25 agosto 2007

Poesia - Joio

Nada é eterno! Nada é sempre bom e perfeito! Tudo muda! Somos obrigados a acompanhar a mudança para sobrevivermos no dia-a-dia, nosso poeta mostra a todos que ninguém é imune aos percalços da vida.

JOIO

Houve um tempo em que o Joio
Potnilhava como praga sem ameaça
Minha extensa plantação de trigo
Que, ao inigualável sol de outono,
Refletia em suas ricas espigas
O dourado ouro que norteava
Minha vida.

A colheita era serena
E a fartura do pão,
Uma certeza diária.
Hoje, pequenos pontos de trigo
Aparecem cada vez menores
Nos dominantes e inevitáveis
Campos de joio,
Que não refletem a luz do sol
Mas, sim, transforma em negra luz,
Que aponta, como um norte para a
Minha vida, apenas
Um obscuro e intransponível horizonte.

Na incansável luta para devolver a
Supremacia ao trigo
Visto-me de cinismo,
Enveneno-me com a náusea
Que me submete o joio
E a transformo em pura seiva
A qual emito ao ambiente,
Num dispendioso ato químico
Que, dia-a-dia,
Transforma o continente
Da minha esperança
Em pequena ilha rodeada
Por um mar de
decepções.

Maurício Granzinolli
mgran@urbi.com.br

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