15 dezembro 2007

Poesia - Não Quero

Sintonia, hoje teremos um poema de nosso grande amigo e colaborador que está em sintonia com o texto que apresento. As consequências de nossos atos por prazer e amor.


NÃO QUERO

Não quero que escorra
Das profundas artérias
Da tua prodigiosa história
O sagrado sangue com o qual
Me transfundi.

Não quero que sujas,
Minhas mãos
Que as tuas apoiaste,
Se ponham insanas
À depredar suas formas.

Não quero que teus ouvidos,
Que à minha voz
Escutaste em cantos e prantos,
Sejam arranhados com insensatas
Palavras de desprezo.

Não quero que seus braços
Que num abraço me acolheste,
Abrace agora a ingratidão do vazio,
Numa solidão que não merece.

Não quero que pensamentos
Que emanam do meu fracasso,
Macule a alvura da tua alma,
Que um dia foi minha luz.

Não quero que minhas pragas
Por vezes a ti rogadas,
Encontre em seu corpo santo
O eco da injustiça.

Não quero tê-lo coma algoz
De chagas que não abriste,
Muito menos o carrasco
De um suicídio que é só meu.

Maurício Granzinolli
mgran@urbi.com.br

Um comentário:

antonio gomes lacerda disse...

Parabens! este blog é uma das muitas boas coisas e de muito bom gosto de Itaborai.
Antonio gomes lacerda antogola@oi.com.br http://antoniogomeslacerda.blogspot.com