15 setembro 2007

Poesia - Tempo de Temer

Nosso poeta nos traz suas desventuras com o tempo. Nesta é a perspectiva do presente que o preocupa e assola. Vamos ouvir seus pensamentos.

TEMPO DE TEMER

Não temo o indefectível destino
Que vem no dorso do tempo.
Nem o desconhecido acaso
Que aleatoriamente nos acomete,
Dando-nos a impressão
De sermos o único escolhido.

Não temo o escuro, que fugindo à luz,
Coloca-nos mais armadilhas que presentes
Estes em única Noite de Natal.

Não temo as mudanças
Que apavoram com o novo
A vida do acomodado velho.

Temo, sim, o presente.
E este temo a cada fração
Mensurável ou não do tempo.

Temo-o, portanto, continuamente,
Sem sequer dar chance ou espaço
De deixar-me temer o futuro.

Maurício Granzinolli
mgran@urbi.com.br

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