31 agosto 2007

Poesia - Entressafra

Nosso poeta vem nos mostrar que nenhuma situação é tão deseperadora, sempre há fatos piores e pessoas em situações ainda mais difíceis de encarar.

ENTRESSAFRA

Há grandes temporadas de desânimo:
Cheiro de fracasso passeia pelo ar
Que me rodeia,
De tal forma, que é impossível
Filtrá-lo.

Caminho em um tristonho cabisbaixo
Como se o chão que me sustenta
Fosse meu único horizonte.

Até mesmo o azul do infinito,
Coroado pelo áureo amarelo
Do incandescente sol,
Que, em dias outros,
Despertava-me a esperança
E a conduzia seguro até
Os limites da imaginação.

Nos tristes dias dos meus dias,
Toda aquarela
De incomparável grandeza
É posta ao lado com desprezo
E até desconfiança.

Mas o tempo!
Aquele mesmo tempo
Que me pôs a rastejar
Em solo
Que, imaginava eu, o último.

Apontou-me solos ainda mais baixos,
Horizontes ainda mais curtos,
Mediocridades emanadas
De mentes ainda mais opacas
Que aquelas que me sobrevêm nos
Meus tristes dias.

E o adubo, sob forma de estrume,
Que, de forma surpreendente,
É deixado ainda abaixo dos meus pés
Revigora-me,
Levanta-me a cabeça em direção
Ao infindável infinito.

Usando como combustível
O fétido lodo da irracionalidade
Que se espalha
E por vezes manda.

Maurício Granzinolli
mgran@urbi.com.br

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