01 junho 2008

Poesia - Um Governo

O Governo deveria governar, organizar e melhorar o funcionamento da vida de seus cidadãos. As pessoas deviam se beneficiar de seus serviços e de suas ações. Mas, lógica invertida, o Governo parece agir de forma contrária a estas máximas. Parece que, quanto mais desgoverno, desorganização e a piora na vida das pessoas é o objetivo primário a ser alcançado. Verdade ou mentira é a discussão política de nosso poeta o dia de hoje.

Atormentaste enquanto espírito
As consciências dos conscientes,
Perturbaste com suas críticas
A ordem dos organizados,
Espalhaste sua falsa
Boa semente,
Para que o vento a transportasse
E fecunda, germinasse
Nos ouvidos esperançosos.

Apostaste protegido pela tua ausência
Injustiças que não conhecera.
Espalhaste por fim a discórdia
E ansiaste pelo desgoverno.

Estás agora materializado,
Oh covarde consciência oculta,
Assumiste o corpo
Que antes amaldiçoara,
E justamente se fez vítima
De suas próprias idéias e palavras.

Que fazer agora sem a proteção
De sua conveniente ausência?
E com o corpo exposto às mesmas críticas
Que de forma apocalíptica tecia?

Como dar conta agora
Dos filhos que hão de nascer
Das mentes emprenhadas
De frustradas esperanças?

Devias sentir agora o peso
De um espírito encarnado,
Mas hipocritamente sorri,
Pois depositaste com sarcasmo
Nos ombros de milhões
Aquela mesma pesada cruz
Que prometeste destruir.

Maurício Granzinolli
mgran@urbi.com.br

Nenhum comentário: