacidade humana não deve ser medido por uma presença meramente física, mas intelectual. Em relação a este ponto, as mulheres estão muito à frente dos homens, pois compreenderam a necessidade de multi-tarefas e ações em diversas frentes e campos de atuação.

11 agosto 2007

Poesia - Caçadoras

Reminiscências de tempos perdidos, marcam a vida de todos nós. Ficamos a buscar sem sentido, aquelas doces lembranças de nosso passado, não tão distante. Nosso poeta faz sua viagem, mas sem encontrar o caminho para o seu momento.

CAÇADORAS

POR ONDE ANDAM AQUELAS DOURADAS
TARDES
DE UM ÚMIDO CALOR
A FERTILIZAREM
COM O SÊMEM DO VERÃO
O PERMANENTE FOGO?


POR ONDE ANDAM
AS PRENDAS DO DESEJO,
NATURAIS CAÇADORAS
QUE, NAQUELAS SEDUTORAS TARDES,
COMPORTAM-SE COM A DISPLICÊNCIA
DE INATINGÍVEIS PRESAS?


ONDE ANDAM AQUELAS PALAVRAS
TÃO FALSAS
QUANTO O AMOR PROMETIDO
A ENCONTRAR OUVIDOS
TÃO CONVINCENTES DA VERDADE?


POR ONDE ANDAM AQUELAS MÃOS
TÃO SEGURAS E QUENTES
QUE, EM TOQUES CONVINCENTES,
SOMAVAM-SE AO IMINENTE SIM?


POR ONDE ANDAM AQUELAS
EDEMACIADAS BOCAS
QUE, INFLADAS PELO DESEJO,
JUNTAS,
SOMAVAM MAIS QUE DUAS?


POR ONDE ANDAM AQUELAS NOITES
QUE, FORTES, SEMPRE VENCIAM
AS TARDES?
E, EM CUMPLICIDADE,
OFERECIAM-SE COMO PROTEÇÃO
E CENÁRIO
PARA, AO FIM DO ATO DE DOIS
ATORES,
FAZEREM RENDEREM-SE DE PÉ
TODAS AS ESTRELAS
QUE, EM UNÍSSONO,
DESPENCAVAM AGRADECIDAS
PÉTALAS DE APLAUSOS.


Mauricio Granzinolli
mgran@urbi.com.br

Boogie Woogie - A Partida

Conviver é um ato difícil de ser realizado. Quanto maior as diferenças, maiores os motivos de atrito e confusões. Esta é uma história de como uma situação assim pode descambar para violência ou para a amizade.

Ciraldo é um cara muito nervoso, 'perde a cabeça' com muita facilidade e esta foi uma ocasião em que ele nos meteu em encrencas por causa disto. Discutiu na praia sobre um assunto irrelevante com um 'playboizinho' do Jardim Guanabara. Acabamos parando no Campo da Vila para uma partida de futebol entre nós e eles. A discussão ser resolvida em uma partida de futebol, foi uma decisão civilizada e inteligente das partes, pois acabou evitando a resolução do conflito via 'músculos'.
O Campo da Vila foi escolhido pela segurança da marinha, pois o campo pertence a esta divisão militar, e por ser o de mais fácil acesso para todos. Difícil acreditar que o Iate Clube Jardim Guanabara aceitaria nos receber para uma partida de futebol. Seríamos barrados na porta do clube, com certeza. O campo é bom, tamanho oficial e temos todo o material necessário para o jogo com facilidade guardado em um botequim do outro lado da rua. O jogo foi marcado para sábado de manhã, assim não atrapalharia os torneios que são realizados lá. Às sete e meia, todos já haviam chegado e a tensão começou a aumentar devido aos detalhes sem nenhuma importância. Enquanto a maioria de nós chegava a pé e descalço, os 'playboy' do jardim Guanabara chegava de carro ou moto. Traziam chuteiras e material próprio para o jogo, todo novinho em folha. Nós, por outro lado, vínhamos com roupas simples e inadequadas para o jogo, alguns de calções e a maioria de bermudas, principalmente, de jeans, nada adequado para a prática do futebol.
Os garotos do Jardim Guanabara trouxeram uma sacola, onde estavam uniformes numerados e com o nome de cada um deles grafado nas costas. Nós não tínhamos uniformes e usávamos um colete colorido sobre nossas camisas para poder nos diferenciar. Não havia números e nem identificação do jogador nas costas, apenas uma marca da loja que nos vendera o colete. As chuteiras eram o principal motivo de discórdia e inveja nossa, pois grande parte de nossa equipe jogaria descalça e poderia se machucar em qualquer choque mais duro entre os jogadores. Ciraldo tentou argumentar que todos deveriam jogar descalços, para igualar a situação, mas os 'playboy' não quiseram nem ouvir. Se tivessem que jogar descalços, não haveria jogo. Não iriam machucar seus 'delicados' pezinhos devido a nossa equipe não ter equipamento adequado. Era problema nosso.
Naldo foi enviado para arrumar tênis para todos que estavam descalço. Enquanto, os garotos da praia ligavam um rádio e começaram a se divertir e dançar antes do jogo. Chegaram algumas meninas para torcer por eles, a maioria era linda e criou um alvoroço entre nós, pois para torcer por nós só tínhamos os reservas de nossa equipe, como eu mesmo. Também, trouxeram com elas, sucos e sanduíches para comerem antes e depois do jogo. A maioria de nós, nem tinha tomado café da manhã ainda. Era um jogo de extremos, alguns pensaram em desistir, pois já estavam sendo humilhados antes mesmo da partida ter início. Ciraldo ficou irado e gritou com todo mundo: “Ninguém 'arreda' o pé daqui! Vamos ganhar desta 'playboizada' metida a besta. Vocês vão ver.” A exaltação melhorou um pouco a moral do grupo, mas olhar para o adversário era um motivo de desânimo e irritação entre todos.
Naldo voltou e conseguiu tênis para todos, apesar da maioria ser grande demais ou pequeno demais para quem iria ter de usá-los. O jogo poderia começar. Era um jogo de extremos, em que eles já começavam moralmente vencendo, seriam noventa minutos de um combate entre forças desiguais, que se colocassem os jogadores enfileirados, já daria para notar pela uniformidade da altura dos jogadores do Jardim Guanabara e a total falta de padrão dos jogadores do Boogie Woogie. Graças a Deus que no futebol o placar só gira com a bola rolando e com a bola rolando, todos são igualados pela técnica e capacidade física.
Com a bola nos pés, novos gigantes surgiram de ambos os lados. Entre os 'playbois', destacava o goleiro... excelente e salvou os garotos de uma derrota mais humilhante, enquanto de nosso lado, dois moleques franzinos e desnutridos davam um 'show'. Bucho e Gordo, dominaram e comandaram o jogo no meio do campo e não deram chance a equipe adversária. Era uma técnica completamente desigual e superior, contra um esforço dedicado e disciplinado. Técnica contra Força Física. Genialidade contra Tática. Era uma grande partida de futebol, em que a dedicação e a vontade de ambos os lados superava qualquer deficiência.
No terceiro gol da dupla endiabrada do Boogie Woogie, até as meninas do Jardim Guanabara já estavam aplaudindo o espetáculo que eles proporcionavam. Juntou, rapidamente, uma multidão para assistir. Aplausos e gritos de incentivo começaram a surgir de todos os lados, havia agora uma verdadeira torcida dividida participando ativamente do evento.
Aconteceram choques e discussões, mas ambos os lados escolheram respeitar o espetáculo e o público. Ficaram concentrados no jogo e deram uma lição de educação e ética. A partida acabou 4 a 2 pros garotos do Boogie Woogie. Fizeram festa e gritaram de felicidade para expor seus sentimentos de vitória, após terem começado a partida moralmente abatidos. Um gesto de Ciraldo marcou a comemoração, foi até o garoto com quem havia discutido e o chamou para participar da comemoração. Fomos todos para o Bar do Paulinho do outro lado da rua, compramos refrigerantes e sanduíches, improvisamos mesas com alguns entulhos deixados pela Light na rua e quando percebemos. Todos estavam confraternizando uns com os outros de forma alegre e feliz. Não havia vencidos, somente vencedores, felizes por terem superado suas diferenças e poderem realizar aquele evento juntos. Juntos e felizes.


04 agosto 2007

Poesia - Descobertas

A vida é cheia de frustrações e desilusões, não há como fugir disto. Os percalços são parte do caminho, temos de aprender a conviver e suportar tudo isto. Nosso poeta segue em seu caminho de aprendizado pela vida, contando-nos como suporta as dificuldades que surgem.

DESCOBERTAS

Jamais vislumbrei a possibilidade de atormentar-me
Com decepções,
Que não fossem aquelas naturais, causadas pelas
Mulheres,
Ou ainda aquelas outras, que o próprio
Curso da vida nos impõem,
Travestidas de destino.

Mas como o corpo é grande,
Grande também se torna o alvo,
Para ser alvo de toda a sorte de frustrações.
Novas ilusões desfeitas, despontam em cada canto,
Outrora tidos como fiéis acolhedores.

Fecundo e a salvo, cavalga a incoerência
Em segura estrada,
Como mensageira da iniquidade,
Dispara suas letais lanças,
Que de tão vil,
Impedem-me de devolvê-las
Como a mesma moeda.

E assim a injustiça se fortalece,
Graça, inverte valores,
E se petrifica como lei.

Resta-me então como resposta,
A singeleza dos meus versos,
Que com sacríficio são cochichados
Aos confidentes ouvidos
Do tolerante e imaculado papel.

Maurício Granzinolli
mgran@urbi.com.br

Mulheres que Amo - Doença Contagiosa

Odeio o ciúme! Não acredito nesta bobagem de o "ciúme é o tempero do amor!" O ciúme é na realidade a prova mais cabal de que não existe amor na relação. Ciúme é posse. Posse não é amor. esta é uma pequena história a este respeito.

O ciúme é uma doença contagiosa! Tinha duas amigas no trabalho que eram casadas. Sônia era uma ciumenta patológica e Maria Helena era a máscara da tranqüilidade. Sônia seguia seu marido o tempo todo, cheirava as roupas do trabalho e procurava marcas de batom e perfume estranho nas roupas dele antes de lavá-las. Havia conhecido, em uma festa de fim de ano, amizade com uma garota do trabalho do marido e a convenceu a vigiá-lo por ela, a menina entregava relatórios semanais de todas as atividades dele.
Isto tudo não bastava para Sônia! Infernizava a vida de Maria Helena para que ela seguisse seu exemplo de esposa. “Não pode dar mole, não!” afirmava categoricamente. Qualquer comentário que Maria Helena fizesse sobre o marido era motivo para uma acirrada discussão sobre traição. Em tudo, havia sinais de que o marido de Maria Helena a estava traindo. Maria Helena resistia as investidas de Sônia como podia. Sônia, no entanto, não dava uma folga e chegou mesmo a se oferecer para acompanhar Maria Helena em uma vigília ao marido, que iria participar de um Congresso de Vendedores em uma cidade próxima.
Tanto fez, que um dia Maria Helena começou a 'dar ouvidos' as afirmações dela. Achou o comportamento do marido estranho, de acordo com os 'sábios' conselhos de Sônia. As duas trocaram confidências e compararam o comportamento dele. Sônia foi incisiva: “Ele está te traindo!”. Desta feita, Maria Helena passou a acreditar que havia algo, realmente, errado. Iniciou seu processo de investigação. Indagações as esposas de amigos dele no trabalho e começou a investigar suas roupas e pertences em busca de um sinal que indicasse a traição.
Sônia ficou tão excitada com os relatos que Maria Helena fazia, que decidiu ir até a casa da amiga e ajudá-la na busca de algo 'comprometedor'. Todos nós do escritório, tentamos convencer Maria Helena que não havia nada errado e aquilo tudo era fruto da insistência alucinada de Sônia, mas Sônia replicava: “São homens! Estão todos 'mancomunados um com o outro! Não acredite em nada que eles dizem! São todos iguais!” Assim Maria Helena mergulhou de cabeça na paranóia de Sônia.
O marido de Maria Helena, rapidamente, notou o comportamento estranho e tão diferente da esposa. Indagou o que estava acontecendo, mas diferente do comportamento normal de sua esposa, que tudo lhe dizia, ela desconversou. Naquele momento, ele aceitou. Mas as perguntas incessantes sobre “Onde você esteve? Com quem você estava? Tinha alguma mulher lá?” Aquilo começou a irritá-lo. As brigas do casal passaram a ser constante e Maria Helena, finalmente, o confrontou com sua 'traição'. Seu marido a chamou de louca e que estava alucinando. “Não tenho ninguém! Vivo trabalhando e pagando contas desta casa, não tenho tempo para nada!” Estas respostas não eram satisfatórias, pois Sônia replicava para ela: “Quando quer, tem tempo pra elas!” Estava claro, que a única resposta possível e satisfatória seria: “Sim, estou te chifrando com a fulana de tal!” Mas ela não vinha.

A água tanto bate, até que fura!” Neste caso, o relacionamento de Maria Helena. O marido, não acostumado com aquelas constantes cobranças, decidiu abandonar a casa e 'dar um tempo', para ver se a esposa se acalmava. Maria Helena começou a perceber que havia feito uma tremenda besteira 'dando ouvidos' a Sônia. Mas esta replicava: “saiu de casa, porque você estava chegando perto. Não tava dando mais pra esconder a amante.” Maria Helena ficou em um dilema, seu ciúme não havia trazido nada mais do que brigas e desentendimentos com o marido, forçando-o a sair de casa, mas será que tudo não era como Sônia afirmava. O casamento de Sônia estava firme apesar de tudo que ela fazia com o marido, o seu ciúme descontrolado.
Para salvação do casamento de Maria Helena, um dia Sônia não apareceu para trabalhar. Não era um fato estranho, mas ela sempre avisava de suas faltas, mas naquele dia fora diferente. Passou uma semana inteira sem Sônia aparecer no trabalho. Todos se perguntavam o que poderia ter acontecido. Maria Helena era a mais preocupada de todos, pois havia perdido sua 'Conselheira' particular. Não suportando a falta de notícias e, principalmente, necessitando de 'conselhos' urgentes sobre o seu próprio 'caso', decidiu ir até a casa de Sônia e descobrir o que estava acontecendo.
Ao chegar, encontrou Sônia com os olhos de quem estava chorando a dias. Cabeça baixa e um olhar perdido no espaço, deixou-a entrar e jogou a bomba no colo da amiga e confidente. Henrique, seu marido, havia saído de casa. Fora morar com a 'espiã' que Sônia arregimentara para sua causa santa. Ela estava inconsolável, por não ter percebido nada... nem um sinal sequer do que estava acontecendo embaixo de seu nariz. A 'expert' em assuntos de traição, tinha sido traída. Nada do que fizera serviram para alguma coisa, apenas para afastar seu marido mais e mais. A doença que a consumira por anos, agora desvanecera. Não tinha mais um propósito ou objetivo. Não sabia o que fazer, nem o que dizer.
Maria Helena sabia bem o que deveria fazer. Saiu correndo da casa de Sônia e foi correndo até o trabalho do marido e pediu perdão por todas as bobagens que vinha fazendo e dizendo. Fez todas as promessas possíveis e imagináveis que pôde pensar para que o marido voltasse para casa. O marido que ainda a amava, pegou as coisas na casa de seus pais, onde estava morando e voltou para casa, meio desconfiado. O casal voltou a ter sua vida tranqüila de volta, sem os atropelos.
A 'Conselheira' voltou ao trabalho depois de um mês, mas Maria Helena pediu transferência e nunca mais trocou uma palavra sequer com Sônia, não queria ser contaminada novamente.