12 janeiro 2008

Mulheres que Amo - Amor da Minha Vida

O mito do amor eterno é uma forte influência na percepção feminina. O Princípe Encantado pode estar lá na esquina... mas será que existe mesmo? E se existir... você reconheceria?

Carlos babava por Cristina desde que me entendo por gente! Era o amor platônico mais alucinado que já tinha visto. A grande maioria desistia nos primeiros meses de adoração. A de Carlos durou por anos, foi do Jardim de Infância até a Faculdade! Por mais incrível que pareça, ele nunca teve nenhuma namorada neste período, ficando virgem até os 23 anos de idade, por amor à Cristina. Cristina nem sabia que ele era homem!
Cristina e Carlos eram vizinhos da mesma rua, Carlos havia se apaixonado por ela no dia em que a mudança da família dela chegou na rua. Fizeram o Jardim de Infância juntos, brincavam juntos, foram para a mesma escola e até frequentavam o mesmo clube. Na infância, a inocência os deixou muito próximos, como irmãos. Carlos não via assim e Cristina nem pensava sobre o assunto. Os problemas foram aumentando quando o inferno da adolescência chegou. Cristina passou a ter um único objetivo na vida: arrumar um namorado que fosse um Príncipe encantado e que tivesse aprovação de suas amigas. Carlos sabia que só havia uma única mulher no mundo: Cristina. Mas ao invés de lhe dizer, ajudava em todas as bobagens que ela queria fazer. Todas as infantilidades que apenas uma mulher na adolescência pode conceber. Sofria a cada novo namorado que ela arrumava e a cada fracasso do 'homem dos sonhos' de Cristina.
No Segundo Grau, conversamos muito com ele e quase o obrigamos a contar tudo para Cristina. Hesitantemente, Carlos concordou e foi conversar com Cristina. Contou tudo, todo o seu sentimento por ela. O 'chute' foi inevitável, mas o que mais doeu em Carlos foi a condescendência de Cristina, que ficou com 'peninha' dele. É claro que ela não queria magoá-lo, mas esta é uma situação que é impossível alguém não sair magoado. Dias depois, Cristina procurou Carlos para tentar 'consertar as coisas', mas o 'soneto saiu pior que a emenda'. Explicou para Carlos, que ela precisava de um homem... um homem que impressionasse... que impusesse respeito... que fosse bonito e tivesse dinheiro. Acho que ela pensou que a primeira humilhação não bastasse, decidiu tripudiar em cima do 'cachorro morto'. Carlos baixou a cabeça e simplesmente desapareceu, literalmente.
Cristina seguiu em sua vida de caça ao Príncipe encantado e acabou encontrando o alvo perfeito. Um homem mais velho, muito bonito, com bastante dinheiro e líder de uma empresa de marketing. A paixão foi fulminante e o casamento se seguiu na mesma velocidade. Seis meses depois estavam de lua-de-mel em Paris! Não é pouca coisa não. Mas como sempre digo, Papai Noel não existe e ninguém é perfeito. As brigas começaram ainda em Paris e com menos de dois anos de casamento, Cristina era a mais nova divorciada da praça.
Depois do período inicial de 'luto' pelo "defunto morto", no caso, o defunto é o casamento e não o marido. Cristina começou a sair com amigas, todas divorciadas ou sem namorado, famosas: Fracassadas do Amor. As discussões giravam sobre um único assunto, como nós - os homens - destruímos a vida delas. Nunca eram elas mesmas quem faziam isto, era sempre um maldito homem o responsável. Depois da sessão depressão, começavam a sonhar novamente com o Príncipe encantado. Em uma destas noites, Ana Cláudia, uma amiga comum de Cristina e Carlos estava na mesa. Cristina começou a descrever o homem de seus sonhos para as mulheres ali presentes, quando Ana Cláudia a interrompeu e falou para ela: "Você tá descrevendo o Carlos!" Cristina não lembrou de primeira, mas Ana Cláudia citou alguns fatos que fizeram a mente de Cristina relembrar dele.
Em um primeiro memento, Cristina acreditou que a menina 'tava viajando'! Mas a cada dia que passava, lembrava de algum detalhe de seu relacionamento com Carlos, principalmente, as coisas que ele dizia e fazia para ela. Lembrou do dia da declaração de amor dele e como fora tão insensível. Decidiu que deveria pedir desculpas sinceras.
Conseguiu o telefone da mãe dele em uma antiga agenda de telefones do segundo grau. Não morava mais lá, mas a mãe tinha o telefone da casa dele. Deu a Cristina, que levou uns dois dias para decidir fazer a ligação. Quando o fez, falou direto com ele, que foi atencioso e carinhoso no telefone, pareceu até mesmo ansioso e feliz. Marcaram de se encontrar em um restaurante para conversar. Carlos foi quem escolheu.
Cristina chegou primeiro e estava ansiosa de ver o antigo 'amigo'. Quando ele chegou, percebeu o quanto havia mudado. Havia mudado e muito! Cabelo, roupas, físico e até mesmo o olhar. Era um outro homem... muito melhor. Era o 'Homem Perfeito', não pode evitar o pensamento. Abriu um sorriso de 'orelha a orelha', ele sentou, falaram de amenidades e relembraram os velhos tempos. Cristina começou seu pedido de desculpas, que seria emendado por uma tentativa de corrigir o erro de anos atrás, que ambos poderiam tentar agora o que não aconteceu na adolescência. Afinal, ela era apenas uma burra adolescente, reconhecia isto agora. Mas quando ia começar, uma bela menina chegou e beijou Carlos na boca. Um beijo intenso e apaixonado. Os dois riram alegremente e a menina sentou no colo de Carlos antes de puxar sua própria cadeira. Os dois eram a alegria em pessoa, pois ela era a noiva dele, com quem ele iria casar.
Cristina viveu um pesadelo, agora tinha certeza que Carlos era mesmo o 'amor de sua vida'. Fez tudo que pôde para reconquistar o antigo 'amigo'. Nada funcionou e Carlos foi direto com ela: "O que sentia... era obsessão e não amor. O dia em que você me chutou... eu me libertei e passei a viver. Hoje vejo aquele dia como o mais importante da minha vida. E não vou voltar para aquela obsessão, pois hoje sei o que é o amor e algum dia você, talvez, vá descobrir." Ele virou as costas e, de forma condescendente, desapareceu novamente, mas agora de forma definitiva. Ela não recebeu um convite para o casamento.

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