24 maio 2008

Poesia - Como & Quando

Consequências! Tudo na vida tem preço e consequências. Não importa o que pensamos... um dia seremos cobrados por nossas ações e atitudes. Não é um assunto religioso... não é carma... é apenas a vida sem posta em movimento por nós mesmos. Nosso poeta se pergunta como e quando isto vai ocorrer na sua própria vida. Uma pergunta que poderia ser feita por qualquer um de nós... que tem uma vida.

COMO & QUANDO?

Bebo o amargo do dia
Todos os dias,
Consulto o relógio,
Confiro o calendário.

Pergunto a mim
E a quem possa
Ouvir o meu silêncio,

Quanto ainda terei que
Esperar do imensurável
Tempo, até que os espinhos
Que não cultivei,
Se deixem vencidos pelas flores
Que penso ter semeado?

Vem a noite e me engasgo
Com a brasa da noite,
Todas as noites.
Ouço no barulho dos pesadelos
A metamorfose das coisas
Conduzida pelo tempo.

Na interface de um breve sonho,
Visualizo
Fulgares flores,
Que logo murcham
Sob a Cáustica do dominante pesadelo.

A noite se retira em respeito ao dia,
Que da-me de beber sua inevitável
Porção amarga,
E então, pergunto a mim
E aquém possa ouvir
O meu silêncio.
Como e quando?

Maurício Granzinolli
mgran@urbi.com.br

Boogie Woogie - Mudança

Mudar é algo tremendamente aborrecido e difícil. Se feito por uma empresa, já não é fácil, mas imagine as famílias que não tem recursos para contratar uma empresa e tem de fazê-lo sozinho. Esta é uma estória de vitória e superação.

Finalmente, estou saindo do morro! Hoje é o dia da mudança. Depois de quase 25 anos morando no Boogie Woogie, estou me mudando. O incrível da estória, é que eu sempre quis sair, enquanto toda a minha família desejava ficar, mesmo assim, acabei sendo o último a sair daqui. Erros, decisões mal tomadas e sentimentalismo foram o responsável por tal fato, mas mesmo assim, estou saindo na hora certa.
O pior é realizar esta mudança, pois ao contrário dos filmes americanos ou das famílias de classe média brasileira, não temos dinheiro para pagar uma empresa de mudanças. Temos que fazer tudo sozinhos. Minha mãe de 69 anos e eu, ou seja, eu tenho de fazer quase tudo, a parte pesada pelo menos. Hoje é sábado, mas para mim a mudança começou na segunda-feira. Desmontei armários, desmontei camas, desmontei sofás e o 'rack' da sala. Este, então, foi uma aventura, nem sei se conseguirei remontá-lo novamente, depois do estrago que fiz para conseguir retirar os parafusos de sustentação. Acabei as desmontagens na quarta, pensando ter terminado a pior parte. Qual nada, arrumar todas as quinquilharias estocadas em uma casa por 25 anos, é 'dose pra leão'. Cara, nunca imaginei que houvesse tanta porcaria acumulada lá. O primeiro serviço foi escolher o que levar e o que enviar em um saco preto e mandar para o lugar mais distante possível, entenda-se: lixo. Uma negociação duríssima com minha mãe. Cada peça era negociada até o seu valor mais ínfimo, pois nada daquela quinquilharia era dispensável para ela. Todas, de uma forma ou outra, tinha um valor sentimental. Depois de uma longa e encarniçada negociação, conseguimos jogar mais de 50 Kg de lixo fora. Minha mãe deveria ser negociadora de empresas de compras, seria difícil fazê-la comprar qualquer coisa que ela realmente não quisesse!
Lixo jogado fora, começava o período de estocagem da quinquilharia. É claro, as caixas do supermercado que eu trouxe, não foram suficientes. Corrida de emergência até o Mundial do Cacuia para conseguir mais. Sorte ter trabalhado lá, as meninas ainda me adoram e foi fácil conseguir uma nova remessa. É uma pena, que este bom relacionamento com elas vai gradativamente desaparecer com a distância e o tempo sem contato, já passei por isto diversas vezes e não existem inimigos maiores do que a distância e o tempo. Caixas na mão, volta de imediato para casa e continua o trabalho. Interrupções foram inevitáveis, era uma conta para pagar, alguma coisa que faltava das compras da semana, um remédio para hipertensão da minha mãe, depois de quebrarmos algumas travessas da cozinha e a vida segue adiante. Quando olhei a 'tralha' amontoada nos cômodos da sala, nunca consegui imaginar como era possível uma casa tão vazia como a nossa, ter tanta porcaria. Eu achava o caminhão que contratamos grande, começava achar que teríamos de fazer mais de uma viagem para levar tudo aquilo.
Dia da mudança, seis horas da manhã. Desperto e disposto, comecei a levar item por item até a entrada do beco. O trajeto encurvado e apertado era mais um problema. Vários objetos iriam chegar arranhados em seu destino, pois minha habilidade em driblar muros e paredes, não era grande coisa. A maior parte dos objetos era fácil de carregar, principalmente, os desmontados. Agora, pensa só, em um fogão de quatro bocas em que você não tem como segurá-lo ou colocá-lo em suas costas. Nem todas as decisões do passado foram mal tomadas, seria muito pior se tivesse cedido à vontade de minha mãe e comprado um fogão de seis bocas, é bom nem pensar nisto. O pesadelo maior, foi a geladeira. Comecei muito bem, destruí um dos pés dela e depois, como não conseguia fazê-la passar pela porta da frente, acabei prendendo a tomada contra a parede e destruindo-a. Como foi que ela entrou na primeira vez, nem consigo imaginar. Televisão, móveis da sala e depois toda a quinquilharia. Graças ao bom deus, as crianças tem som leve e acordaram na vizinhança toda e descobriram uma nova brincadeira: "Esvaziar a casa do Zezinho". As coisas desapareceram em menos de 15 minutos, para decepção da criançada, que ficou pedindo para colocar tudo de volta e depois levar para o caminhão.
Quando olhei aquela 'tralha' no beco, tive certeza absoluta que não iria dar certo. O caminhão era muito pequeno e teríamos de fazer mais de uma viagem. Para piorar, acho que São Pedro estava com raiva de mim, pois começou a chover. Uns pingos bem fininhos, mas não eram nada alvissareiros. O caminhão e seu motorista, sem ajudante é claro, pois não tinha grana para pagar o ajudante, não tinha nem par o motorista, graças a deus era meu vizinho e doido para se livrar de mim. É nessas horas, que agradeço de ser chato! Ele olhou para aquilo tudo e olhou para meu desespero de não caber no caminhão e disse simplesmente: "Ainda vai sobrar espaço!" Experiência é tudo! Uma hora depois, caminhão carregado e pronto para partir. Partir? Ainda faltava a cachorra da família. Já foi difícil encontrá-la, pois estava escondida no banheiro, com medo de todo aquele alvoroço. Tirá-la de lá foi uma guerra, colocá-la no caminhão no meu colo e de minha mãe, uma verdadeira operação cirúrgica. Depois de duas horas e meia, podemos partir. Tudo, foi cuidadosamente, arrumado e amarrado dentro do caminhão. O motorista garantiu: "Nada vai quebrar não. eu garanto!" Palavra dada e 'confiada'. Partimos para uma nova vida e um novo recomeço. Ah, antes de perguntar: lá já tem umas cinco pessoas para me ajudar, graças a deus. E olha, não sou nem religioso!

18 maio 2008

Poesia - Certeza

De quem é a culpa pela mazelas que sofremos? É do leitor aqui presente, de meus pais, de meus amigos, de meus familiares mais próximos, do meu chefe, em suma, do mundo? Não?!?! É minha, unica e exclusivamente. Aqui nosso poeta faz seu mea culpa. Vamos ler:

CERTEZA

Todos os dias
Escorre sangue e pus
Pelas chagas que
Eu mesmo abri.

Todos os dias
Exalam gases
De enxofre
Do vulcão
Que eu mesmo despertei.

Todos os dias
Escorre
Fétida
A negra lama
Pela vala que cavei

Todos os dias
Morro mais rápido
Que o meu tempo

Todos os dias
Acho que morro
Devagar.

Maurício Granzinolli
mgran@urbi.com.br

Mulheres que Amo - Filhos

Será que existe um molde para todas as pessoas? Será que todos somos iguais, para que as mesmas coisas nos façam felizes? Esta é a opinião da maioria das pessoas, que acreditam que determinados valores quando alcançados trazem a felicidade. Outros são considerados sagrados, uma obrigação divina. É uma destas obrigações divinas que falaremos na história a seguir:

Maternidade e mulher parecem palavras sinônimas. É quase impossível dissociar a felicidade feminina do ato de ser mãe. É um imperativo da natureza. Todos estão mais do que acostumados a olhar uma mulher e a vê-la como mãe acima de tudo. Mas existem mulheres que conseguiram encontrar um caminho para a felicidade que não passa pela maternidade. Não por problemas físicos ou devido alguma doença em especial, mas por opção própria. A Silvana foi uma destas mulheres.
Silvana é uma prima por parte de meu pai. É alguns anos mais velha do que eu, mas sempre nos demos muito bem desde pequenos, então pude acompanhar sua história peculiar bem de perto. Ela sempre foi considerada estranha pelos pais e pelos parentes mais próximos, pois não gostava de brincar de boneca e mantinha uma certa distância das crianças de sua idade. Não era nada muito incomum, já que diversas crianças tem este tipo de temperamento, alterando-o na adolescência. Silvana, porém sempre preferiu livros e a tranquilidade de sua casa, a festas e brincadeiras de meninas. Também, nunca andou arrumada ou maquiada, mesmo com o incentivo de sua mãe. Todos pensaram que ela deveria ter tendências homossexuais, teve até um amigo do pai que a chamou de 'fanchona' quando ela deixou o filho dele, bem maior do que ela, de olho roxo. Teve bons motivos por sinal, o garoto meteu a mão dentro da roupa dela querendo ver se ela já tinha 'peitinhos'. Muito bem feito para ele. Em relação à moda, apesar dela ser uma precursora da moda grunge para meninos, o motivo era bem mais prosaico do que pensavam todos. Ela achava a si mesma muito feia, acreditava piamente que roupas e maquiagem não melhorariam nada a aparência dela, portanto mantinha-se mais ao natural possível.
Assim durou até os dezesseis anos, quando os hormônios falaram mais alto e explodiram no corpo dela. Ficou um bela garota, não uma de arrasar, mas conseguia virar a cabeça dos meninos quando passava. Arrumou um namorado e começou a sair e se vestir melhor, para alívio de seu pai, que já pensava em deserdá-la. Nunca o fez, pelo contrário, ficou extremamente orgulhoso quando ela se formou em química e depois se casou com um namorado da faculdade.
O tempo passou e a cobrança para ela dar uns 'netinhos' para os pais começaram. Todo mundo falava sempre a mesma coisa com ela: "Quando vem os pequerruchos?" "Uma criança correndo neste apartamento é o que falta para dar uma vida nisto aqui?" "Você vai ver, quando ficar grávida, ele (o marido) vai ficar mais apaixonado ainda!" Assim seguia a campanha Tenha um Filho, Silvana. Ela pensou e foi conversar com o marido, os dois discutiram bastante e acabaram decidindo o pior possível para a família: Não queriam ter filhos. Aquilo era um escândalo! Os pais dele culpavam Silvana, que eles sempre acharam estranha. Os pais dela culpavam ele, pois devia ter alguma má formação, ou quem sabe recebeu alguma pancada nos 'Países Baixos' que o deixaram aleijado quando lutava Tae-Kwon-Do. Os dois riam daquilo tudo... por um tempo. A pressão aumentou e vinha de todos os lados possíveis: pais, familiares próximos, amigos e até a chefe dela na Faculdade indagava sobre aquela estranha decisão do casal. Silvana ficou balançada e resolveu dar uma oportunidade à maternidade. Observaria primeiro e repensaria depois. A Campanha, então, foi lançada pelas duas famílias. Cerraram fileiras para convencer o casal, principalmente, Silvana.
Foi marcada uma visita dela à sua irmão mais velha, que já estava casada há quinze anos e tinha uma menina com doze e um garotão com oito. Silvana passaria um sábado inteiro na casa da irmã, quando as crianças estivessem em casa. Chegou o sábado e Silvana foi para lá. Chegou por volta das dez horas da manhã e antes mesmo de bater na porta, ouviu os berros de discussão. O filho mais novo abriu a porta comendo uma maçã, fez um sinal para ela entrar e nem deu bola para a tia. Silvana foi em direção aos gritos e descobriu sua irmã em uma ferrenha discussão com a filha sobre um assunto que não conseguia saber qual era, pois ambas gritavam mais do que qualquer ouvido poderia aguentar. Final de discussão e a menina foi enviada para o quarto de castigo. As dobradiças do quarto dela foram quem pagaram o 'pato' na história. A irmã de Silvana pediu desculpas e foi atrás da mal-criada, enquanto o filho menor ficava com ela conversando.
Descobriu o banal motivo da briga e que aquilo era muito comum, principalmente, quando toda a família estava em casa reunida. Também, descobriu que o irmãozinho dela adoraria que a mãe e o pai a expulsassem de casa, pois ele não suportava mais aquela 'patricinha' que era a sua irmã. No final das contas, a única criança que Silvana viu foi o 'menorzinho' e a impressão que ficou foi das piores. A mãe foi a casa dela no dia seguinte convencê-la que sua irmã não era um bom exemplo de mãe, apesar de ter criado bem os filhos, assegurava ela. A contradição era total! Mas Silvana estava decidida a dar mais uma chance ao instinto maternal. Sua mãe a levou a um curso de grávidas para ver a felicidade estampada no rosto delas. Funcionou! Contaram belas histórias de gravidez, de como ajudou no relacionamento em casa e a expectativa no nascimento do herdeiro unia toda a família em torno. Era uma grande vitória da mulher. Aquilo balançou Silvana, que contou tudo a seu marido.
Alguns dias depois, encontrou uma das grávidas do curso. O filho havia nascido com uma má formação genética e todos estavam preocupados, as brigas na família deixavam todos loucos e a criança iria precisar de um amparo que ela não sabia se tinha de condições de dar. Também, foi a uma reunião de pais e mestres em um colégio onde uma amiga dava aula. Ouviu atentamente as informações sobre cada criança que fora passada aos pais. Para ela pareceu, que não havia uma única criança sem problemas, pois seja de comportamento, psicológico ou mesmo de relacionamentos, todas as crianças apresentavam alguma espécie de disfunção. E olha que o colégio era de classe média alta! Os pais presentes reclamavam mais ainda de seus filhos e queriam que os professores dessem um jeito neles, era para isto que eles pagavam aquela mensalidade absurdamente cara do colégio. Conversou com algumas mães e reparou a escassa presença masculina na reunião. A desculpa mais comum era estarem ocupados no trabalho, mas muitas das mães presentes, tinham empregos e faltaram para virem para a reunião. Conversou com seu pai, seus tios e alguns amigos. Descobriu que se a esposa era presente na criação dos filhos, os pais, normalmente, relaxavam e deixavam tudo nas competentes mãos femininas. Se acontecesse algo errado: Era culpa da mãe!
Na faculdade, resolveu conversar com alguns dos alunos sobre seu relacionamento com os pais. Aqueles que não moravam mais com eles, respondiam que o relacionamento era uma maravilha. Os que ainda estavam na casa do 'papi', que era uma merda. Teve uma das meninas que disse que o dia mais feliz da vida dela foi quando saiu de casa e foi morar sozinha. Silvana estava cada vez mais pessimista sobre aquilo tudo.
Foi a uma praça próxima de sua casa, sempre havia muitas mulheres com crianças nele. Chegou na praça e sentou junto com duas outras mulheres. percebeu logo que não eram mães, mas sim babás ou empregadas domésticas levando a criançada para passear. As crianças brincavam ao longe das babás, que se sentiam aliviadas de não ter aqueles 'pestinhas' gritando em seu 'pé de ouvido' o tempo todo. Todas diziam que as mães mandavam elas passearem com as crianças para terem 'cinco minutos de paz' naquela casa. De repente, começou uma gritaria e todas as mulheres da praça ficaram alvoroçadas. Uma criança sumira! Todas começaram a procurar a criança desesperadamente, incluindo Silvana. O desespero tomou conta de todas elas e Silvana viu um guarda de trânsito na esquina e foi chamá-lo. Quase o arrastou pelos cabelos para a praça. A babá da criança chorava copiosamente gritando: "O que eu vou dizer pra mãe dela? Ela vai me mandar embora!" O guarda chegou e tentou acalmar a todas e buscar melhores informações, pediu auxílio pelo rádio e resolveu ajudar as mulheres desesperadas na busca pela criança. Naquele memento, duas meninas atravessaram a rua de mãos dadas chupando sorvetes de casquinha. Era a menina, que fora com uma amiga da praça tomar sorvete. A babá não sabia se ficava feliz ou matava a garota. Segurou-a pela mão e a levou para casa.
Silvana procurou ficar calma e colocar a cabeça no lugar. Deixou o 'sangue esfriar'! Foi para casa e ligou para o maridão. "Amor, tomei uma decisão! Não quero filhos!" E foram felizes para sempre!

10 maio 2008

Poesia - Muito Tarde

Todas as pessoas vivem no mundo sem saber o que fazer ou como fazer. Aprendemos errando, mas do que ouvindo os conselhos alheiso, sejam de nossos pais, amigos ou companheiros de viagem. Então, o que é melhor: não errar ou errar para aprender? Se não errarmos no início de nossa vida, cometeremos algum erro maior perto do fim, sem a oportunidade de correção de rota. Qual a melhor escolha? É o que nos pergunta o nosso poeta esta semana.

MUITO TARDE

Comecei tarde a errar,
Na contramão do tempo
Atirei aos ares a lógica
Oportunidade de cedo errar,
Ou quem sabe não errar.

E o tempo já tardio,
Levou consigo a correspondente
Chance de refazer.
Navego hoje sem bússola
Num mar coberto
Por um céu sem constelações.

Não errei na praia.
Hoje o tempo que carreia o fim
É mais ligeiro que o tempo do renascer.

Sair como náufrago?
Impossível,
Já não posso nadar,
Já não posso flutuar,
E sem nada
Apenas afundo
E afundo.

Maurício Granzinolli
mgran@urbi.com.br

Boogie Woogie - Meu querido, Chevette II

Segunda parte do conto Meu querido, Chevette. As atribulações de um sonho que se tornou um pesadelo.

A semana foi longa e pareceu durar bem mais do que cinco dias. Carlos Eduardo não via a hora de poder sair dirigindo seu posante pelas ruas da Ilha e estacioná-lo na rua Central, lá no morro. Chegou cedo na oficina de seu amigo, que estava cuidando de um outro carro. Esperou impaciente ele terminar o serviço e vir falar com ele. Quando ele terminou, pediu para Carlos Eduardo esperar um pouco, pois iria buscar sua prancheta com as anotações que fizera sobre o carro.
Chegou sério e compenetrado, novamente. Carlos Eduardo imaginou que aquela deveria ser sua 'cara' profissional, quando atendia a clientes pagantes, mesmo ele não sendo um deles. O amigo fez uma pergunta antes de tudo: "Quanto foi que você pagou por ele?" Carlos Eduardo respondeu desconfiado. O amigo ficou mais sério ainda e não tirava o rosto da prancheta. Então, começou! Bem as baixelas estão danificadas e vão quebrar. O carro está lotado de plastique e o para-choque tá seguro por um amarrado de fios e furos feitos na lataria para ninguém poder vê-los. A suspensão está totalmente desalinhada e os amortecedores já eram. Os vidros do carro estão para cair, pois as frisas estão todas enferrujadas e com plastique mal colocado. "Você ligou os limpadores de para-brisa?" perguntou. Não! Claro que não, fazia o maior sol, para que ligar o limpador de para-brisas. Bem, os limpadores de para-brisa não podiam ser ligados mesmo, pois não existem. As ligações elétricas estão cortadas e desligadas, só tem mesmo as aletas dele. O fundo do guarda-volume está completamente enferrujado e desabando, no encaixe do pneu reserva, Carlos Eduardo teve muita sorte dele não ter caído pela rua, pois não tem fundo, está seguro pelas braçadeiras apenas. A caixa de marcha tem de trocar, pois as correntes de encaixe já eram e os pneus estão careca. Não pode esquecer de comprar pastilhas de freio novas, pois as que estão no carro já alcançaram o metal. "Não sei como não sentiu o cheiro quando freiou o carro!" afirmou, tirando os olhos da prancheta e encarando Carlos Eduardo preocupado e ar de repreensão. "Posso ser sincero... devolve esta porcaria para o dono e pega seu dinheiro de volta!" Foi o conselho do amigo.
Carlos Eduardo ficou desesperado, o sonho dele iria evaporar assim? Não podia deixar. Tinha de fazer alguma coisa. Ele já tinha mostrado o carro para todo mundo em casa. O amigo fez as contas das despesas e dos serviços. Ficou com pena dele e disse que não iria cobrar o preço da mão-de-obra, pois senão... "Haja dinheiro!" Quando acabou de falar o valor do orçamento, Carlos Eduardo percebeu o motivo do dono ter cobrado dele metade do valor do carro. Apenas as peças custariam o valor que pagara pelo carro. ficou com uma raiva imensa, mas não tinha escolha. Não podia voltar atrás, já havia mostrado o carro para todo mundo e a humilhação seria grande demais se devolvesse o carro. Resolveu pedir ao amigo que fizesse o serviço e ele iria comprando as peças com o pagamento quinzenal da empresa. O amigo concordou, tinha algumas peças para o carro a mão ali e iria adiantar o serviço. "mais uma coisa... onde comprou aquela bomba de gasolina?" Contou sobre o mecânico que o ajudara na Brasil. Bem, ele se ajudara, falou o amigo. A bomba de gasolina era velha e gasta, não dá para rodar mais do que uns 100 Km com ela. Tem de trocar, também. Falou o preço de uma nova para Carlos Eduardo, que percebeu que o trambiqueiro do mecânico havia cobrado o dobro do valor de uma nova naquela porcaria de má qualidade. O amigo o olhou como estivesse dizendo: "Porra, eu te disse, não foi?"
Carlos Eduardo voltou para casa ainda mais frustrado do que antes. Pior foi ter de responder ao interrogatório da família e dos amigos de onde estava o 'posante'. Inventou um monte de mentiras, cada uma diferente para cada tipo de pessoa que entendesse mais ou menos de mecânica. Se algum dia, um deles conversasse sobre o assunto com outro, descobriria como péssimo mentiroso ele era. O desânimo durou uma semana e ficou ainda pior quando viu o carro todo desmontado e 'desmilinguido' na oficina do amigo. Teve vontade de chorar. "Já tratou dos documentos do carro?" Documentos?!?! A transferência e os impostos pagos. "Ele não te entregou nada disso?" Mostrou o recibo do pagamento. "Só isso?!? Tem que pegar todo o resto!"
Lá foi Carlos Eduardo atrás do antigo proprietário do veículo automotor. Quando chegou na casa dele, não encontrou ninguém. Os vizinhos informaram que já fazia quase uma semana que não via ninguém ali. Ficou desesperado. "Fugiu, o desgraçado!" Fez tocaia na casa dele para tentar encontrá-lo e uns três dias depois, encontrou com a mulher dele. "Foi trabalhar em Macaé. fica lá até o fim do mês." Tem o telefone? Não, é claro que não. Teve que esperar até o final do mês para encontrar o salafrário que tinha vendido aquele elefante branco para ele. Quando o encontrou, quase bateu no cara. Mas nada iria adiantar, queria os documentos do carro. O dono foi buscá-lo e quando entregou para Carlos Eduardo, o pesadelo ficou ainda pior. O salafrário não pagava os impostos do carro a quase cinco anos. O valor acumulado da dívida era quase um terço do valor que ele pagara pelo carro. Carlos Eduardo não tinha a menor idéia de como fazer para regularizar a situação. Ainda pior, o dono nunca fizera nenhuma vistoria no carro, desde que o comprara. "Aquilo não podia estar acontecendo com ele!" Carlos Eduardo queria o dinheiro de volta. "Não posso, já gastei tudo. Tava devendo na praça e paguei uns agiotas aí." Carlos Eduardo começou a chorar. A casa do 'cara' era alugada e dentro dela quase não havia objeto nenhum de valor. A coisa mais valiosa dentro da casa era uma geladeira velha, cheia de ferrugem na lateral.
Voltou completamente desesperado para casa. A dívida daquele elefante branco já estava acumulando o dobro do que ele pagara para comprá-lo. Foi conversar com um amigo, que era mais ponderado e trabalhava em um banco. Queria uma luz para aquilo tudo. "O quê posso fazer?" A resposta era óbvia. Conserta e vende. Passa para algum otário esta 'batata quente' antes que ela asse suas mãos.
O conserto do carro terminou e Carlos Eduardo o trouxe para a Central. Ficou exibindo o 'bichinho' para todo mundo, sem contar toda a'merda' em que estava metido. Colocou o anúncio no Balcão e esperou. Muita gente ligava, mas ninguém aparecia para comprá-lo. Passou um mês... dois... três... seis... e... nada! O desespero estava ficando cada vez maior. Voltou ao amigo do banco para conversar e tentar encontrar uma nova solução. Estava louco para andar com o carro por aí. O amigo não pôde ajudá-lo, então, decidiu que iria rodar com o carro de qualquer jeito e seja o que Deus quiser. Mas a estória estava mais para o Diabo do que para Deus.
Convidou a moreninha de seus sonhos para saírem à noite no sábado. Ele aceitou e foram para o Jardim Guanabara. Tudo correu perfeito, conseguiu até dar uns 'amassos' nela lá no fim da praia, mas quando estava se preparando para voltar para casa. Apareceu um guarda pedindo os documentos do carro. Ele não tinha. O carro era roubado? Não! A discussão se estendeu e Carlos Eduardo acabou tendo de 'molhar' as mãos dos policiais para poder ir embora. Ato que se repetiria diversas vezes nos meses seguintes. Já tinha até um que conhecia tão bem Carlos Eduardo, quando mandava parar o carro, esticava a mão para receber seu líquido preferido e não dizia nada.
Quando a quantidade de líquido passou a ficar exorbitante, Carlos Eduardo encostou o carro novamente. Mas aconteceu uma emergência, sua mãe passou mal e tinha de ser levada às pressas para o hospital. Tirou às pressas o carro do estacionamento e foi correndo levar sua mãe até o hospital, mas, infelizmente, o carro quebrou uns 500 metros do Paulino Werneck. Teve de carregar sua mãe no colo até lá. Passou um sufoco tremendo e uma vergonha maior ainda. Virou motivo de piadas pra todo mundo no morro. Ele e o carro eram o assunto mais discutido e 'sacaneado' no morro naquele memento. Na oficina, a 'pá de cal': o carro tinha 'batido' o motor. Carlos Eduardo chorou copiosamente no ombro do amigo. Ficou olhando para o carro, em que gastara tudo que tinha e não tinha. Saiu e foi na casa de um amigo pedreiro. Apanhou uma marreta e voltou até a oficina. Disse para o amigo não se preocupar, pois ele mesmo iria consertar aquele carro. 'Desceu' a marreta nele até não sobrar nada inteiro, em menos de meia hora, o carro havia virado uma sucata. Juntou tudo e levou para o ferro-velho mais próximo, onde resgatou a sua auto-estima.

03 maio 2008

Poesia - Dono da Água

Temos simetria aqui, pois nosso poeta nos fala da prisão dos relacionamentos e como não sabemos dar liberdade a quem se ama. O supremo dom do amor é a liberdade, mas os seres humanos encaram o amor como escravidão. Uma escravidão desigual de corpo e mente, manifestada pela posse de outro ser humano. Uma posse sem sentido e em nome do amor. Nosso poeta nos lembra do ar mais puro que existe: o ar da liberdade.

DONO DA ÁGUA

Deténs agora a água
Da fonte que cultivei
Negocias com rala eqüidade
O límpido fluido
Que contigo partilhei.

Depositaste sobre tua fronte
A coroa de louros por ti mesmo tecida,
Envaideceste em mostrar seu gasoso poder
E em ira se mostra quando contestado é.

És fraco na essência,
E vigoroso no discurso descabido.
És míope na prática da justiça,
Águia na avidez por sangue.

Deténs a água,
Deténs o poder,
Mas o tempo e somente o tempo,
Regenera,
Resgata
E às vezes liberta.

Maurício Granzinolli
mgran@urbi.com.br

Mulheres que Amo - Separação, o Fim

Muitas mulheres encaram o fim de uma relação como o fim de tudo que existe. Não conseguem enxergar a vida além do casamento. Para sorte de todas elas, há vida após o casamento. Uma vida muito melhor! Por este motivo, quando ocorre a separação, a mulher ao invés de tentar de todas as formas manter os laços com o ex, deveria sim, rompê-los completamente, pois assim seria muito mais feliz, como veremos no conto desta semana.

Lucilene estava casada há quase quinze anos, quando comecei a trabalhar com o marido dela. Ela sempre visitava a empresa e levava as filhas consigo. Era divertida e ótima pessoa, tratava todas as pessoas muito bem e não fazia discriminação de espécie alguma. As crianças sempre estavam contentes e adoravam correr pelo estacionamento da empresa e fazer a maior bagunça. Lucilene deixava, mas mantinha um olho aberto nelas para não irem para rua e nem fazer nada de errado para com as outras pessoas. Todos diziam que eram um casal muito feliz e aquele era um casamento que dera certo.
Nunca acreditei nisso! Não acredito em casamentos perfeitos, mas sim em momentos perfeitos, que passam e recomeçam em eterno ciclo. A vida de Lucilene foi uma grande prova disto. O marido já vinha mantendo um caso com uma funcionária mais nova há um bom tempo. Ele tinha fama de garanhão e todos o invejavam, pois a menina era quase uma adolescente com uma aparência de 'arrasar'. Quando ela passava por todos nós, não havia um que deixasse de dar aquela 'olhadinha básica'. O relacionamento evoluiu tanto, que não era segredo para mais ninguém e, é claro, um dia chegou a Lucilene. Ela confrontou o marido e decidiu-se pela separação.
Todos estavam esperando uma briga judicial daquelas, onde todos os podres da família seriam colocados para fora e ninguém sairia ileso da história. Várias amigas foram consolar e aconselhar Lucilene: "Não esquenta, amiga! Arranca até as calças dele!", dizia uma. "Qual nada, não deixa este pervertido ver as crianças, pois ele não tem moral nenhuma!" Os conselhos eram deste nível para baixo. Todas as amigas destilavam o ódio compreensível contra os homens infiéis, estes bastardos. Ninguém escaparia da implacável vingança feminina, na opinião delas, é claro. Lucilene ouviu tudo com a maior atenção e não deu a menor 'pelota' para os conselhos.
Esperou alguns dias para a poeira baixar e foi procurar o marido infiel. Ao invés de iniciar uma guerra, fez uma proposta de paz. Realizariam uma separação consensual, como ela não podia trabalhar e nem tinha como arrumar um emprego imediato, venderiam todos os bens e dividiriam meio a meio. "Inclusive a casa?" indagou o infiel surpreso. Incluindo a casa, garantiu Lucilene. A casa, a de praia e os dois carros, se o marido quisesse depois comprasse um novo com sua parte. As crianças ficariam com ela, mas os finais de semana seriam totalmente dele. As despesas das crianças teriam de ser pagas pelo pai até Lucilene conseguir um emprego, daí, então, dividiriam as despesas meio a meio. Nenhum centavo dele seria colocado na mão dela, todas as despesas das crianças seriam enviadas para casa do pai para ele pagar, quando fosse coisas como: roupas, brinquedos e outros supérfluos, as crianças iriam com o pai comprar. Lucilene iria utilizar o dinheiro da divisão para se sustentar até arranjar um emprego e resolveria o que faria dali por diante. O Acordo de Paz foi selado. Não houve necessidade de brigas e nem advogados. Rapidamente, estavam separados para decepção de 'amigos' e 'amigas' de ambos os lados.
O Acordo foi benéfico para Lucilene, pois o maior interessado que ela arrumasse um emprego, era o próprio ex, já que aliviaria sua carga nas despesas das crianças. Ela sairia ganhando e... ele mais ainda se ela arrumasse um emprego. Ele mesmo se incumbiu da tarefa e menos de dois meses depois, Lucilene já estava trabalhando em um supermercado que o ex fornecia material. A divisão das despesas foi realizada exatamente como o combinado e poucos meses depois a nova esposa dele, já desfilava com um carro novo na empresa. Roupas bonitas e realizando uma festa de arromba para abrir a nova e bela casa que o ex de Lucilene havia comprado para eles morarem. As amigas de Lucilene correram para contar tudo indignadas com a 'cara-de-pau' daquele 'cachorro'. Exigiam que Lucilene fizesse alguma coisa, ele não podia sair assim tão bem naquela estória. "Era o cúmulo do absurdo!" vociferavam.
Lucilene fez alguma coisa. No final de semana, mandou pelas crianças, um objeto caro que o ex-marido adorava como presente para a nova casa. Havia ficado com ela, mas no novo apartamento, muito pequeno e apertado, não havia lugar onde colocá-lo, por este motivo, acabaria quebrando. Ficaria melhor com ele. Nem mesmo a nova esposa dele acreditou no gesto. A escultura era linda. O apartamento era um 'apertamento' e mesmo assim, Lucilene não queria briga. 'Era uma completa idiota', diziam todos.
Lucilene concentrou sua vida em cuidar dos filhos e no novo trabalho. Rapidamente, progrediu no supermercado, em menos de um ano já conseguira uma promoção para um cargo de supervisão e um zero a mais em seu 'contra-choque'. Descobriu um curso técnico à noite perto de casa e que não era muito caro, apertou o orçamento e seus horários e conseguiu completá-lo com louvor. O esforço valeu a pena, pois conseguiu um estágio em um nova empresa, ganharia menos, mas trabalharia de segunda à sexta com uma carga horária menor, poderia dedicar mais tempo às crianças. No novo emprego, ascendeu tão rapidamente quanto no supermercado, através de dedicação e pesquisa. Não reclamava de nada, mas trabalhava com afinco e sempre buscando resultados para apresentar. em cinco anos, já recebia o mesmo que o ex e vendeu o 'apertamento' para dar entrada em um novo bem melhor e localizado em um conjunto habitacional que proporcionava enormes vantagens para as crianças.
Na época da mudança, o ex começou a aparecer mais vezes na casa dela. Quando buscava as crianças para o final de semana, não ficava mais na portaria somente. Entrava na casa e ficava conversando com Lucilene até as crianças estarem prontas. Lucilene logo descobriu que o novo casamento não estava nada bem e as brigas eram constantes entre os dois. Na verdade, as brigas começaram no momento em que ela havia deixado de ser amante e foi elevada para a categoria de esposa. A promoção não fez nada bem a ela. Lucilene não confortou e não disse nada animador para o ex, pois era um problema dele. As crianças é que ficavam excitadas imaginando uma reconciliação entre seus pais. Lucilene garantiu a eles que aquilo era passado, apesar de não ter tido nenhum tipo de relacionamento durante todo o tempo de separação.
Apesar de não ter tido nenhum relacionamento naquele período, não fora por falta de pretendentes. A evolução profissional fez um 'upgrade' no visual de Lucilene, a fez se vestir melhor, aprender a se maquiar melhor e descobrir um charme e um 'sex appeal' que ela não sabia que tinha. A auto-confiança a fez bem mais radiante e, portanto, muito mais bela. A falta de brigas e discussões em sua vida, após o fim do casamento, a deixaram sem 'rugas de preocupação' e com uma vida mais tranqüila e feliz. Auto-confiança, beleza e segurança financeira todas vitórias pessoais dela, a transformaram para melhor em todos os sentidos. Não demorou para conhecer um homem que partilhava dos mesmos gostos e a admirava por tudo aquilo. Para completar, o novo namorado não teve grandes atritos com as crianças, apesar dos desejos deles de reunir os pais em uma bela e feliz família.
O casamento de seu ex ruiu por terra. A ex-amante e atual ex-esposa decidiu fazer tudo aquilo que Lucilene não fez: transformar a vida dele em um inferno! O ex-marido, vendo a nova e vencedora ex-esposa, achou que poderia reavivar a velha chama. Mas eram pessoas em momentos totalmente diferentes: Lucilene ascendia na escala de valores, enquanto ele descia 'escada abaixo'. Lucilene deu um sonoro não para ele, mas não por revanche, apenas não tinham absolutamente mais 'nada a ver' e as lembranças, em sua maioria, do casamento não eram nada boas.
O novo namorado, percebendo o ataque do ex, quis garantir sua posição de 'cão alfa' e propôs casamento para Lucilene. Lucilene pesou os prós e os contras, conversou com as crianças e procurou as 'amigas' e sua mãe. Todos lhe disseram para aceitar e ser feliz casada novamente. Lucilene, é claro... recusou! Preferiu manter tudo como estava, cada um em sua casa vivendo feliz. Não precisava acordar com um marido ao lado, não agora. No futuro, quem sabe! As amigas e sua mãe a condenaram e falaram que nunca mais ela arrumaria uma pessoa como ele. Ela estava deixando passar o amor da sua vida! Lucilene ouviu e aprendeu a seguir seus verdadeiros instintos de felicidade, pois não precisava de um homem para isso.