07 setembro 2007

Poesia - Quisera

Traz-nos, nosso poeta, um embate entre desejo e realidade, justiça e verdade. Nem sempre o resultado é o que desejamos. Temos que nos conformar ou assumir uma nova postura frente a vida como conhecemos. Pense bem! Leia.

QUISERA

Quisera um tempo sempre coerente
A transformar a latente semente
No correspondente fruto.

Quisera uma natureza a regar com a vida
A semente de luz
E a oferecer ao ardente sol
A semente de espinhos.

Quisera um Deus justo
A conduzir o bom jardineiro
Ao fruto do seu labor,
E ao jardineiro mau
As daninhas ervas
Que sem suor cultivou.

Quisera a vida como um raio
Que, após lançar suas águas
Em precipícios e rochedos,
As conduz com serenidade
À certeza do mar.

Cultivaste por fim
O sonho do bem pelo bem,
E o mal pelo mal.
Encharcaste, porém, de esperança
Não só tua consciência,
Mas também teu caminhar.

Fartas decepções,
Enganosas colheitas.
Ilusões que se desmancham
Sob o poder do real.
Sonhos que, sob a rotina,
São lançados sob abismáticos
E concretos pesadelos.

A falsa metamorfose de tua vida
Excomunga-lhe dos códigos da natureza,
E põe-lhe a descer pela garganta
Os amargos frutos quer jamais cultivaste.

Maurício Granzinolli
mgran@urbi.com.br

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