05 janeiro 2008

Poesia - Só Amanhã

Nosso poeta decide nos falar de um hábito extremamente brasileiro: deixar tudo para depois.

SÓ AMANHÃ

Por que o amanhã,
Que dá ao agora
A sensação de nunca,
Transfere ao infinito
A responsabilidade do cumprir?

Por que o amanhã,
Que mantém os
Ombros encavados
Com o peso do porvir,
E a cabeça estéril pela
Obrigação do por fazer?

Por que o amanhã,
Que ilumina a ansiedade,
E nega à alma o natural
Descanso que exala do acabado?

Por que o amanhã,
Que duvidoso assombra
A festa dos anseios,
Pela possibilidade do não vir?

Por que o amanhã,
Este incógnito lugar,
Que nos remete ao ontem,
De cujo amanhã
É o hoje?

Maurício Granzinolli
mgran@urbi.com.br

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