Mudar é algo tremendamente aborrecido e difícil. Se feito por uma empresa, já não é fácil, mas imagine as famílias que não tem recursos para contratar uma empresa e tem de fazê-lo sozinho. Esta é uma estória de vitória e superação.
Finalmente, estou saindo do morro! Hoje é o dia da mudança. Depois de quase 25 anos morando no Boogie Woogie, estou me mudando. O incrível da estória, é que eu sempre quis sair, enquanto toda a minha família desejava ficar, mesmo assim, acabei sendo o último a sair daqui. Erros, decisões mal tomadas e sentimentalismo foram o responsável por tal fato, mas mesmo assim, estou saindo na hora certa.
O pior é realizar esta mudança, pois ao contrário dos filmes americanos ou das famílias de classe média brasileira, não temos dinheiro para pagar uma empresa de mudanças. Temos que fazer tudo sozinhos. Minha mãe de 69 anos e eu, ou seja, eu tenho de fazer quase tudo, a parte pesada pelo menos. Hoje é sábado, mas para mim a mudança começou na segunda-feira. Desmontei armários, desmontei camas, desmontei sofás e o 'rack' da sala. Este, então, foi uma aventura, nem sei se conseguirei remontá-lo novamente, depois do estrago que fiz para conseguir retirar os parafusos de sustentação. Acabei as desmontagens na quarta, pensando ter terminado a pior parte. Qual nada, arrumar todas as quinquilharias estocadas em uma casa por 25 anos, é 'dose pra leão'. Cara, nunca imaginei que houvesse tanta porcaria acumulada lá. O primeiro serviço foi escolher o que levar e o que enviar em um saco preto e mandar para o lugar mais distante possível, entenda-se: lixo. Uma negociação duríssima com minha mãe. Cada peça era negociada até o seu valor mais ínfimo, pois nada daquela quinquilharia era dispensável para ela. Todas, de uma forma ou outra, tinha um valor sentimental. Depois de uma longa e encarniçada negociação, conseguimos jogar mais de 50 Kg de lixo fora. Minha mãe deveria ser negociadora de empresas de compras, seria difícil fazê-la comprar qualquer coisa que ela realmente não quisesse!
Lixo jogado fora, começava o período de estocagem da quinquilharia. É claro, as caixas do supermercado que eu trouxe, não foram suficientes. Corrida de emergência até o Mundial do Cacuia para conseguir mais. Sorte ter trabalhado lá, as meninas ainda me adoram e foi fácil conseguir uma nova remessa. É uma pena, que este bom relacionamento com elas vai gradativamente desaparecer com a distância e o tempo sem contato, já passei por isto diversas vezes e não existem inimigos maiores do que a distância e o tempo. Caixas na mão, volta de imediato para casa e continua o trabalho. Interrupções foram inevitáveis, era uma conta para pagar, alguma coisa que faltava das compras da semana, um remédio para hipertensão da minha mãe, depois de quebrarmos algumas travessas da cozinha e a vida segue adiante. Quando olhei a 'tralha' amontoada nos cômodos da sala, nunca consegui imaginar como era possível uma casa tão vazia como a nossa, ter tanta porcaria. Eu achava o caminhão que contratamos grande, começava achar que teríamos de fazer mais de uma viagem para levar tudo aquilo.
Dia da mudança, seis horas da manhã. Desperto e disposto, comecei a levar item por item até a entrada do beco. O trajeto encurvado e apertado era mais um problema. Vários objetos iriam chegar arranhados em seu destino, pois minha habilidade em driblar muros e paredes, não era grande coisa. A maior parte dos objetos era fácil de carregar, principalmente, os desmontados. Agora, pensa só, em um fogão de quatro bocas em que você não tem como segurá-lo ou colocá-lo em suas costas. Nem todas as decisões do passado foram mal tomadas, seria muito pior se tivesse cedido à vontade de minha mãe e comprado um fogão de seis bocas, é bom nem pensar nisto. O pesadelo maior, foi a geladeira. Comecei muito bem, destruí um dos pés dela e depois, como não conseguia fazê-la passar pela porta da frente, acabei prendendo a tomada contra a parede e destruindo-a. Como foi que ela entrou na primeira vez, nem consigo imaginar. Televisão, móveis da sala e depois toda a quinquilharia. Graças ao bom deus, as crianças tem som leve e acordaram na vizinhança toda e descobriram uma nova brincadeira: "Esvaziar a casa do Zezinho". As coisas desapareceram em menos de 15 minutos, para decepção da criançada, que ficou pedindo para colocar tudo de volta e depois levar para o caminhão.
Quando olhei aquela 'tralha' no beco, tive certeza absoluta que não iria dar certo. O caminhão era muito pequeno e teríamos de fazer mais de uma viagem. Para piorar, acho que São Pedro estava com raiva de mim, pois começou a chover. Uns pingos bem fininhos, mas não eram nada alvissareiros. O caminhão e seu motorista, sem ajudante é claro, pois não tinha grana para pagar o ajudante, não tinha nem par o motorista, graças a deus era meu vizinho e doido para se livrar de mim. É nessas horas, que agradeço de ser chato! Ele olhou para aquilo tudo e olhou para meu desespero de não caber no caminhão e disse simplesmente: "Ainda vai sobrar espaço!" Experiência é tudo! Uma hora depois, caminhão carregado e pronto para partir. Partir? Ainda faltava a cachorra da família. Já foi difícil encontrá-la, pois estava escondida no banheiro, com medo de todo aquele alvoroço. Tirá-la de lá foi uma guerra, colocá-la no caminhão no meu colo e de minha mãe, uma verdadeira operação cirúrgica. Depois de duas horas e meia, podemos partir. Tudo, foi cuidadosamente, arrumado e amarrado dentro do caminhão. O motorista garantiu: "Nada vai quebrar não. eu garanto!" Palavra dada e 'confiada'. Partimos para uma nova vida e um novo recomeço. Ah, antes de perguntar: lá já tem umas cinco pessoas para me ajudar, graças a deus. E olha, não sou nem religioso!
Finalmente, estou saindo do morro! Hoje é o dia da mudança. Depois de quase 25 anos morando no Boogie Woogie, estou me mudando. O incrível da estória, é que eu sempre quis sair, enquanto toda a minha família desejava ficar, mesmo assim, acabei sendo o último a sair daqui. Erros, decisões mal tomadas e sentimentalismo foram o responsável por tal fato, mas mesmo assim, estou saindo na hora certa.
O pior é realizar esta mudança, pois ao contrário dos filmes americanos ou das famílias de classe média brasileira, não temos dinheiro para pagar uma empresa de mudanças. Temos que fazer tudo sozinhos. Minha mãe de 69 anos e eu, ou seja, eu tenho de fazer quase tudo, a parte pesada pelo menos. Hoje é sábado, mas para mim a mudança começou na segunda-feira. Desmontei armários, desmontei camas, desmontei sofás e o 'rack' da sala. Este, então, foi uma aventura, nem sei se conseguirei remontá-lo novamente, depois do estrago que fiz para conseguir retirar os parafusos de sustentação. Acabei as desmontagens na quarta, pensando ter terminado a pior parte. Qual nada, arrumar todas as quinquilharias estocadas em uma casa por 25 anos, é 'dose pra leão'. Cara, nunca imaginei que houvesse tanta porcaria acumulada lá. O primeiro serviço foi escolher o que levar e o que enviar em um saco preto e mandar para o lugar mais distante possível, entenda-se: lixo. Uma negociação duríssima com minha mãe. Cada peça era negociada até o seu valor mais ínfimo, pois nada daquela quinquilharia era dispensável para ela. Todas, de uma forma ou outra, tinha um valor sentimental. Depois de uma longa e encarniçada negociação, conseguimos jogar mais de 50 Kg de lixo fora. Minha mãe deveria ser negociadora de empresas de compras, seria difícil fazê-la comprar qualquer coisa que ela realmente não quisesse!
Lixo jogado fora, começava o período de estocagem da quinquilharia. É claro, as caixas do supermercado que eu trouxe, não foram suficientes. Corrida de emergência até o Mundial do Cacuia para conseguir mais. Sorte ter trabalhado lá, as meninas ainda me adoram e foi fácil conseguir uma nova remessa. É uma pena, que este bom relacionamento com elas vai gradativamente desaparecer com a distância e o tempo sem contato, já passei por isto diversas vezes e não existem inimigos maiores do que a distância e o tempo. Caixas na mão, volta de imediato para casa e continua o trabalho. Interrupções foram inevitáveis, era uma conta para pagar, alguma coisa que faltava das compras da semana, um remédio para hipertensão da minha mãe, depois de quebrarmos algumas travessas da cozinha e a vida segue adiante. Quando olhei a 'tralha' amontoada nos cômodos da sala, nunca consegui imaginar como era possível uma casa tão vazia como a nossa, ter tanta porcaria. Eu achava o caminhão que contratamos grande, começava achar que teríamos de fazer mais de uma viagem para levar tudo aquilo.
Dia da mudança, seis horas da manhã. Desperto e disposto, comecei a levar item por item até a entrada do beco. O trajeto encurvado e apertado era mais um problema. Vários objetos iriam chegar arranhados em seu destino, pois minha habilidade em driblar muros e paredes, não era grande coisa. A maior parte dos objetos era fácil de carregar, principalmente, os desmontados. Agora, pensa só, em um fogão de quatro bocas em que você não tem como segurá-lo ou colocá-lo em suas costas. Nem todas as decisões do passado foram mal tomadas, seria muito pior se tivesse cedido à vontade de minha mãe e comprado um fogão de seis bocas, é bom nem pensar nisto. O pesadelo maior, foi a geladeira. Comecei muito bem, destruí um dos pés dela e depois, como não conseguia fazê-la passar pela porta da frente, acabei prendendo a tomada contra a parede e destruindo-a. Como foi que ela entrou na primeira vez, nem consigo imaginar. Televisão, móveis da sala e depois toda a quinquilharia. Graças ao bom deus, as crianças tem som leve e acordaram na vizinhança toda e descobriram uma nova brincadeira: "Esvaziar a casa do Zezinho". As coisas desapareceram em menos de 15 minutos, para decepção da criançada, que ficou pedindo para colocar tudo de volta e depois levar para o caminhão.
Quando olhei aquela 'tralha' no beco, tive certeza absoluta que não iria dar certo. O caminhão era muito pequeno e teríamos de fazer mais de uma viagem. Para piorar, acho que São Pedro estava com raiva de mim, pois começou a chover. Uns pingos bem fininhos, mas não eram nada alvissareiros. O caminhão e seu motorista, sem ajudante é claro, pois não tinha grana para pagar o ajudante, não tinha nem par o motorista, graças a deus era meu vizinho e doido para se livrar de mim. É nessas horas, que agradeço de ser chato! Ele olhou para aquilo tudo e olhou para meu desespero de não caber no caminhão e disse simplesmente: "Ainda vai sobrar espaço!" Experiência é tudo! Uma hora depois, caminhão carregado e pronto para partir. Partir? Ainda faltava a cachorra da família. Já foi difícil encontrá-la, pois estava escondida no banheiro, com medo de todo aquele alvoroço. Tirá-la de lá foi uma guerra, colocá-la no caminhão no meu colo e de minha mãe, uma verdadeira operação cirúrgica. Depois de duas horas e meia, podemos partir. Tudo, foi cuidadosamente, arrumado e amarrado dentro do caminhão. O motorista garantiu: "Nada vai quebrar não. eu garanto!" Palavra dada e 'confiada'. Partimos para uma nova vida e um novo recomeço. Ah, antes de perguntar: lá já tem umas cinco pessoas para me ajudar, graças a deus. E olha, não sou nem religioso!
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