É difícil crer que uma mulher fique grávida de propósito, mas diversas vezes vi acontecer, nomrmalmente, da maneira mais estúpida possível e com o amante mais improvável ainda. Pior, é quando isto acontece com alguém muito próximo a você. Pior ainda, quando este alguém teve todo e qualquer tipo de apoio para não fazer esta imensa estupidez. É o que veremos no conto de hoje.
Minha sobrinha é uma idiota! Fico com raiva só de pensar! Conseguiu estragar sua vida, apesar de todos os avisos que recebeu para não fazer. Falamos das consequências de fazer. Mostramos os prós e contras. Vencemos tabus e até mesmo convencemos o pai dela a conversar com ela. E olha, tem duas irmãs que já haviam cometido a mesma estupidez. Mas é como digo, todo adolescente é um poço de estupidez. Nenhum tem um pingo de cérebro, conseguem estragar tudo aquilo que deveria ser o melhor memento da vida.
Ela, a estúpida, ficou grávida. Pior ainda, casou com o imbecil que a engravidou. Infelizmente, a estória não começou neste ponto. Os pais dela, os tios e até os avós resolveram não deixar acontecer a mesma desgraça com ela que havia acontecido com suas irmãs. Ser mãe adolescente, uma praga que definitivamente acaba com a vida da mãe, da criança, do marido e todos ao seu redor, mas, principalmente, da pobre criança que não pediu para vir ao mundo sendo fruto de um erro estúpido.
Ela não pode reclamar de nada saber, de nunca ter conversado com a sua mãe ou mesmo não saber da existência de formas de evitar este desastre. A mãe e o pai (contrariado) conversaram sobre sexo, informaram como evitar filhos, os perigos de uma gravidez em tenra idade, os riscos de doenças sexualmente transmissíveis e as consequências para a vida de qualquer mulher ser mãe na adolescência. Os exemplos eram vivos e próximos, as duas irmãs mais velhas. Todos achamos que esta não jogaria sua vida fora por burrice e desejos mal compreendidos. Ledo engano! A tristeza é saber que a culpa foi maior dela do que do próprio imbecil que a engravidou.
Ao contrário dela, o rapaz nunca havia conversado com ninguém sobre sexo. Seu conhecimento vinha de Playboys e Sexy da vida. Os clichês da rua alimentaram suas fantasias. Os especialistas consultados por ele, eram os virgens companheiros de primeira viagem do colégio. Tão imbecis quanto ele! Incrível, como um imbecil pode ser convencido por outro a fazer tamanha estupidez, que o conselheiro nunca conseguiu fazer. Mas sempre tem um otário. Também, graças a santíssima trindade, sexo tornou o produto mais vendável do mundo, até mesmo superando o amor.
Quando ambos deram a notícia (juntinhos de mãos dadas, tão bonitinhos... tão estupidozinhos) para a família, pareceu a todos que fora a minha sobrinha quem seduzira o pobre e tosco garoto. Foi uma chuva de acusações e xingamentos de toda a espécie. É claro, que a briga vazou para culpar os pais dela, que não sabiam criar as filhas, pois era o terceiro erro consecutivo. Só podia ser incompetência. E neste caso, tenho que concordar, apesar de terem feito tudo que era humanamente possível para aconselhar a filha. Tudo que é dito por especialistas na tevê, tudo o que os pais dizem fazer para ajudar seus filhos a não cometer estupidez tão grandes... infelizmente, nada funcionou. O pior de não funcionar, é a total desolação dos pais ao encarar mais um fracasso. Eles estavam arrasados, enquanto ela... radiante. Os dois queriam uma festa de casamento, mas, escolados pelos fracassos anteriores, os pais dela não concordaram com o casamento. Morariam juntos por alguns anos, caso o relacionamento ainda estivesse intenso, casavam-se. A idiota... perdão, minha sobrinha... gritou, esperneou, socou e resmungou. Chegou a ameaçar sair de casa, caso não houvesse um casamento. Os pais ficaram irredutíveis: sem casamento, por agora. Caso, quisessem se casar, ficariam por conta própria. Ela gritou que iria morar na casa dele com os pais dele, questão totalmente apoiada por seus próprios pais, pois a casa não tinha lugar para mais ninguém. Porém, os pais dele, percebendo que teriam de arcar com toda aquela brincadeira sozinho, resolveram brecar o irrequieto pinto de seu filho. Dizeram não.
Não houve casamento e a minha idi... digo, sobrinha, foi morar com os pais dele. Foram os meses do paraíso, em que ela foi alçada ao pedestal da Deusa da Feminilidade. Um mundo passou a girar em torno dela. Ela era o Centro do Universo das duas famílias. Tudo mais não tinha nenhuma importância! O nascimento do herdeiro, transferiu o cetro do poder para o Redentor recém-nascido. Agora, o culto era a Continuação da Vida, não mais a feminilidade, que seria, paulatinamente, colocada de lado para alocar o novo Deus nascido.
Embalados pela felicidade da chegada de uma nova vida dentro do seio familiar. O casal estava sempre sendo bem tratado e se aproximaram, vivendo um momento único em suas vidas, que fez a todos acreditarem que o casamento poderia realmente dar certo. Para tristeza do feliz casal, só durou até o dia em que trouxeram o bebê para casa. A primeira noite da criança na nova casa foi uma tortura. Gritou e chorou a noite inteira. A mãe e o pai de "primeira viagem" nem acordaram. Precisou a mãe dele, levantar de sua cama e acordar o "feliz casal". Brigaram naquela mesma noite, para saber quem era o responsável por cuidar da criança durante à noite, cada um apresentando as razões mais estapafúrdias para não ser o felizardo. Além disso, passaram a levar broncas o tempo todo da mãe dele, por não saberem cuidar de seu filho.
A vida não é um inferno contínuo... é quase, para quem escolhe o caminho errado, mas tem dias que se consegue apagar o fogo no rabo das estúpidas adolescentes e salvar uns dias para o bem da vida delas. Acabou acontecendo com a minha sobrinha, depois de entrarem no ritmo da criança... veio uma calmaria. Substituída, rapidamente, pelas brigas por poder entre ela e a mãe dele. A mãe dele nunca deixando-a esquecer, de quem era a dona da casa e quem morava de favor ali. Sofrendo todo tipo de escárnio e humilhação, resolveu dividir um pouco com sua mãe. Passou a reclamar diariamente no "ouvido" de sua mãe, pobre coitada. O pai ficou "com peninha" e disse que se acontecesse novamente, ele acolheria o "feliz casal" em casa. É claro que aconteceu, muito mais rápido que o pai gostaria.
Uma semana depois, marido e mulher desembarcavam de "mala e cuia" na casa dos pais dela. Ela pensou que tudo seria como antes, mas agora trazia consigo dois novos passageiros e por mais que os avós adorassem o novo membro da família, não podiam suportar que a sua filha permanecesse na mesma vida que tinha antes. As brigas recomeçaram, mudando apenas de contendor: sua mãe. As brigas eram ainda piores, pois uma de suas irmãs e a filha dela moravam na casa e o "feliz casal" era um incomodo muito "mal-vindo" naquele memento. As brigas ficaram ainda piores, apenas por um orgulho estúpido e injustificável, não voltaram para casa dos pais dele. Para o garoto, o difícil era suportar as constantes queixas de sua "companheira", as brigas ele não via, passava dia inteiro trabalhando com o pai e forçava cada vez mais a chegar bem tarde para não se envolver naquele gritaria absurda que o estava deixando louco.
A idio... minha sobrinha, para fugir das constantes brigas, passou a passear com o bebê todos os dias. Em consequência, encontrou antigas amigas e amigos do tempo de colégio. Ficou sabendo de todas as novidades, que ela não poderia compartilhar, e ficou com água na boca sobre os novos "points" e os novos "gatinhos" do colégio. Recebeu um "intensivão" sobre as fofocas para ficar em dia sobre tudo e todos, já que não mais podia participar daquilo tudo. As amigas adoravam encontrá-la e paparicavam o novo rebento o tempo todo, melhor dizendo por um mês inteiro, foi o quanto durou a novidade. Rapidamente, ficaram entediados dos "gu-gus-da-das", de ouvir falar em mamadeira, cocô na fralda e xixi no lençol, a vida era bem mais interessante que isso, todas elas pensavam.
Logo após o consequente desaparecimento das amigas, ela soube que haveria uma grande festa no colégio. Recebera convite e decidira que tinha que "voltar à vida". Pediu a sua mãe para ficar de babá, comprou um vestido de festa e convenceu o marido a ir. Este conseguiu até um carro emprestado para levá-los. Mas (a vida é cheia de "mas", não é?) no dia da festa, à tarde, o bebê, começou a ficar com febre, vomitar e sentir falta de ar. Foi ficando pior a cada minuto, não houve escolha e tiveram de levá-lo para o hospital. Até tudo ficar esclarecido e o garoto voltar a ficar bem, lá se fora a grande festa. A idio... minha sobrinha, ficou conformada que sua antiga vida não existia mais e nunca iria voltar. Decidiu investir tudo no seu casamento e em sua filha.
Os três anos se passaram, o pai do menino estava indo bem no trabalho. Ela resolveu voltar a falar em casamento e, principalmente, irem embora da casa dos pais de ambos. O garoto protelou o máximo que pode, mas foi empurrado para um casamento fadado ao total fiasco. Para sorte de ambos, uma semana antes do casamento, com tudo já pronto, o garoto deu uma de "macho" e "chutou o pau da barraca". "Não vou me casar com ninguém! Não tenho idade e nem sei se estou apaixonado. Não vou me casar!" E não se casou, cada um foi para seu lado. Apesar disso, cumpria com todas as obrigações com a criança.
A idio..., minha sobrinha, resolveu então, que definitivamente não era obrigada a ter uma vida própria e dedicou quase toda a sua juventude a infernizar o ex. Foram anos "boníssimos" para o ódio e a estupidez, muitos deles passados diretamente para a filha. Seu lema passou a ser: 'A vida é uma merda! Porquê os homens são uns canalhas!" Foi quando ela veio conversar comigo. Até então, nem nos falávamos direito, e eu era seu padrinho. Chorou, lamentou e falou o quanto era infeliz por culpa dos outros. Peraí?!?! 'Culpa de quem?' indaguei irritado. Ela citou praticamente o mundo todo, menos a única e verdadeira culpada de toda aquela desgraça que era a sua gravidez na adolescência, um ato de pessoas imbecis e sem cérebro, como são todos os adolescentes.
Segurei ela pelos ombros e gritei com enorme força, cuspindo em seu rosto: 'Foi você!' Ela ficou assustada e voltei a gritar, a única culpada ela era, pois tinha sido preparada para não fazer aquela estúpida coisa, que não era o sexo em si, mas sim não ter usado preservativo. 'O que custava usar uma camisinha?' 'Foi ele!' Quase disse um grande palavrão, a força em casos como este não está no homem, mas sim na mulher, caso ela recuse o homem não consegue fazer mais nada, ele se humilha para ter o mínimo possível dela. Ele poderia tê-la estuprada, alguns diriam, mas não foi o caso e qualquer um podia perceber, que era mais fácil ela estuprar ele do que o contrário acontecer. Fiz ela encarar a verdade, fizeram aquilo tudo por desejo próprio, por pura vaidade. Para mostrar que podia a terceiros que hoje em dia nem sabem que ela existe, pois vivem vidas felizes em algum lugar a "anos-luz" de distância dela. Só havia uma idiota, irremediavelmente idiota... 'você!'. Apontei bem no seu rosto. Ela deu um tapa na minha mão e foi embora correndo. Horas depois o pai dela apareceu para perguntar o porquê de eu ter batido na filha dele, olhei bem para ele que já sabia a verdade. Fomos tomar uma cerveja e não dissemos nada. No final, após ele pagar a conta, falou desolado: "Elas nunca irão aprender humildade!".