10 maio 2008

Poesia - Muito Tarde

Todas as pessoas vivem no mundo sem saber o que fazer ou como fazer. Aprendemos errando, mas do que ouvindo os conselhos alheiso, sejam de nossos pais, amigos ou companheiros de viagem. Então, o que é melhor: não errar ou errar para aprender? Se não errarmos no início de nossa vida, cometeremos algum erro maior perto do fim, sem a oportunidade de correção de rota. Qual a melhor escolha? É o que nos pergunta o nosso poeta esta semana.

MUITO TARDE

Comecei tarde a errar,
Na contramão do tempo
Atirei aos ares a lógica
Oportunidade de cedo errar,
Ou quem sabe não errar.

E o tempo já tardio,
Levou consigo a correspondente
Chance de refazer.
Navego hoje sem bússola
Num mar coberto
Por um céu sem constelações.

Não errei na praia.
Hoje o tempo que carreia o fim
É mais ligeiro que o tempo do renascer.

Sair como náufrago?
Impossível,
Já não posso nadar,
Já não posso flutuar,
E sem nada
Apenas afundo
E afundo.

Maurício Granzinolli
mgran@urbi.com.br

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