18 agosto 2007

Poesia - Meu Beija-Flor

Perder o caminho da vida é um fato corriqueiro para todos nós, mas apenas quem passa por este momento pode compreender o peso que ele significa. Quão difícil é sobreviver a ele e, principalmente, superá-lo. Nosso poeta nos remete as suas próprias dúvidas e questionamentos de seu momento de perda.

MEU BEIJA-FLOR

Caminho sete léguas todos os dias
Com o corpo estático
E a visão retrograda
A iluminar apenas o meu passado.

Mesmo com todas as evidências,
Não quero crer
Que, como areia nas mãos,
Escorre por entre meus dedos
A minha única porção de vida viva

Da qual hoje em vão
Procuro encontrar cada fragmento
Em campos que, de antemão,
Sei-os vazios.

Retomo imagens da minha mente
De clara vida, que se turvam
Com o cinza do presente,
E a nitidez da consciência
Perde-se na paralela
Insanidade do contraste

Grita sozinho como um louco
Num vale de ecos
Onde deuses moucos
Devovem intactas
Minhas súplicas.

Volto-me, então, às pedras;
Deuses concretos e eternos
E rogo-lhes que tirem meus sentidos.

Na ausência de respostas,
Penso que também posso libertar
Minha alma.
Armo-me, então, para tal,
E uma intensa escuridão me sobrevém.

Ante uma guerra,
Entre alívio e medo,
Um raio de luz permeia
Como um laser
A negra névoa
E me faz lembrar
Que a minha vida não me pertence
Pois, está docemente presa,
Ao coração de uma flor.

Maurício Granzinolli
mgran@urbi.com.br

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