Muitas mulheres encaram o fim de uma relação como o fim de tudo que existe. Não conseguem enxergar a vida além do casamento. Para sorte de todas elas, há vida após o casamento. Uma vida muito melhor! Por este motivo, quando ocorre a separação, a mulher ao invés de tentar de todas as formas manter os laços com o ex, deveria sim, rompê-los completamente, pois assim seria muito mais feliz, como veremos no conto desta semana.
Lucilene estava casada há quase quinze anos, quando comecei a trabalhar com o marido dela. Ela sempre visitava a empresa e levava as filhas consigo. Era divertida e ótima pessoa, tratava todas as pessoas muito bem e não fazia discriminação de espécie alguma. As crianças sempre estavam contentes e adoravam correr pelo estacionamento da empresa e fazer a maior bagunça. Lucilene deixava, mas mantinha um olho aberto nelas para não irem para rua e nem fazer nada de errado para com as outras pessoas. Todos diziam que eram um casal muito feliz e aquele era um casamento que dera certo.
Nunca acreditei nisso! Não acredito em casamentos perfeitos, mas sim em momentos perfeitos, que passam e recomeçam em eterno ciclo. A vida de Lucilene foi uma grande prova disto. O marido já vinha mantendo um caso com uma funcionária mais nova há um bom tempo. Ele tinha fama de garanhão e todos o invejavam, pois a menina era quase uma adolescente com uma aparência de 'arrasar'. Quando ela passava por todos nós, não havia um que deixasse de dar aquela 'olhadinha básica'. O relacionamento evoluiu tanto, que não era segredo para mais ninguém e, é claro, um dia chegou a Lucilene. Ela confrontou o marido e decidiu-se pela separação.
Todos estavam esperando uma briga judicial daquelas, onde todos os podres da família seriam colocados para fora e ninguém sairia ileso da história. Várias amigas foram consolar e aconselhar Lucilene: "Não esquenta, amiga! Arranca até as calças dele!", dizia uma. "Qual nada, não deixa este pervertido ver as crianças, pois ele não tem moral nenhuma!" Os conselhos eram deste nível para baixo. Todas as amigas destilavam o ódio compreensível contra os homens infiéis, estes bastardos. Ninguém escaparia da implacável vingança feminina, na opinião delas, é claro. Lucilene ouviu tudo com a maior atenção e não deu a menor 'pelota' para os conselhos.
Esperou alguns dias para a poeira baixar e foi procurar o marido infiel. Ao invés de iniciar uma guerra, fez uma proposta de paz. Realizariam uma separação consensual, como ela não podia trabalhar e nem tinha como arrumar um emprego imediato, venderiam todos os bens e dividiriam meio a meio. "Inclusive a casa?" indagou o infiel surpreso. Incluindo a casa, garantiu Lucilene. A casa, a de praia e os dois carros, se o marido quisesse depois comprasse um novo com sua parte. As crianças ficariam com ela, mas os finais de semana seriam totalmente dele. As despesas das crianças teriam de ser pagas pelo pai até Lucilene conseguir um emprego, daí, então, dividiriam as despesas meio a meio. Nenhum centavo dele seria colocado na mão dela, todas as despesas das crianças seriam enviadas para casa do pai para ele pagar, quando fosse coisas como: roupas, brinquedos e outros supérfluos, as crianças iriam com o pai comprar. Lucilene iria utilizar o dinheiro da divisão para se sustentar até arranjar um emprego e resolveria o que faria dali por diante. O Acordo de Paz foi selado. Não houve necessidade de brigas e nem advogados. Rapidamente, estavam separados para decepção de 'amigos' e 'amigas' de ambos os lados.
O Acordo foi benéfico para Lucilene, pois o maior interessado que ela arrumasse um emprego, era o próprio ex, já que aliviaria sua carga nas despesas das crianças. Ela sairia ganhando e... ele mais ainda se ela arrumasse um emprego. Ele mesmo se incumbiu da tarefa e menos de dois meses depois, Lucilene já estava trabalhando em um supermercado que o ex fornecia material. A divisão das despesas foi realizada exatamente como o combinado e poucos meses depois a nova esposa dele, já desfilava com um carro novo na empresa. Roupas bonitas e realizando uma festa de arromba para abrir a nova e bela casa que o ex de Lucilene havia comprado para eles morarem. As amigas de Lucilene correram para contar tudo indignadas com a 'cara-de-pau' daquele 'cachorro'. Exigiam que Lucilene fizesse alguma coisa, ele não podia sair assim tão bem naquela estória. "Era o cúmulo do absurdo!" vociferavam.
Lucilene fez alguma coisa. No final de semana, mandou pelas crianças, um objeto caro que o ex-marido adorava como presente para a nova casa. Havia ficado com ela, mas no novo apartamento, muito pequeno e apertado, não havia lugar onde colocá-lo, por este motivo, acabaria quebrando. Ficaria melhor com ele. Nem mesmo a nova esposa dele acreditou no gesto. A escultura era linda. O apartamento era um 'apertamento' e mesmo assim, Lucilene não queria briga. 'Era uma completa idiota', diziam todos.
Lucilene concentrou sua vida em cuidar dos filhos e no novo trabalho. Rapidamente, progrediu no supermercado, em menos de um ano já conseguira uma promoção para um cargo de supervisão e um zero a mais em seu 'contra-choque'. Descobriu um curso técnico à noite perto de casa e que não era muito caro, apertou o orçamento e seus horários e conseguiu completá-lo com louvor. O esforço valeu a pena, pois conseguiu um estágio em um nova empresa, ganharia menos, mas trabalharia de segunda à sexta com uma carga horária menor, poderia dedicar mais tempo às crianças. No novo emprego, ascendeu tão rapidamente quanto no supermercado, através de dedicação e pesquisa. Não reclamava de nada, mas trabalhava com afinco e sempre buscando resultados para apresentar. em cinco anos, já recebia o mesmo que o ex e vendeu o 'apertamento' para dar entrada em um novo bem melhor e localizado em um conjunto habitacional que proporcionava enormes vantagens para as crianças.
Na época da mudança, o ex começou a aparecer mais vezes na casa dela. Quando buscava as crianças para o final de semana, não ficava mais na portaria somente. Entrava na casa e ficava conversando com Lucilene até as crianças estarem prontas. Lucilene logo descobriu que o novo casamento não estava nada bem e as brigas eram constantes entre os dois. Na verdade, as brigas começaram no momento em que ela havia deixado de ser amante e foi elevada para a categoria de esposa. A promoção não fez nada bem a ela. Lucilene não confortou e não disse nada animador para o ex, pois era um problema dele. As crianças é que ficavam excitadas imaginando uma reconciliação entre seus pais. Lucilene garantiu a eles que aquilo era passado, apesar de não ter tido nenhum tipo de relacionamento durante todo o tempo de separação.
Apesar de não ter tido nenhum relacionamento naquele período, não fora por falta de pretendentes. A evolução profissional fez um 'upgrade' no visual de Lucilene, a fez se vestir melhor, aprender a se maquiar melhor e descobrir um charme e um 'sex appeal' que ela não sabia que tinha. A auto-confiança a fez bem mais radiante e, portanto, muito mais bela. A falta de brigas e discussões em sua vida, após o fim do casamento, a deixaram sem 'rugas de preocupação' e com uma vida mais tranqüila e feliz. Auto-confiança, beleza e segurança financeira todas vitórias pessoais dela, a transformaram para melhor em todos os sentidos. Não demorou para conhecer um homem que partilhava dos mesmos gostos e a admirava por tudo aquilo. Para completar, o novo namorado não teve grandes atritos com as crianças, apesar dos desejos deles de reunir os pais em uma bela e feliz família.
O casamento de seu ex ruiu por terra. A ex-amante e atual ex-esposa decidiu fazer tudo aquilo que Lucilene não fez: transformar a vida dele em um inferno! O ex-marido, vendo a nova e vencedora ex-esposa, achou que poderia reavivar a velha chama. Mas eram pessoas em momentos totalmente diferentes: Lucilene ascendia na escala de valores, enquanto ele descia 'escada abaixo'. Lucilene deu um sonoro não para ele, mas não por revanche, apenas não tinham absolutamente mais 'nada a ver' e as lembranças, em sua maioria, do casamento não eram nada boas.
O novo namorado, percebendo o ataque do ex, quis garantir sua posição de 'cão alfa' e propôs casamento para Lucilene. Lucilene pesou os prós e os contras, conversou com as crianças e procurou as 'amigas' e sua mãe. Todos lhe disseram para aceitar e ser feliz casada novamente. Lucilene, é claro... recusou! Preferiu manter tudo como estava, cada um em sua casa vivendo feliz. Não precisava acordar com um marido ao lado, não agora. No futuro, quem sabe! As amigas e sua mãe a condenaram e falaram que nunca mais ela arrumaria uma pessoa como ele. Ela estava deixando passar o amor da sua vida! Lucilene ouviu e aprendeu a seguir seus verdadeiros instintos de felicidade, pois não precisava de um homem para isso.