Uma das máximas do capitalismo é que a concorrência empurra e moderniza o sistema econômico. Esta é uma verdade que podemos aplicar a quase tudo, principalmente, nas relações humanas. E não existe uma concorrência mais pesada e disputada do que a trava dentro de casa entre mães e filhas pela atenção do pai. Este é um conto sobre uma dessas concorrências.
Ela começou a chegar no trabalho muito mais bonita. Na realidade, as últimas duas semanas começamos a descobrir que Ângela existia. Até, então, não prestávamos atenção nela, com exceção de momentos em que necessitávamos algo dela. Era uma mulher de meia-idade com duas filhas adolescentes, escondida sob camadas de roupas e um penteado mal feito, para dizer a verdade, não feito. As primeiras a notar as alterações na imagem de Ângela foram suas companheiras de trabalho. Era o cabelo em um novo penteado, depois de uma cor diferente, mas vivo e luminoso. O novo corte realçava os traços de seu rosto. "Ela era bonita, apesar da idade!" Todos nós ficamos espantados com o fato em questão.
Depois das amigas notarem as mudanças, nós, os homens, percebemos que ela havia alterado a maquiagem. De fato, ela estava se maquiando pela primeira vez desde que me lembrava de tê-la vista trabalhando naquele escritório. Havia encontrado uma forma de mostrar o quão era bonita. E era mesmo! Os homens vibraram com a mudança. Teve uns caras de outros departamentos, foram até a nossa sala para perguntar quem era aquela nova funcionária. Queriam a ficha completa dela. Quando contamos a eles que ela trabalhava ali a mais de 8 anos, ninguém acreditou. Nem mesmo nós!
Foram pequenas mudanças que fizeram um bem enorme para a aparência de Ângela. Não só para a aparência, mas para sua auto-estima, também. Eu lembro que ela estava sempre de cabeça baixa e nunca encarava ninguém nos olhos. Sempre estava olhando para o chão e seu tom de voz era extremamente baixo, quase inaudível. Agora, ela andava com a cabeça erguida e o nariz empinado. Não só o nariz, outros pontos de sua anatomia, também. Estava virando a cabeça de vários homens no escritório. Deixando algumas mulheres com raiva e com ciúmes daquela transformação. Era sempre parada para conversar com alguém, que ela não tinha a menor idéia de quem era, sobre assuntos que não tinha o menor interesse. Ela percebia o assédio masculino e dava pequenos e enigmáticos sorrisos. Era uma festa para os fofoqueiros de plantão.
A terceira etapa da transformação veio na forma do vestuário. Surgiram decotes e mini-saias no caminho de Ângela. Descobrimos que ela tinha longas e belas pernas torneadas, podia estar um pouco acima do peso, mas continuava sensual e "gostosa". Mesmo o princípio de 'barriguinha' que ela tinha, era sexy. A cada nova peça de roupa que ela chegava no trabalho, virava objeto de profunda e detalhada análise dos homens. Os decotes tinham que ser minuciosamente pesquisados e compreendidos. Não faltavam candidatos para a tarefa, mas Ângela não era uma mulher 'dada'. Mesmo tendo ocorrido uma mudança em seu comportamento, com o crescimento de sua auto-estima, ela ainda era uma mulher reservada e não dava abertura para ninguém, nem mesmo para as chefias, que agora começavam a solicitar sua presença constantemente em seus escritórios. Nos quatro últimos anos que trabalhei nesta empresa, não lembro uma única vez que tenham, no mínimo, pronunciado o nome da Ângela uma única vez. No momento, chamá-la ao escritório para falar de banalidades, era uma boa forma de olhar para suas bonitas pernas.
Apesar da terceira alteração não ter sido muito bem sucedida, a transformação no visual de Ângela levantou uma questão tão palpitante quanto a cor de sua calcinha: por quê ela havia sofrido aquela profunda transformação? A primeira resposta veio das 'amigas' do escritório, para elas era óbvia a resposta: O marido a estava traindo. Aquela era uma patética tentativa de reacender a antiga chama entre eles. A resposta parecia mesmo a mais provável, pois em quatro anos não lembro do marido dela ter vindo a qualquer evento do escritório. Foi só comentar, para ele aparecer no final do expediente para apanhá-la de carro. A mulher sofrera uma bela transformação e não passara despercebida, nem mesmo para o 'maridão'. Veio demarcar território e dizer: "Aqui ninguém tasca!" O sorriso de Ângela aumentava a cada dia.
Bem, se não era por causa do marido, o que seria o motivo para esta alteração. Os 'psicólogos' de plantão, logo aventaram a hipótese de ser uma crise de meia-idade. Ela estava sentindo a necessidade de se afirmar como mulher para com a sociedade. Trocando em miúdos, ela queria aparecer e mostrar para todo mundo o quanto era bonita e gostosa. Não era uma má teoria, mas por quê não havia acontecido antes, pois ela já havia entrado na meia-idade faz tempo. A discussão ganhou ares de tese acadêmica. Todos os pontos eram motivo para discussão, até mesmo uma alteração na cor do cabelo ou no tipo de roupa que ela vestia, rendia umas boas horas de conversa na sala do cafezinho.
Foi quando uma das chefes de setor, sugeriu que aquela mudança seria uma tentativa de voltar no tempo. As roupas e a maquiagem, não eram próprias para sua idade e sim para o rosto e gosto de uma mulher mais jovem. a discussão esquentou nos corredores do escritório. Seria uma tentativa de recuperar os anos perdidos para o passar do tempo. A resposta parecia ser positiva desta vez. O cabelo pintado, as cores de esmalte e as roupas colantes realçando o corpo, denotavam uma identificação com as jovens recém saídas da adolescência.
Foi, então, que a filha mais velha de Ângela foi ao escritório. Que beleza! A garota era deslumbrante e tinha um corpo de parar o trânsito, realçado por um top que deixava a bela 'barriguinha' à mostra. Os marmanjos estavam babando pela menina. Mas enquanto os homens, literalmente, 'babavam', as mulheres examinaram detalhadamente a aparência da menina. O tom do cabelo era o mesmo, a grife das roupas delas era a mesma, o tipo de maquiagem e a cor do esmalte eram muito semelhantes. O tom final para colocar um ponto de exclamação naquela discussão, foi o corte de cabelo idêntico de ambas, mãe e filha. A resposta estava na cara: era uma concorrência de mãe e filha. A transformação não foi motivada por ciúmes do marido, não foi uma crise psicológica de identidade e nem foi uma tentativa de recuperar os anos dourados da adolescência, mas sim fazer frente para sua mais nova e perigosa concorrente: sua filha.
Ela começou a chegar no trabalho muito mais bonita. Na realidade, as últimas duas semanas começamos a descobrir que Ângela existia. Até, então, não prestávamos atenção nela, com exceção de momentos em que necessitávamos algo dela. Era uma mulher de meia-idade com duas filhas adolescentes, escondida sob camadas de roupas e um penteado mal feito, para dizer a verdade, não feito. As primeiras a notar as alterações na imagem de Ângela foram suas companheiras de trabalho. Era o cabelo em um novo penteado, depois de uma cor diferente, mas vivo e luminoso. O novo corte realçava os traços de seu rosto. "Ela era bonita, apesar da idade!" Todos nós ficamos espantados com o fato em questão.
Depois das amigas notarem as mudanças, nós, os homens, percebemos que ela havia alterado a maquiagem. De fato, ela estava se maquiando pela primeira vez desde que me lembrava de tê-la vista trabalhando naquele escritório. Havia encontrado uma forma de mostrar o quão era bonita. E era mesmo! Os homens vibraram com a mudança. Teve uns caras de outros departamentos, foram até a nossa sala para perguntar quem era aquela nova funcionária. Queriam a ficha completa dela. Quando contamos a eles que ela trabalhava ali a mais de 8 anos, ninguém acreditou. Nem mesmo nós!
Foram pequenas mudanças que fizeram um bem enorme para a aparência de Ângela. Não só para a aparência, mas para sua auto-estima, também. Eu lembro que ela estava sempre de cabeça baixa e nunca encarava ninguém nos olhos. Sempre estava olhando para o chão e seu tom de voz era extremamente baixo, quase inaudível. Agora, ela andava com a cabeça erguida e o nariz empinado. Não só o nariz, outros pontos de sua anatomia, também. Estava virando a cabeça de vários homens no escritório. Deixando algumas mulheres com raiva e com ciúmes daquela transformação. Era sempre parada para conversar com alguém, que ela não tinha a menor idéia de quem era, sobre assuntos que não tinha o menor interesse. Ela percebia o assédio masculino e dava pequenos e enigmáticos sorrisos. Era uma festa para os fofoqueiros de plantão.
A terceira etapa da transformação veio na forma do vestuário. Surgiram decotes e mini-saias no caminho de Ângela. Descobrimos que ela tinha longas e belas pernas torneadas, podia estar um pouco acima do peso, mas continuava sensual e "gostosa". Mesmo o princípio de 'barriguinha' que ela tinha, era sexy. A cada nova peça de roupa que ela chegava no trabalho, virava objeto de profunda e detalhada análise dos homens. Os decotes tinham que ser minuciosamente pesquisados e compreendidos. Não faltavam candidatos para a tarefa, mas Ângela não era uma mulher 'dada'. Mesmo tendo ocorrido uma mudança em seu comportamento, com o crescimento de sua auto-estima, ela ainda era uma mulher reservada e não dava abertura para ninguém, nem mesmo para as chefias, que agora começavam a solicitar sua presença constantemente em seus escritórios. Nos quatro últimos anos que trabalhei nesta empresa, não lembro uma única vez que tenham, no mínimo, pronunciado o nome da Ângela uma única vez. No momento, chamá-la ao escritório para falar de banalidades, era uma boa forma de olhar para suas bonitas pernas.
Apesar da terceira alteração não ter sido muito bem sucedida, a transformação no visual de Ângela levantou uma questão tão palpitante quanto a cor de sua calcinha: por quê ela havia sofrido aquela profunda transformação? A primeira resposta veio das 'amigas' do escritório, para elas era óbvia a resposta: O marido a estava traindo. Aquela era uma patética tentativa de reacender a antiga chama entre eles. A resposta parecia mesmo a mais provável, pois em quatro anos não lembro do marido dela ter vindo a qualquer evento do escritório. Foi só comentar, para ele aparecer no final do expediente para apanhá-la de carro. A mulher sofrera uma bela transformação e não passara despercebida, nem mesmo para o 'maridão'. Veio demarcar território e dizer: "Aqui ninguém tasca!" O sorriso de Ângela aumentava a cada dia.
Bem, se não era por causa do marido, o que seria o motivo para esta alteração. Os 'psicólogos' de plantão, logo aventaram a hipótese de ser uma crise de meia-idade. Ela estava sentindo a necessidade de se afirmar como mulher para com a sociedade. Trocando em miúdos, ela queria aparecer e mostrar para todo mundo o quanto era bonita e gostosa. Não era uma má teoria, mas por quê não havia acontecido antes, pois ela já havia entrado na meia-idade faz tempo. A discussão ganhou ares de tese acadêmica. Todos os pontos eram motivo para discussão, até mesmo uma alteração na cor do cabelo ou no tipo de roupa que ela vestia, rendia umas boas horas de conversa na sala do cafezinho.
Foi quando uma das chefes de setor, sugeriu que aquela mudança seria uma tentativa de voltar no tempo. As roupas e a maquiagem, não eram próprias para sua idade e sim para o rosto e gosto de uma mulher mais jovem. a discussão esquentou nos corredores do escritório. Seria uma tentativa de recuperar os anos perdidos para o passar do tempo. A resposta parecia ser positiva desta vez. O cabelo pintado, as cores de esmalte e as roupas colantes realçando o corpo, denotavam uma identificação com as jovens recém saídas da adolescência.
Foi, então, que a filha mais velha de Ângela foi ao escritório. Que beleza! A garota era deslumbrante e tinha um corpo de parar o trânsito, realçado por um top que deixava a bela 'barriguinha' à mostra. Os marmanjos estavam babando pela menina. Mas enquanto os homens, literalmente, 'babavam', as mulheres examinaram detalhadamente a aparência da menina. O tom do cabelo era o mesmo, a grife das roupas delas era a mesma, o tipo de maquiagem e a cor do esmalte eram muito semelhantes. O tom final para colocar um ponto de exclamação naquela discussão, foi o corte de cabelo idêntico de ambas, mãe e filha. A resposta estava na cara: era uma concorrência de mãe e filha. A transformação não foi motivada por ciúmes do marido, não foi uma crise psicológica de identidade e nem foi uma tentativa de recuperar os anos dourados da adolescência, mas sim fazer frente para sua mais nova e perigosa concorrente: sua filha.
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