18 agosto 2007

Mulheres que Amo - Mãe Executiva

Nos meses que escrevo neste blog, meus textos, em sua maioria, tem uma conotação de crítica as mulheres que amo, mas os textos que inicio neste momento, tentarei mostrar que as diferenças entre homens e mulheres, as fazem ainda mais especiais.

Marina foi a primeira 'chefe-mulher' que tive na vida. Sempre ouvi um monte de barbaridades de ter uma mulher como executiva. Era assustador e uma tremenda falácia. Logo percebi que, apesar de um certo comportamente defensivo dela em relação as ações de seus subordinados masculinos, era bem melhor trabalhar com ela do que qualquer dos outros chefes masculinos com quem havia trabalhado.
Era atenciosa com os funcionários, apoiava suas decisões, nunca exercia seu poder em frente a pessoa que não fosse do setor e tinha um certo comportamento corporativista em relação a todos nós. Nos defendia em qualquer situação, mesmo quando estavamos errados. Depois, no recesso de sua sala, tentava consertar a besteira feita. Tinha uma visão de negócios moderna e antenada com as novas ações dos executivos modernos e sempre descartava aquilo que parecia ser mais uma invenção de auto-ajuda do que preceitos administrativos. Em suma, era uma pessoa respeitada por todos nós. Nunca tivemos um rendimento tão alto no trabalho e nem na empresa. Sem falar em seu comportamento ético e a valorização do mesmo em todos os que o respeitavam.
Nada pode ser tão perfeito assim! Marina era casada já há alguns anos e não tinha filhos. Exercia o cargo de chefia a quase quatro anos, não tirava férias e vivia demais focada no trabalho. No final do ano, em uma das muitas festas organizadas para comemorar o natal na empresa, várias das mulheres que trabalhavam lá, levaram seus filhos para se divertirem com elas. Marina ficou abatida e sensível. O chamado da maternidade estava gritando em seus ouvidos. Sentiu que já era hora de concretizá-lo. Na casa dos trinta, todos lhe diziam que já havia passado da hora. Ao mesmo tempo, falam à ela que um filho/filha atrapalharia sua vida profissional. O casamento: estava muito bem, obrigado!
Conversou com seu marido e decidiram ter um filho no ano seguinte. Ela contou a todos no departamento e a notícia chegou nos ouvidos do seu chefe – é claro que ela tinha um chefe, e bem pentelho, por sinal. Ele a chamou para uma conversa privativa e avisou-a (na realidade, ameaçou-a), que ela não poderia sustentar seu cargo na empresa, tendo a responsabilidade de criar uma criança e, menos ainda, seria possível gozar os meses de auxílio-maternidade, que tinha direito. Marina ficou um pouco intimidada, mas o opoio de seu marido e dos amigos, foi fundamental para a manutenção de sua decisão. Nasceu o Roberto!
Ela gozou seus quatro meses de licença-maternidade e quando retornou, não tinha mais seu cargo. Passou alguns meses realizando atividades secundárias até decidir pedir demissão. Saiu da empresa e ficamos órfãos de uma grande pessoa e amiga. A empresa perdeu uma profissional de alto padrão e de valores éticos. A totalidade dos homens da empresa acreditavam que ela havia feito uma tremenda loucura, pois era estupidez abandonar uma carreira ascendente para ter um filho. Houve um bolão de apostas para saber quanto tempo levaria para ela se arrepender da decisão tomada e pedir o emprego de volta. Mas não foi o que aconteceu!
Os três primeiros anos da vida de Roberto, Marina dedicou a cuidar dele e da casa. Transformou-se em uma ótima dona de casa e uma excelente mãe. O marido trabalhava dobrado para poder pagar as contas, mas ambos estavam extremamente felizes com tudo aquilo. Foi quando a reencontrei! Precisava de alguém para fazer alguns trabalhos de planejamento estratégico, da nova empresa que estava trabalhando, lembrei dela e fui conversar com ela. Expliquei que não precisaria sair de casa, mandaria via internet todos os documentos e ela poderia me contactar da mesma forma. Quando fosse necessário, eu iria a casa dela discutir o assunto.
A parceria deu certo e floresceu. Ela era uma profissional excepcional e várias de suas idéias renderam grandes lucros. O diretor da empresa resolveu contratá-la, não mais como autònoma, mas como uma colaboradora efetiva. Voltou a vida executiva transformada. Não mais uma viciada em trabalho, mas uma pessoa que dosava a vida familiar e a empresarial em termos de igualdade. Por incrível que possa parecer, sua produtividade cresceu. Tanto, que decidiu ter um novo filho e teve. Desta vez, não perdeu o emprego, na realidade acabou gozando não só os quatro meses de licença-maternidade, mas ficou um ano trabalhando em casa remotamente. Voltou para a empresa e assumiu um cargo ainda mais importante. Enquanto isso, a empresa em que nós trabalhavamos e que não valorizou o instinto maternal de uma de suas principais executivas, passava dificuldades financeiras e seus principais funcionários abandonavam o 'barco' da empresa, deixando-a à deriva no mar das incertezas empresariais. O valor da capacidade humana não deve ser medido por uma presença meramente física, mas intelectual. Em relação a este ponto, as mulheres estão muito à frente dos homens, pois compreenderam a necessidade de multi-tarefas e ações em diversas frentes e campos de atuação.

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