15 setembro 2007

Mulheres que Amo - Verdadeiro Deus

A religião é uma parte importante de nossas vidas, para o bem ou para o mal. Esta é uma história da influência de um aspecto da religião em nossas vidas.

Ah, Elisa, Elisa! O tempo é um Deus cruel. Nos melhora e, às vezes, nos piora. Para ela, mudou de forma radical e completa os rumos de sua vida. Pois sua adolescência foi vivaz e feliz, mas ao alcançar a maturidade, assumiu responsabilidades para as quais não estava preparada, nem psicologicamente e, muito menos, fisicamente. Seu corpo cobrou um preço alto. Adoeceu de uma forma radical, devorando sua própria força de vontade e desejo de viver.
Elisa foi a médicos, diversos especialistas para tentar descobrir o que estava a derrotá-la em vida. Mas ninguém pareceu saber, ou pelo menos dar-lhe um pouco de esperança. A doença só piorava. Acabaram os caminhos ortodoxos e chegou o memento de seguir por estradas heterodoxas. Primeiro, homeopatia e depois medicina oriental d diversos tipos, cores e sabores. Nada funcionava.
A mãe de Elisa era fervorosamene religiosa, acompanhava peregrinações e procissões. Nunca deixava de guardar os domingos ou ouvir as missas. Confessava e comungava uma vez por ano. Insistiu que o problema da filha era de ordem espiritual, já que Elisa, apesar de cumprir suas obrigações católicas, nunca fora uma verdadeira Crente. A mãe bateu tantas vezes na tecla que Elisa decidiu tentar. Voltou para o seio da Mãe Igreja, mas esta não retornou na mesma medida. Elisa permanecia doente, mesmo que mantendo todos os tratamentos a ela prescritos pelos médicos que consultara. Todos lhe diziam que logo fariam efeito e estaria recuperada. Mas uma mulher jovem e bonita, que tem sua plenitude roubada de si, não consegue ter paciência para tanto.
Não resolvido na Igreja Católica, Elisa foi com uma amiga para uma Pentecoastal. Ritos estranhos e comportamento parecido com os da umbanda, com seus passes e descapetizações, fizeram com que Elisa duvidasse da eficácia desta nova terapia. A amiga insistiu que ela deveria ter fé. Ela teve! Meses depois a moléstia perdeu sua força e Elisa recuperou a vontade de viver. Seu rosto, seu corpo e sua alma estavam renovadas. Ou pelo menos, é o que parecia ter acontecido.
Na verdade, o que aconteceu foi uma radical transformação da pessoa. Uma mudança na identidade e na forma de viver. Uma jovem e feliz mulher, foi alterada para uma rigorosa e fiel servidora de Deus. Mudou seu visual, abandonou família e amigos. Seus objetivos passaram a servir a Deus incondicionalmente. tudo em sua vida era voltado para a Graça de Deus. Um Deus Cristão, é verdade, mas um Deus. Ela. que antes, nunca havia demonstrado reprovação a nada ou a ninguém, agora só aceitava aqueles que abraçavam os preceitos divinos do Criador. Sua vida e a de todos ao seu redor deviam a servir a um único propósito: Jesus Cristo.
Encontrávamos na rua, mal ela me cumprimentava. Andava sempre com meninas que eram da mesma seita que ela. Mulheres que professavam a mesma fé e crença. Espalhava a palavra de Deus a todos os homens, de forma agressiva, muitas vezes. Não aceitava um não e sempre utilizava o que acontecera a ela como a prova do bondoso coração de Deus. Era, agora, uma evangelizadora do enorme rebanho humano. Era seu dever sagrado e supremo.
Os pais tentaram convencê-la que tudo isto não era o que ela achava, mas a própria mãe tinha dificuldade de reprimir o comportamento da filha, pois estaria indo contra a própria fé. Mesmo estando em uma Igreja de nome diferente, os preceitos eram os mesmos e o nome do Deus era o mesmo. Como, então, poderia recriminar a filha daquilo que ela própria fizera por tantos anos? Nós, os amigos mais próximos, não mais conseguíamos conversar com ela, sem uma acalorada discussão sobre nosso comportamento, modo de vestir, de falar e de agir. A única salvação para nossa alma era a total submissão a Deus e a Igreja. Algo impensável para a maioria de nós. Ela passou a atravessar para o outro lado da rua, quando nos via.
Denise, sua melhor amiga, chegou a ir em um culto, mas ficou tão pasma com o que ocorria lá dentro. O frenesi, a loucura, os delírios e a gritaria insana, que desistiu de tentar alcançar a mente perdida de Elisa. Ela não estava mais lá, havia outra em seu lugar. chegamos a discutir se a "cura" ou "graça" alcançada, não havia se tornado na morte da antiga Elisa para o renascimento de uma nova em seu lugar. Uma, em que nós não nos identificávamos e nem entendíamos. Nenhum de nós sabia dizer, apenas não mais queríamos sua proximidade, bem como ela.
As guinadas do tempo são imprevistas e incertas. A doença de Elisa voltou! Ela piorou bem mais rápido do que da primeira vez. Os médicos queriam fazer baterias de exames, pois acreditavam que desta vez estavam melhor equipados e com um conhecimento maior do que houvera com ela. A possibilidade de cura era grande desta vez. Mas, desta vez, era Deus quem não queria. Elisa recusou todo e qualquer tipo de tratamento que não fosse o espiritual. Rezar era o único método de curar a doença que vinha de um espírito fraco e impuro. Culpou os pais pelos pecados que lhe passaram. Culpou a vida desregrada e pagã que levara nos anos de juventude. Culpara a tudo e a todos, menos a Deus. era uma provação a sua fé. Ela iria superá-la. Ela tinha que superá-la!
A fé dela não foi grande o bastante! Afirmou seu pastor. Elisa morreu aos vinte e oito anos de idade. Sem filhos, sem casar, sem vida e completamente desorientada do que fizera a si mesma. Não só a si mesma, mas também, a todos que verdadeiramente a amavam. O tempo é cruel, o destino certo e não podemos brincar com ele, mesmo que falsos profetas nos instiguem a acreditar que podemos pela força da fé.

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