Em nossa vida existem inúmeros mitos. O principal entre homens e mulheres é: "Em mulher não se bate nem com uma flor." Esta frase estabelece a superioridade física do homem sobre a mulher e que nós não devemos utiilizar isto como uma vantagem sobre elas. Mas não fala nada sobre: elas usarem esta vantagem sobre nós. Esta é uma história de como este mito pode ser usado contra os homens indiscriminadamente, apesar de estarmos corretos acima de tudo e como, às vezes, seguir as regras, por mais duras que sejam, é o melhor caminho.
Trabalhar com mulheres não é fácil! Em um primeiro momento, você pensa, que a vida vai ser a maior maravilha, pois terá o convívio de 60 mulheres. É um harém! Você se sente o próprio sultão. Mas a verdade é... não é mole não, conviver com tantas mulheres. Imagine, se uma esposa dá tanta dor de cabeça... 60 esposas... estouram o seu cérebro. Foi quase isso que aconteceu comigo. Juro... fiquei por um triz de não ficar tentado de enforcar uma delas. Deveria tê-lo feito! Mas, mesmo estando completamente correto, ainda fui acusado, sentenciado e punido sumariamente por todas as outras, por algo que não fiz. Veja bem, havia pelo menos 6 delas que eram minhas amigas próximas... amigonas, a meu ver. Imagine se não fossem!
A estória foi a seguinte: trabalhava em um supermercado e supervisionava o trabalho das caixas e empacotadoras. Hoje, tem um nome novo e bonitinho: Gerenciador. Na época, éramos os Supervisores. É tudo a mesma merda, apenas com um nome mas 'maneiro' pronto para o Século XXI. Mas, vamos ao que interessa! Como disse, era o supervisor das caixas e empacotadoras. Quando descobri que uma das meninas estava roubando iogurte para comer escondido no depósito, a peguei no flagra. Dei um tremendo 'esporro' nela, tomei o iogurte e mandei que fosse para o vestiário feminino, até eu decidir o que iria fazer com ela.
A decisão era difícil para mim, pois era a primeira vez que a pegava fazendo algo assim. Acredito, piamente, que todos tem o direito de errar pelo menos duas vezes. Você a avisa nas duas primeiras e toma uma atitude na terceira. Foi por isso que tomei o objeto do roubo, dei uma bronca e a mandei para o vestiário esfriar a cabeça. Não pretendia puní-la, apesar das regras do supermercado serem taxativas quanto ao assunto: quem fosse pego roubando, deveria ser demitido sumariamente por justa causa. Por causa de dois iogurtes! Nem pensar, a bronca deveria ser o suficiente. Se ela fosse rescindente, tomaria uma medida mais enérgica, pensei.
Como estava na hora do meu almoço, decidi ir para casa e pensar um pouco mais enquanto comia. Avisei meu chefe da minha saída e de que tinha mandado a Margareth para o vestiário, pois ela havia 'aprontado' e eu havia dado uma bronca nela longe dos olhos de todos, para não humilhá-la. Meu chefe concordou comigo e me permitiu ir para casa almoçar. Fui! Duas horas depois estava de volta ao batente. Logo na chegada, vi Margareth descendo as escadas do escritório do gerente aos prantos. Achei estranho, mas melhor não comentar. Já havia tomado uma decisão, não contaria nada para ninguém e colocaria o objeto do roubo no lugar e ninguém notaria. Vou dar uma segunda chance a ela, pensei.
Assim que me apresentei na frente de loja, meu chefe disse que o gerente queria falar comigo e que deveria ir imediatamente para sala dele. Fui! Lá, descobri o motivo do choro. Margareth foi até o gerente e, enquanto eu almoçava, me denunciou por agressão. Estava com o uniforme rasgado, como prova da minha brutalidade e insensibilidade. Como todos os homens do mundo, é claro! O gerente não se conformava. Achava que eu era um dos melhores funcionários da loja e nunca poderia imaginar que eu fosse do tipo violento. Eu não sabia o que fazer.
Fiz, então, o óbvio. Contei o que acontecera de verdade, mesmo sabendo que seria a minha palavra contra a dela e de estar infringindo uma norma capital do supermercado. Acho que fui convincente o bastante, pois o gerente resolveu chamá-la e fazer uma 'acareação' com nós dois. Olha, se eu não soubesse a verdade, teria pena dela também. Teria me considerado um 'canalha de marca maior'. A garota deveria ser atriz e não empacotadora. Chorou um rio de lágrimas na frente do gerente e, a cada duas palavras, soluçava convulsivamente. Recontou a estória e, graças a deus, uma mentira sempre tem 'pernas curtas'. Ela afirmou que a agredi na entrada do vestiário feminino e próximo ao refeitório. Como todos sabiam, eu não comia no supermercado, pois morava bem perto e, raríssimas vezes, subia para o refeitório ou para a área dos vestiários. Até o gerente sabia disso! A coisa ficou pior quando ela falou a hora da agressão. Era a hora em que estava saindo para almoçar e para minha sorte, saí com uma funcionária da padaria que morava perto da minha casa. Ela podia confirmar a minha versão.
O barco fez água, mas ela não deu o braço a torcer e nem admitiu estar mentindo. Inventou umas três versões diferentes, todas elas com uma ação impossível ou improvável da minha parte. O gerente percebeu que ela estava mentindo. Mandou-a para casa, pois o idiota aqui não estava mais com o fruto do roubo e não tinha como provar no momento o que ela havia feito. O gerente decidiu dar a ela uma suspensão de dois dias e me manter normalmente. Ufa! Escapei dessa, pensei cá comigo. Ledo engano, podia ter convencido o gerente, mas todas as outras funcionárias da frente de loja, me odiaram pelo que eu 'fizera'. Nenhuma delas falou comigo nos dias que se seguiram até o retorno de Margareth. Depois disso, elas me chamavam para dar uma lição de moral, onde não podia dizer uma palavra, pois homem é tudo assim, sempre está errado, mesmo estando certo. Sempre um canalha! Não havia nada que dissesse para convencê-las do contrário. Sem chance de defesa, aceitei meu castigo resignado, para falar a verdade, foram algumas semanas de paz na minha vida.
Ao mesmo tempo, a própria Margareth começou a falar comigo e agir como se nada houvesse acontecido. Chegou mesmo a fazer piada da situação. Não achei graça nenhuma! Ainda mais, com todas as outras me odiando por algo que não havia feito e sem o direito de contar a minha versão dos fatos. Me arrependi amargamente de não tê-la entregue para o gerente como estava nas regras, quis dar uma de bonzinho e mefu...
Alguns meses de inverno gelado depois, Margareth foi pega novamente roubando. Agora, não por mim, mas por outro supervisor, que cumpriu seu papel à risca. Levou-a direto para o gerente, juntamente, com a prova do crime. Alguns pacotes de biscoito recheado de chocolate. Demitida por justa causa! Concessão de perdão total para a minha pessoa. Fui absolvido no segundo julgamento, principalmente, após minha acusadora ser acusada. Perda de credibilidade.
O mais incrível disso tudo, foi que, todas elas, acharam que o Supervisor fora rigoroso demais. Poxa, alguns pacotes de biscoito recheado, não dava nem 5 reiais. Ele podia ter relevado esta, não podia? Falaram todas quase em uníssono. Eu apenas pensei, graças a Deus que ele é mais impiedoso e justo do que eu!
Trabalhar com mulheres não é fácil! Em um primeiro momento, você pensa, que a vida vai ser a maior maravilha, pois terá o convívio de 60 mulheres. É um harém! Você se sente o próprio sultão. Mas a verdade é... não é mole não, conviver com tantas mulheres. Imagine, se uma esposa dá tanta dor de cabeça... 60 esposas... estouram o seu cérebro. Foi quase isso que aconteceu comigo. Juro... fiquei por um triz de não ficar tentado de enforcar uma delas. Deveria tê-lo feito! Mas, mesmo estando completamente correto, ainda fui acusado, sentenciado e punido sumariamente por todas as outras, por algo que não fiz. Veja bem, havia pelo menos 6 delas que eram minhas amigas próximas... amigonas, a meu ver. Imagine se não fossem!
A estória foi a seguinte: trabalhava em um supermercado e supervisionava o trabalho das caixas e empacotadoras. Hoje, tem um nome novo e bonitinho: Gerenciador. Na época, éramos os Supervisores. É tudo a mesma merda, apenas com um nome mas 'maneiro' pronto para o Século XXI. Mas, vamos ao que interessa! Como disse, era o supervisor das caixas e empacotadoras. Quando descobri que uma das meninas estava roubando iogurte para comer escondido no depósito, a peguei no flagra. Dei um tremendo 'esporro' nela, tomei o iogurte e mandei que fosse para o vestiário feminino, até eu decidir o que iria fazer com ela.
A decisão era difícil para mim, pois era a primeira vez que a pegava fazendo algo assim. Acredito, piamente, que todos tem o direito de errar pelo menos duas vezes. Você a avisa nas duas primeiras e toma uma atitude na terceira. Foi por isso que tomei o objeto do roubo, dei uma bronca e a mandei para o vestiário esfriar a cabeça. Não pretendia puní-la, apesar das regras do supermercado serem taxativas quanto ao assunto: quem fosse pego roubando, deveria ser demitido sumariamente por justa causa. Por causa de dois iogurtes! Nem pensar, a bronca deveria ser o suficiente. Se ela fosse rescindente, tomaria uma medida mais enérgica, pensei.
Como estava na hora do meu almoço, decidi ir para casa e pensar um pouco mais enquanto comia. Avisei meu chefe da minha saída e de que tinha mandado a Margareth para o vestiário, pois ela havia 'aprontado' e eu havia dado uma bronca nela longe dos olhos de todos, para não humilhá-la. Meu chefe concordou comigo e me permitiu ir para casa almoçar. Fui! Duas horas depois estava de volta ao batente. Logo na chegada, vi Margareth descendo as escadas do escritório do gerente aos prantos. Achei estranho, mas melhor não comentar. Já havia tomado uma decisão, não contaria nada para ninguém e colocaria o objeto do roubo no lugar e ninguém notaria. Vou dar uma segunda chance a ela, pensei.
Assim que me apresentei na frente de loja, meu chefe disse que o gerente queria falar comigo e que deveria ir imediatamente para sala dele. Fui! Lá, descobri o motivo do choro. Margareth foi até o gerente e, enquanto eu almoçava, me denunciou por agressão. Estava com o uniforme rasgado, como prova da minha brutalidade e insensibilidade. Como todos os homens do mundo, é claro! O gerente não se conformava. Achava que eu era um dos melhores funcionários da loja e nunca poderia imaginar que eu fosse do tipo violento. Eu não sabia o que fazer.
Fiz, então, o óbvio. Contei o que acontecera de verdade, mesmo sabendo que seria a minha palavra contra a dela e de estar infringindo uma norma capital do supermercado. Acho que fui convincente o bastante, pois o gerente resolveu chamá-la e fazer uma 'acareação' com nós dois. Olha, se eu não soubesse a verdade, teria pena dela também. Teria me considerado um 'canalha de marca maior'. A garota deveria ser atriz e não empacotadora. Chorou um rio de lágrimas na frente do gerente e, a cada duas palavras, soluçava convulsivamente. Recontou a estória e, graças a deus, uma mentira sempre tem 'pernas curtas'. Ela afirmou que a agredi na entrada do vestiário feminino e próximo ao refeitório. Como todos sabiam, eu não comia no supermercado, pois morava bem perto e, raríssimas vezes, subia para o refeitório ou para a área dos vestiários. Até o gerente sabia disso! A coisa ficou pior quando ela falou a hora da agressão. Era a hora em que estava saindo para almoçar e para minha sorte, saí com uma funcionária da padaria que morava perto da minha casa. Ela podia confirmar a minha versão.
O barco fez água, mas ela não deu o braço a torcer e nem admitiu estar mentindo. Inventou umas três versões diferentes, todas elas com uma ação impossível ou improvável da minha parte. O gerente percebeu que ela estava mentindo. Mandou-a para casa, pois o idiota aqui não estava mais com o fruto do roubo e não tinha como provar no momento o que ela havia feito. O gerente decidiu dar a ela uma suspensão de dois dias e me manter normalmente. Ufa! Escapei dessa, pensei cá comigo. Ledo engano, podia ter convencido o gerente, mas todas as outras funcionárias da frente de loja, me odiaram pelo que eu 'fizera'. Nenhuma delas falou comigo nos dias que se seguiram até o retorno de Margareth. Depois disso, elas me chamavam para dar uma lição de moral, onde não podia dizer uma palavra, pois homem é tudo assim, sempre está errado, mesmo estando certo. Sempre um canalha! Não havia nada que dissesse para convencê-las do contrário. Sem chance de defesa, aceitei meu castigo resignado, para falar a verdade, foram algumas semanas de paz na minha vida.
Ao mesmo tempo, a própria Margareth começou a falar comigo e agir como se nada houvesse acontecido. Chegou mesmo a fazer piada da situação. Não achei graça nenhuma! Ainda mais, com todas as outras me odiando por algo que não havia feito e sem o direito de contar a minha versão dos fatos. Me arrependi amargamente de não tê-la entregue para o gerente como estava nas regras, quis dar uma de bonzinho e mefu...
Alguns meses de inverno gelado depois, Margareth foi pega novamente roubando. Agora, não por mim, mas por outro supervisor, que cumpriu seu papel à risca. Levou-a direto para o gerente, juntamente, com a prova do crime. Alguns pacotes de biscoito recheado de chocolate. Demitida por justa causa! Concessão de perdão total para a minha pessoa. Fui absolvido no segundo julgamento, principalmente, após minha acusadora ser acusada. Perda de credibilidade.
O mais incrível disso tudo, foi que, todas elas, acharam que o Supervisor fora rigoroso demais. Poxa, alguns pacotes de biscoito recheado, não dava nem 5 reiais. Ele podia ter relevado esta, não podia? Falaram todas quase em uníssono. Eu apenas pensei, graças a Deus que ele é mais impiedoso e justo do que eu!
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